Quando acabou a gestão de Maurício Assumpção, o Botafogo estava sem receitas, praticamente rebaixado no Brasileiro, com salários de jogadores há meses bloqueados, e um elenco em debandada. Cerca de cinco meses depois o clube disputará sua primeira final, no Estadual do Rio, sob a direção do novo presidente Carlos Eduardo Pereira.

Em entrevista ao blog, o dirigente conta como foi essa trajetória. A situação do clube, claro, continua dificílima sob o ponto de vista financeiro e com atrasos salariais. A ponto de o presidente classificar a volta à Série A como questão de vida ou morte para o Botafogo visto que a agremiação pode não resistir se ficar mais um ano na Segundona.

Qual a maior dificuldade quando assumiu o Botafogo?

Carlos Eduardo Pereira: O bloqueio das contas e as penhoras. Somado a isso, a falta de credibilidade.

Qual foi a medida tomada pela diretoria para tentar sanar, ainda que parcialmente, esses problemas?

Carlos Eduardo: Conseguimos a inclusão no ato trabalhista 15 dias após assumir, o que foi um feito. Abrimos diálogo com a procuradoria da fazenda e estamos aparando as arestas para tentar a regularidade fiscal. Se conseguirmos resolver a questão trabalhista e fiscal, conseguiremos ter um fluxo de caixa normal de novo.

Como foi possível montar um time nesta situação?

Carlos Eduardo: Isso passou muito pela experiência do Antônio Lopes e do René Simões para atrair jogadores dentro do orçamento que estabelecemos. Foi criado um teto salarial e com isso dispensamos 19 jogadores que não ganhavam neste patamar. Outros três saíram ao conseguir liberação na Justiça. Cortamos com isso 50% da folha salarial. Foram contratados 15 jogadores em uma reformulação quase completa. Ficaram só Jefferson, Marcelo Mattos, Jobson e Airton.

A diretoria esperava obter resultados tão cedo?

Carlos Eduardo: Para nós, o primeiro semestre seria perdido. Nosso objetivo era só ficar entre os quatro classificados às semifinais porque entendemos que essa é a posição do Botafogo. Ano passado, ficamos em nono. Quando ganhamos a Taça Guanabara, foi uma alegria, e a classificação à final também. Foi bem mais cedo que esperávamos.

Para o clube é mais importante ganhar o Estadual ou volta à Série A do Brasileiro?

Carlos Eduardo: Indubitavelmente, a volta a Série A é mais importante. É uma questão de vida ou morte para o clube. Jogamos nossa existência neste retorno. Não quero nem pensar no processo que acontecerá se não voltar.

Fonte: Blog do Rodrigo Mattos - UOL