Yuri Mamute já foi a joia mais preciosa da base gremista. Ouvia-se maravilhas daquele garoto que estraçalhava os rivais da mesma idade. Tudo foi precoce na sua vida. Até a sentença definitiva de que ele não era tudo isso. O menino não estava pronto. Agora, parece estar.

Com 14 anos já despertava a cobiça europeia. Aos 16, subia para os profissionais sob a batuta de Renato Portaluppi. Há duas temporadas foi eleito o melhor jogador no Torneio de Toulon conquistado pela Seleção. Título que lhe rendeu o apelido de “Mamutelli” na imprensa italiana. E nada da tão esperada afirmação no grupo principal. “É um garoto de apenas 19 anos. É que se ouve falar dele há muito tempo”, destaca Jorge Machado, seu representante desde os 13 anos. O tamanho enganava. “Quando era mais novo, ele se sobressaía. Ele tinha corpo, mas não a maturidade para jogar entre os profissionais”, completa.

Com o passar do tempo, desde a sua primeira passagem pelo elenco principal em 2011, a convicção de que Mamute pudesse se tornar um grande jogador foi diminuindo. Assim como o interesse dos europeus. O destaque nas seleções de base atraía alguma atenção, mas, sem a sequência no clube, logo desaparecia. Os dirigentes gremista torciam fervorosamente pelo surgimento de alguma proposta.

Sempre que concede entrevistas, Yuri cita o nascimento de Joaquim, seu filho, em fevereiro, como fator determinante para a afirmação que enfim começa a ter. A passagem pelo Botafogo, no entanto, também foi muito importante para o amadurecimento. “Ele mesmo foi ansioso. Queria jogar. Foi para o Botafogo e a gente sabe que a experiência não foi boa”, salienta Machado. No Rio de Janeiro, embora estivesse também em uma equipe grande, conheceu outra realidade. A crise financeira assolava o clube. “Foi uma experiência de vida. As dificuldades financeiras do clube”, acrescenta o agente. Até hoje tem dinheiro a receber.

Após a vitória contra o Campinense, os elogios foram unânimes. “A bola fica presa com ele na frente. Ele é muito forte”, exaltou Ivo Wortmann. Já foram 385 minutos em sete jogos em 2015, mais da metade do que teve nas outras quatro temporadas somadas. Parece que finalmente chegou a sua hora.

Fonte: Correio do Povo