Após uma noite marcada pela invasão e depredação da sede de General Severiano, o Conselho Deliberativo do Botafogo aprovou a antecipação de cotas de televisão do ano que vem. O valor é de R$ 8 milhões. Este era o ponto mais polêmico da pauta, e a reunião extraordinária convocada na última sexta-feira precisou ser transferida do salão nobre para as quadras cobertas na parte de dentro da sede.

Apesar da ampla maioria do grupo de situação no Deliberativo, houve seis votos contra a antecipação de receitas. A oposição da política do clube reclamou do pouco tempo que teve de explanação no debate.

As críticas que vinham sendo feitas eram, entre outras, sobre o pouco tempo entre a convocação e a reunião, o que dificultaria a leitura dos pontos. Foram aprovados, portanto:

– A criação da vice-presidência de assuntos institucionais;
– A locação de dois imóveis do clube;
– A cessão de uma sala no Estádio Nilton Santos;
– A operação de crédito para a antecipação de receitas;
– A assinatura de um aditivo para a exibição de jogos pelas Organizações Globo.

Quando a reunião teve o ginásio como local de realização, os manifestantes foram se dissipando. Antes, porém, o que parecia ganhar forma como um protesto pacífico se transformou em invasão do salão nobre e depredação. Portas, cadeiras e vidros foram danificados.

A manifestação “Ocupa General” ganhou força nos últimos dias, nas redes sociais, como uma cobrança de maior transparência. Durante o início do ato, na porta do clube, torcedores comuns, organizados, sócios e personagens da política alvinegra se manifestaram ao microfone.

Contudo, após cinco bombas, ovos, pedras e latas de cervejas foram arremessados do lado de fora da sede para o jardim. Em seguida, a maioria dos cerca de 100 presentes pulou o muro e a segurança contratada não teve o que fazer. A Polícia Militar também não agiu a tempo de evitar a invasão.

Neste momento, alguns dirigentes como o presidente do clube, Nelson Mufarrej, se recolheram. Um dos mais antigos personagens da política do botafoguense, o presidente do Deliberativo, Jorge Aurélio Domingues, precisou de ajuda para ser retirado, após muita pressão dos invasores.

Especialmente os dirigentes mais conhecidos, como o presidente, o vice-presidente, Carlos Eduardo Pereira, e o vice-presidente de Estádios, Anderson Simões, foram bastante criticados durante a manifestação.

Fonte: Terra