Alessandro Leite prioriza reestruturação financeira e crê em Botafogo S/A no primeiro semestre de 2021

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Por FogãoNET

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Eleição no Botafogo 2020: Alessandro Leite e Jorge Magdaleno em General Severiano
Divulgação

O Botafogo elegerá, na próxima terça-feira (24), seu novo presidente por meio de eleições em sua sede, com a participação de membros do quadro social do clube.

O candidato eleito presidirá o clube no próximo quadriênio: entre 1° de janeiro de 2021 e 31 de dezembro de 2024. Dando sequência a série de entrevistas com os candidatos, o ESPN.com.br falou com Alessandro Leite, advogado que representa a chapa Todos pelo Botafogo.

Em entrevista coletiva online, Carlos Augusto Montenegro anunciou o seu afastamento do clube. Como você enxerga os próximos anos sem a presença de alguém tão influente como ele?

“Obviamente a gente não pode esquecer que o Montenegro é um botafoguense ilustre, apaixonado, que não mede esforços para ajudar o clube quando é solicitado. Mas o Botafogo não pode depender de uma, duas, ou três pessoas. Eu acredito que esse afastamento seja um pouco voltado para a administração do clube, mas tenho certeza que é alguém que se o clube precisar do apoio em algum momento, ele não irá virar as costas. Já provou isso em diversas oportunidades. Mas torno a dizer, não podemos ficar na dependência. O Botafogo é muito grande para isso e precisa ser mais independente de algumas pessoas influentes, ou que possa trazer alguns alívios nos momentos de maior tensão”.

O Botafogo vive um momento muito complicado financeiramente, sem fluxo de caixa, com uma dívida de quase 1 bilhão de reais e sem perspectivas. Como anda o projeto da S.A? Caso ele não saia, você pretende tocar um plano B? Qual seria?

“A nossa meta em relação a S/A é que no primeiro semestre de 2021 já tenhamos conseguido implantar esse projeto. É muito importante para o clube, todo mundo sabe disso. Qualquer coisa diferente seria mera ilusão. Acompanhamos de perto o projeto que vinha sendo tocado pelo Laércio Paiva e agora ele não terminou, apenas está paralisado. Existe um outro projeto que já vinha sendo tocado paralelamente, mas que ele deu uma sequência mesmo com a paralisação do projeto tocado pelo Laércio. O segundo projeto é tocado pelo Gustavo (Magalhães), mas desse eu não tenho conhecimento de detalhes. Não posso dizer aqui se é melhor ou pior. Eu sei que ele vem sendo tocado, as informações que tenho são as melhores possíveis, e continuamos acreditando que a S/A irá surgir. É uma questão de tempo, esse momento político não ajuda muito, é um momento de transição no clube, isso talvez tenha sido um dos motivos para que esses processos estejam caminhando de uma forma mais lenta, mas acredito que depois das eleições eles voltem a ser tocados a pleno vapor e antes do primeiro semestre de 2021 já tenhamos concluído isso”.

No ano passado, o Botafogo prorrogou a concessão do Estádio Nilton Santos até 2031. Quais são os planos para rentabilizar o estádio?

“O Estádio Nilton Santos, realmente, em determinado tempo ficou muito complicado de gerir. Desde aquele fechamento que foi determinado pela Prefeitura, mas depois ficamos sabendo que não eram obras tão emergenciais. Houve um prejuízo, obviamente, tanto que esse contrato acabou sendo prorrogado. Mas para a próxima gestão, a nossa ideia é de que possamos atacar mais a questão dos Naming Rights. Com as mudanças de algumas normas isso foi um pouco facilitado, além de, obviamente, num paralelo, procurar utilizar melhor o espaço do estádio para eventos e locações, algo que acabou também sendo interrompido desde o início desse ano em razão da pandemia. Algo que já poderia estar sendo focado durante esse ano e acabou que o Botafogo não pôde implantar isso e causou uma dificuldade. Mas acredito que no próximo ano as coisas já estejam voltando à normalidade e, obviamente, o espaço do Estádio Nilton Santos ele vai ser melhor explorado, trazendo mais uma fonte de receitas para o Botafogo”.

Pretende fazer alguma obra de infraestrutura para o clube em sua gestão?

“O Botafogo precisa viabilizar, o mais rápido possível, a conclusão das obras do CT de Vargem Grande. A partir do momento que aquele espaço estiver funcionando normalmente, o Botafogo dará um salto de qualidade muito grande. Tanto com relação a base, e também relacionado ao futebol profissional. É um espaço maravilhoso, temos condições de ter ali um centro de treinamento integrado, que vai facilitar o “link” entre a base e o profissional, e a estrutura que pode ser colocada ali dentro é um facilitador enorme. Pensamos em fazer uma aproximação com os irmãos Moreira Salles que emprestaram os valores necessários para a aquisição do terreno e o início das obras, sabemos que existem pendências, acertos que precisam ser feitos, e também para a conclusão dessas obras precisa de um aporte financeiro, mas entendemos que isso pode ser equalizado para que durante o próximo ano consigamos chegar à conclusão das obras do CT e dar início aos trabalhos naquele local”.

Caso eleito presidente do Botafogo, qual a primeira ação que você tomaria?

“O Botafogo, como qualquer outro clube, ele tem diversos pontos em que precisam ser melhorados. Eu vejo que nesse sentido, até para que possamos trazer o aporte financeiro necessário para a sobrevivência do clube, acho que isso passa muito por uma gestão mais focada, muito mais acompanhada e profissionalizada na área de marketing e comercial do clube. Acho que é fundamental que essas áreas sejam vistas como investimento, não como despesa. Um investimento que pode ter retorno a curtíssimo prazo. Se fosse fizer um trabalho bem feito, eu vejo como uma possibilidade grande da gente monetizar o Botafogo de uma forma rápida e diferente. É fundamental. Seria o primeiro passado a modificar o que vem sendo feito até então”.

Como você avalia os movimentos que o clube teve no mercado de transferências neste ano, principalmente com as chegadas de Kalou e Honda?

“No aspecto de marketing, ter jogadores consagrados, com grande visibilidade no futebol mundial, a resposta é positiva. Se eu puder colocar alguma crítica, se é que podemos falar dessa maneira, eu acho que talvez essas contratações tenham ocorrido num momento não tão bom. Elas foram feitas e nem mesmo o Honda, que chegou antes, pôde participar de jogos com a presença de torcida. O evento que ele participou com a torcida foi a apresentação dele. Primeiro jogo foi contra o Bangu, pelo Carioca, já com portas fechadas pelo início da pandemia. O último jogo antes da paralisação do estadual. Depois o atleta não teve mais algum contato com a torcida. E eu vejo essa interação do atleta com a torcida como fundamental, até para que crie uma identidade maior. Foram contratações válidas no aspecto do marketing, mas essas duas, especificamente, talvez tenham ocorrido num momento que não nos foi favorável, justamente por conta da pandemia. E o retorno não foi esperado, poderia ter sido muito maior. Sabemos que houve crescimento em sócios-torcedores, o clube aparece na mídia, mas a falta do torcedor no estádio não pode ser descartada em hipótese alguma”.

Se for eleito, pretende fazer o mesmo tipo de movimentação no mercado?

“Tudo passa por um setor de inteligência que tem que ser aprimorado no Botafogo. Temos essa visão não só em relação aos atletas de renome, mas também com atletas que poderiam compôr elenco. Sabemos que dentro e fora do Brasil temos inúmeros atletas muito talentos, que cairiam muito bem elencos de grandes clubes, com valores acessíveis, mas que não tem essa badalação e projeção que outros atletas conseguem ter. Se a gente conseguir adequar um time com algumas peças chaves que possam trazer esse marketing positivo, com atletas que a gente possa buscar no mercado para compor esse elenco, seria o ideal. Mas tudo isso passa por um processo de austeridade financeira muito grande. Tenho dito ultimamente que o Botafogo precisa ter as suas receitas equilibradas com as despesas. Não cabe mais fechar um mês no vermelho, não temos mais condições para isso. Tudo que for feito dentro do Botafogo tem que ser de uma forma meticulosa, para que não se corra o risco de qualquer prejuízo. Na pior das hipóteses, aquilo tem que estar empatado. Terminar o mês equilibrando receita e despesa. Não pode ser diferente disso”.

A pandemia é uma realidade no mundo inteiro e tem afetado o futebol como um todo. Como você pensa em buscar novas formas de ganho financeiro com esse cenário atual?

“Como eu já adiantei aqui, nós temos alguns projetos e propostas em andamento para trazer naming rights ao clube. Não podemos esquecer que a área comercial precisa ser mais fortalecida, a marca Botafogo precisa ser mais bem cuidada, fechando bons patrocínios. E a criação de um setor de captação. Esse setor teria como missão não apenas a busca de empresas para patrocinar o clube, mas também de atacar com muito mais força os projetos incentivados. Nós sabemos que esses projetos, que já tivemos como exemplo no Botafogo há pouco tempo, através de um projeto incentivado que o Botafogo consegui montar um elenco vitorioso no basquete e ganhamos uma Sul-Americana de basquete. Por que não ampliar isso? Por que não levar esses projetos não só para os esportes gerais, mas também para a nossa base, para a cultura. Acho que atacando bem essas áreas, a gente consegue dar uma roupagem nova para o Botafogo e também ajuda na parte financeira”.

Como seria, na sua presidência, a gestão de outros esportes e do futebol feminino do Botafogo?

“Tudo passa por uma responsabilidade financeira muito grande. Não é um discurso agradável. Não é um discurso de político que quer porque quer ganhar uma eleição, mas temos que ter essa responsabilidade. Teremos time de basquete? Teremos, mas com responsabilidade. Primeiro, nós temos que buscar no mercado os recursos para montar o elenco, para depois buscar esses jogadores. Se tivermos os recursos para um elenco forte, capaz de brigar por grande títulos, faremos. Mas se os recursos forem reduzidos, mais modestos, também iremos participar, mas contado com uma criatividade maior, um esforço maior, buscando atletas não renomados, que estão surgindo no mercado, mas com qualidade. Tenho certeza que eles também podem honrar a camisa do Botafogo e até nos surpreender com resultados muito positivos. Isso também no vôlei, remo, pólo… todos os esportes. Eu acho importante que o Botafogo participe mesmo. Apesar do carro chefe ser o futebol, a maioria dos torcedores são por conta do futebol, mas não podemos esquecer que esses esportes ajudam a levar o nome do clube para o mundo inteiro. E isso fortalece a marca. Estar em evidência positivamente, só traz retornos positivos”.

O Botafogo não vence um título de expressão há 25 anos. Na sua gestão a fila vai acabar ou serão 3 anos com outras prioridades, como a reestruturação financeira?

“A prioridade é a reestruturação financeira. Isso é o carro-chefe da campanha. Mas o Botafogo deve sempre brigar por títulos. O Botafogo não pode entrar numa competição achando que vai brigar entre o 10º e o 15º lugar, ou brigando para não cair. Quando você entra em um Campeonato Brasileiro achando que quer conquistar uma vaga para a Sul-Americana, no meu modo de ver, a sua possibilidade de ter um resultado pífio aumenta de forma avassaladora. Então, eu acho que a mentalidade deve ser vencedora sempre. Independente do elenco. Nós saímos de um jejum de 21 anos, em 89, com um time que não era favorito. Ganhamos o Brasileirão em 1995 com um elenco que também não era favorito. Foram elencos bem montados, que deram certo, com jogadores que se entregaram e tinham uma mentalidade vencedora. O primeiro ponto é implantar essa mentalidade vencedora e, paralelamente com esse rigor financeiro, trazer uma tranquilidade para que os atletas não passem por dificuldade e possam se concentrar na busca do título, independente dele ser considerado o melhor elenco daquele campeonato. Isso não é garantia de título. Quem acompanha o futebol sabe que fazer inúmeras contratações de jogadores galáticos não garante títulos. Já cansamos de ver esse tipo de exemplo em vários clubes, logo, não podemos repetir isso aqui, achando que teríamos a certeza de que daria certo”

Fonte: ESPN Brasil

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