São mais de quarenta anos trabalhando no futebol, em diversas funções, e o que não falta é história e experiência para Antônio Lopes. Atual diretor de futebol do Botafogo, o delegado teve carreira vitoriosa como treinador e sente que já contribuiu o bastante na área técnica – até por isso, apesar das boas lembranças, não tem vontade de voltar a ser treinador.

Mas deixar o futebol nem passa pela cabeça do homem que já foi preparador físico, auxiliar, treinador e desde 2013 voltou a exercer a de diretor técnico. Em conversa exclusiva com a Goal Brasil, Lopes falou sobre a expectativa para o 2016 do Botafogo, as comparações envolvendo Messi e Pelé, além de explicar o que mudou da Seleção Brasileira de 2002 até a Copa do Mundo de 2014.

Como você vê as mudanças na montagem do elenco de 2015 para 2016?

“O Botafogo fez um bom trabalho em 2015. Os resultados que o clube teve no ano passado mostram que a diretoria, mais especificamente o presidente (Carlos Eduardo Pereira) e a comissão técnica fizeram um bom trabalho no ano passado.

Agora é lógico que nesse ano (2016) a história é outra. O Botafogo está se preparando, montando um bom elenco para dar ao Ricardo (Gomes, treinador) as condições de fazer uma boa temporada, para que a nossa torcida fique satisfeita também. Nós fizemos uma primeira fase excepcional no campeonato do Rio de Janeiro, tivemos a melhor campanha, ouvi até falar que até agora é a melhor campanha de um clube brasileiro neste ano”.

Quais são os objetivos do clube para a temporada?

“Fazer um grande campeonato estadual, tentar disputar mais uma vez o título; fazer uma grande Copa do Brasil e, se possível, buscar o título também e no Campeonato Brasileiro ficar disputando as primeiras colocações. Esses são os nossos objetivos. Se vai acontecer eu não sei, mas o Botafogo está se preparando adequadamente para isso. Disputar o título do estadual, fazer uma boa Copa do Brasil e um bom Campeonato Brasileiro.

Você não pode afirmar se o seu time vai ser campeão, vai fazer uma grande temporada. Isso aí não existe no futebol. Agora, o que a gente tem programado, trabalhado é para o Botafogo fazer um grande ano em 2016”

Na sua opinião, estadual ainda é parâmetro para o restante da temporada?

“Acho que nenhum campeonato estadual do Brasil pode servir de parâmetro para o Campeonato Brasileiro. Nunca serviu de parâmetro, e não vai ser agora. Não só no Rio de Janeiro, como no Brasil inteiro”.

O Botafogo tem dificuldades financeiras, mas a torcida pede reforços. Como fazer para aumentar a chance de sucesso em uma contratação?

“É um trabalho de equipe que o Botafogo desempenha. Os jogadores são bastante analisados, bastante monitorados. A gente tem uma equipe de trabalho que exerce essa situação de escolher bem o jogador que a gente quer. É lógico que a gente leva em consideração tudo para poder contratar o jogador: parte técnica, perfil que ele tem e que a gente quer. É um trabalho de equipe, que já foi feito no ano passado, e vem sendo feito agora também.

Além de um atacante, o Botafogo busca reforços para outras posições?

“Sempre. O Botafogo, como time grande, está sempre aberto a contratações, desde que agradem ao grupo de trabalho que a gente tem. Qualquer jogador, desde que seja bom, que seja de boa qualidade, interessa sempre ao Botafogo, e o Botafogo está sempre aberto. Independentemente da posição”.

Quando o Brasil foi campeão mundial em 2002, você era diretor técnico. O que mudou de lá até o 7 a 1 para a Alemanha, em 2014?

“A gente tinha, em 2002: Ronaldo Nazário, Ronaldinho Gaúcho, Rivaldo, Roberto Carlos, Cafu… todos jogadores que tinham participado de Copas anteriores e desequilibravam. Hoje tem poucos jogadores com experiência de Copa do Mundo, e poucos jogadores que desequilibram.

Para você ganhar uma Copa do Mundo, você precisa ter vários jogadores que desequilibram, que possam resolver um problema. E nessa Copa do Mundo a gente só tinha o Neymar para desequilibrar, o resto não desequilibrava. Enquanto o Brasil tiver formando Seleção Brasileira com um jogador, só, que desequilibra, não vai ganhar nunca mais uma Copa do Mundo”.

Recentemente, o Brito (zagueiro campeão mundial com o Brasil em 1970), disse que o Messi estava no mesmo nível que o Pelé. Você concorda?

“Eu acho que não. Acho que para aparecer outro jogador igual ao Pelé vai ser difícil. Igual ao Pelé não se encontra de maneira nenhuma. É lógico, respeito a opinião do Brito, que jogou e foi campeão do mundo em 1970 com o Pelé. Mas acho que não chegou e não vai chegar nunca.

O Messi não vai ser, nunca, um jogador igual ao Pelé. Não vai chegar nunca no Pelé. Por quê? O Messi tem a perna direita, mas não usa praticamente a perna direita. Ele não sabe driblar com a perna direita, dribla muito bem com a perna esquerda. Ele não sabe cabecear, a conclusão dele de cabeça é muito fraca. São essas as diferenças na qualidade técnica. O Pelé era completo.

Acho que o Messi pode chegar aí a jogadores excepcionais que o teve o Brasil, coo o Zico, o Sócrates, que foi um tremendo jogador…”

Mas você acha que ele é o melhor jogador do mundo atualmente?

“Hoje ele é o melhor do mundo, para mim”.

Fonte: Goal.com