A Copa São Paulo de Futebol Júnior, em janeiro, foi frustrante para o Botafogo, eliminado na segunda fase da competição. Mas, para Ribamar, de 18 anos, serviu como passaporte para a grande chance da carreira. Menos de dois meses depois da promoção ao elenco profissional, tornou-se titular do time de Ricardo Gomes e teve seu contrato renovado até 2018.

O novo (e turbinado) salário ainda não caiu na conta, mas o menino garante que a mãe vai decidir o destino do dinheiro. É com Fátima, funcionária de um supermercado, e um irmão de 25 anos, desempregado, que Ribamar mora na Cidade de Deus.

— Pretendo dar um lugar melhor para a minha mãe viver. É o sonho dela — conta o jovem: — Todo mundo sabe como é lá na comunidade… Meio tenso.

Carinhosa, mas exigente, como define o alvinegro, Fátima é a principal incentivadora do filho. Sempre que pode, faz questão de assistir aos jogos da arquibancada. O pai, de quem herdou o nome, é compositor de sambas e também mora na Cidade de Deus. Mas os contatos se restringem a encontros eventuais.

Tímido, o atacante ainda tenta se acostumar com a abordagem de torcedores, que já o param na rua para tirar fotos. O assédio feminino veio a reboque em um momento de solteirice:

— Agora eu apareço na televisão, né? — justifica, admitindo ser vaidoso: — Gosto de cortar o cabelo, passar creme e andar perfumado. Tem que estar bonito.

Mas Ribamar prefere curtir o momento em casa. Avesso a noitadas, usa o tempo livre para jogar videogame com amigos. É também uma forma de driblar os adversários da região onde mora:

— Já me ofereceram droga e bebida, mas nunca tive interesse. Prefiro ficar em casa.

Ribamar sabe que precisa se livrar das más influências para viver seu sonho de menino. O jogador deu os primeiros passes em uma escolinha de futsal perto de casa. Depois, passou pelas quadras do Vasco e do Grajaú, até ser aprovado em uma peneira do Botafogo, quando tinha 13 anos.

Novo demais para ter acompanhado a grande fase de Ronaldo, foi graças à internet que Ribamar se encantou com o ex-craque da seleção e do Barcelona. Se a descoberta foi virtual, a idolatria é real. Embora sonhe com uma carreira internacional como a do Fenômeno, o alvinegro quer antes ser campeão pelo Botafogo:

— Só com trabalho conseguiremos coisas boas. O caminho é longo.

A caminhada continua neste domingo, diante de um adversário especial para Ribamar: foi no Fluminense que o menino fez, em fevereiro, seu primeiro gol nos profissionais.

Fonte: Extra Online