Alisson seguirá os passos de Paulo Roberto Falcão e, assim como o ídolo colorado, fará carreira na Roma. O goleiro do Inter e da Seleção Brasileira está de malas prontas para jogar na capital italiana. O Inter se viu obrigado a vendê-lo para evitar que o camisa 22 saia de graça. Com vínculo somente até 9 de novembro de 2016, e com chances remotas de renovação, o jogador poderá firmar pré-contrato com qualquer outro clube a partir de 9 de maio.

Dono de 50% dos direitos econômicos de Alisson – o restante pertence ao empresário do goleiro, Zé Maria, que detém 40% dos direitos, e ao próprio Alisson, que possui os demais 10% –, o Inter deverá receber 5 milhões de euros (R$ 21,1 milhões) pela venda do titular da Seleção Brasileira. O Beira-Rio tem uma proposta superior à da Roma por Alisson: 7 milhões de euros (R$ 29,6 milhões). Trata-se da Juventus – que conta com investimentos do Grupo Doyen, o mesmo que adquiriu Leandro Damião ao Inter, em 2013. Mas o goleiro deseja atuar pela Roma.

Ainda que a venda seja concretizada agora, Alisson se apresentaria ao seu novo clube somente após o Gauchão. Tudo porque a nova legislação do futebol italiano permite apenas três extracomunitários em cada time por temporada. Roma e Juventus preencheram todas as suas vagas na janela de julho. Terão de esperar as férias de verão na Europa para realizar novas aquisições. Ou seja, só poderão apresentar um estrangeiro a partir de agosto. A Roma conta com o goleiro polonês Szczesny, emprestado pelo Arsenal, e, na reserva, com o italiano De Sanctis, que completará 39 anos em março.

– O Inter não quer fazer do Alisson o seu Ronaldinho – disparou uma fonte com acesso às negociações, se referindo ao esforço feito pelo Grêmio, a partir de 2001, a fim de obter algum ressarcimento junto ao PSG pela saída de seu camisa 10.

Pesou na decisão de Alisson o fato de o Inter ter oferecido um contrato considerado baixo para os padrões de um jogador de Seleção (R$ 120 mil). O goleiro recebe atualmente R$ 50 mil mensais, um salário inferior ao que ganha a maioria dos titulares colorados. Além disso, profissionais que tiveram uma trajetória de sucesso na Itália, como Taffarel (atuou no Parma), Dida (defendeu o Milan) e Juan (que foi ídolo da Roma), incentivaram o goleiro de 23 anos a aceitar ao chamado italiano.

Nos bastidores, o que se conta é que a relação entre a direção e o empresário de Alisson azedou. Prevendo que o goleiro faria carreira também na Seleção Brasileira – Felipão já havia revelado que só não o convocou para a Copa de 2014 porque ele não estava jogando no clube –, o Inter tentou encaminhar a ampliação de seu vínculo. Ouviu de Zé Maria que por 2,5 milhões de euros (R$ 10,7 milhões) o empresário venderia sua parte nos direitos de Alisson ao Inter.

– No fim de fevereiro, o Carlos Pellegrini (vice de futebol) tentou começar a renovação com o Alisson. São quase 300 dias de tentativas. Não se pode dizer que o Inter não tentou (a renovação). O empresário do jogador, que tem 50% dos direitos, definiu que queria na renovação ou, na venda, receber os 40% dele. E colocou um valor proibitivo para o futebol brasileiro – disse Piffero. – A dificuldade imposta pelo empresário impossibilitou a renovação. Ainda que o jogador afirme que jamais sairá do Inter sem deixar uma retribuição financeira ao clube. Essa é a verdade. Isso conduz a uma negociação. Se ocorrer a negociação, será a de venda. Com o jogador ficando aqui mais um tempo. Não tem como comprar os 40% do jogador pelo que o empresário quer. Se fechar a negociação com o Alisson, fecha este ano – completou o presidente do Inter.

De acordo com pessoas ligadas ao goleiro, os números apresentados jamais encantaram o jogador a ponto de fechar a negociação. Alisson, então, teria escutado a seguinte advertência (que abriu as portas para a sua decisão final sobre jogar em 2016 na Europa) por meio dos gabinetes do Beira-Rio:

– Lembra o que aconteceu com o Pato? Ficou na geladeira até renovar o contrato (em 2006). Podemos te colocar para treinar em Alvorada (com a base) o ano todo.

O caminho de Alisson rumo à Itália ainda foi pavimentado com o seu casamento com Natália Loewe. Oficializando a relação, se torna mais simples o ingresso da família na Europa. Ao finalizar a temporada em alta, como titular do Inter e da Seleção Brasileira, Alisson aproveita para descansar. Passa as férias em Punta Cana, na República Dominicana, enquanto o seu futuro italiano poderá ser definido até as festas de fim de ano. Após o Campeonato Gaúcho, o goleiro do Inter deverá se mudar de Porto Alegre para Roma.

Fonte: Zero Hora