Na manhã de 13 de julho, Bolatti recebeu um telefonema. Do outro lado da linha, seu empresário avisava que tinha conseguido um único ingresso para a final da Copa do Mundo. Naquela tarde, no Maracanã, o volante do Botafogo era mais um “hincha”, como os argentinos chamam seus torcedores. Na arquibancada, perto da concentração de torcedores alemães e atrás da trave em que “Higuaín marcou aquele gol anulado”, como lembra o volante, viu a seleção de seu país perder para a Alemanha por 1 a 0. Exatamente duas semanas depois, Bolatti voltará ao estádio em outra versão: como jogador e com o uniforme do Botafogo.

Se naquela tarde ficou espantado com uma briga entre torcedores brasileiros e argentinos, dessa vez a expectativa do jogador é que as cenas de violência não se repitam O que aconteceu dentro de campo, no entanto, pode ser um norte para os alvinegros. Atleta com desenvoltura para comentar o jogo, mesmo tendo que driblar a dificuldade no idioma, Bolatti falou nesta quarta-feira sobre as características do Mundial.

— Foi uma Copa excelente e especial por ser jogada no Brasil, diante da torcida sul-americana. Foram grandes jogos, e tive oportunidade de ver muitos deles. Foi um futebol impressionante, com ritmo alto, muitos gols e variações de esquema tático — elogiou. — A maioria das seleções tentou ir para cima, com muita movimentação no ataque.

Neste domingo, com a camisa do Botafogo, ele tentará repetir o gol marcado no último sábado, quando garantiu a magra vitória sobre o Coritiba, em uma noite de futebol pouco inspirado do alvinegro. Tentará repetir também o gol que marcou contra o Uruguai nas Eliminatórias, em 2009, quando confirmou a classificação argentina para a Copa do ano seguinte. Naquela noite, o então técnico argentino Maradona desabafou contra a imprensa. O reconhecimento para Bolatti foi a convocação para a seleção que foi para a África do Sul, quando atuou em duas partidas. Dessa vez, mesmo sem chances com o técnico Alejandro Sabella, não abandonou a seleção de seu país.

— A maioria das pessoas sabia que a Alemanha era o melhor time, que jogava melhor. Contra a Argentina, que foi melhorando durante a Copa, encontraram um sistema defensivo bom, fechado e que, quando tinha oportunidade, matava o jogo. A final foi o melhor jogo da Argentina na Copa, com muitas possibilidades de vencer e as melhores chances de gol, mas a Alemanha marcou e definiu o jogo — lamentou Bolatti, que tem seu dia de “hincha” apenas na memória. — A bateria do meu celular acabou naquele dia, e não tenho nenhuma foto do jogo. Só os torcedores argentinos e do Botafogo que tiraram fotos comigo têm.

DEFINIÇÕES NO MEIO-CAMPO

Contra o Flamengo, Bolatti não estará sozinho no Maracanã, mas o técnico Vágner Mancini não definiu ainda quem serão seus dez companheiros. Nesta quarta-feira, em treino de ataque contra a defesa, ele armou a retaguarda com Edílson na lateral-direita. Contra o Coritiba, o jogador estava suspenso, e Lucas atuou no setor. Bolívar, Dória e Júlio César completaram o sistema defensivo. O último entra na vaga do titular Júnior César, suspenso.

Com uma luxação no cotovelo esquerdo, Aírton foi poupado do treino desta quarta-feira, mas está liberado pelo departamento médico para o clássico e deve ser titular. Gabriel corre por fora. Certa é a volta de Emerson, que, suspenso, não enfrentou o Coritiba. Quem também está liberado para atuar é o meia Carlos Alberto. Com dores musculares, ele foi poupado do jogo em Volta Redonda no último sábado. Para Bolatti, o meia pode ajudar o Botafogo a reter a posse de bola no clássico.

— É importante um jogador como o Carlos Alberto, que é diferente, pede a bola e faz o time jogar, mas isso (sua escalação) vai depender do treinador — ressaltou o argentino, que falou também sobre a volta de Emerson ao ataque. — Tem muita experiência e pode nos dar tranquilidade. No sábado, não fizemos um grande jogo, mas, com a qualidade que temos, sabemos que podemos ir um pouco melhor.

Fonte: O Globo Online