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Bangu x Botafogo resgata a figura de Emil Pinheiro, o ‘Castor de Andrade alvinegro’

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Emil Pinheiro mudou o Botafogo (Foto: Reprodução Youtube)
Reprodução

Desde o lançamento do documentário “Doutor Castor” (Globoplay), as histórias em torno do bicheiro Castor de Andrade e de como ele quase fez o Bangu ser campeão brasileiro voltaram às rodas de conversa. O duelo deste sábado contra o Botafogo, às 21h05, no Nilton Santos, joga luz para outro momento em que futebol e contravenção se encontraram: a passagem de Emil Pinheiro pelo clube alvinegro.

Os dois tinham mais diferenças do que semelhanças. A começar na própria contravenção. Emil, dono de pontos na região da Barra da Tijuca, era considerado um bicheiro do segundo escalão. O oposto de Castor, todo-poderoso deste submundo.

A história de Emil com o Botafogo começa em 1986. De membro da diretoria ele chega à presidência em 1991. Ao contrário do bangüense, de personalidade expansiva e, algumas vezes, explosiva, o cartola alvinegro era mais contido.

— O Castor gostava de brincar, de posar para foto, de dar entrevistas. Seu Emil era mais fechado. Conversava mais com os jogadores. Se tinha jogo no domingo, passava o sábado à noite na concentração. Contava suas histórias. Era uma pessoa muito tranquila — compara o ex-zagueiro Mauro Galvão, que atuou tanto no Bangu de Castor quanto no Botafogo de Emil.

Mas ele também teve seu lado folclórico. A maior marca disso era o orgulho pela prótese peniana, solução para disfunção erétil em tempos pré-viagra. Dentro do clube, vangloriava-se com os jogadores. Fora dele, o tipo de calça que usava não permitia disfarçar — algo que estava longe de ser sua intenção.

Os episódios de invasão de campo para coagir árbitros — que ajudaram a compor a imagem de Castor — não fizeram parte do histórico de Emil. O que não quer dizer que não comentassem, na época, que ele comprava a arbitragem, algo nunca comprovado.

— Ele comentava que ninguém mais ia fazer covardia com o Botafogo. Dizia que queria que vencêssemos dentro de campo e que iria evitar que fizessem sacanagem conosco. E, de fato, você vê que fomos campeões invictos. Não teve nenhuma ação contra a gente. Agora, se ele fez alguma coisa para conseguir isso eu não sei — conta Maurício, autor do gol do título carioca de 1989, que encerrou o jejum de 21 anos sem conquistas.

Sua principal semelhança com Castor era, claro, a disposição para injetar dinheiro no time. De acordo com reportagens da época, investiu 2 milhões de dólares em contratações só nos três primeiros anos. Sem contar os presentes aos jogadores.

— Era como um pai — lembra Maurício. — Quando voltei de empréstimo, meu contrato estava vencendo. Assinei um novo em branco. Disse que confiava nele. Ele falou: “Se você for campeão vai ganhar coisas que nem imagina”. Fomos campeões e ele me deu apartamentos, carros… Não só para mim. A maioria dos jogadores ganhou um imóvel.

Após saída, crise se aprofunda

Até 1988, Emil gastara muito com contratações equivocadas. A partir de 1989, começou a apurar o faro. Não à toa, o time foi bicampeão carioca (1989-1990) e vice brasileiro (1992). A perda do título nacional para o Flamengo o fez deixar a vida política do clube no mesmo ano, antes do fim do mandato.

— Ele ficou muito decepcionado com aquela derrota. Achou que os jogadores fizeram corpo mole — conta Auriel de Almeida, escritor e pesquisador desportivo.

O bicheiro não só dispensou jogadores como acusou quase todos os vice-presidentes de não se doarem ao Botafogo igual a ele. Uma de suas principais queixas era o fato de que não via outros dirigentes ajudarem o clube financeiramente.

A crítica é simbólica. Afinal, a crise financeira que já existia antes da chegada de Emil voltou a dar as caras após sua saída. Em campo, o time sentiu o baque imediatamente. No Brasileiro de 1993, fez aquela que até hoje é sua pior campanha na história. Embora tenha tido pontuação para isso, só não foi rebaixado por particularidades do regulamento daquela edição.

O bicheiro abandonou a presidência entristecido, encerrando uma relação que desde o princípio foi emotiva. Se Castor usou o Bangu para lapidar sua própria imagem, Emil, que morreu em 2001, vítima do Mal de Parkinson, se aproximou do Botafogo para pagar a promessa feita ao filho, torcedor fanático morto num acidente, de que faria o Botafogo voltar a viver dias de glória. E cumpriu.

— O amor dele pelo Botafogo passa muito por essa história do filho — explica Auriel. — Já o amor do Castor pelo Bangu na verdade era o amor dele por ele próprio.

Fonte: O Globo Online

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