O duelo diante do Corinthians será um reencontro para Eduardo Barroca. Antes de assumir profissionalmente o Botafogo, o treinador comandou a equipe sub-20 do Timão. No próximo sábado, ele reencontrará o ex-time pela primeira vez. Nesta sexta-feira, em entrevista coletiva realizada no Estádio Nilton Santos, o treinador falou sobre essa relação.

– Sou muito grato ao Corinthians pela forma que fui tratado, trabalhei lá duas vezes, em 2010 e agora. É um lugar que tenho respeito. Essa última passagem foi importante para minha vida profissional. Tenho grandes amigos, jogadores que passaram pela minha mão, tenho gratidão ao presidente, o Andrés Sanchez – afirmou.

O treino da última quinta-feira ficou marcado por uma longa conversa entre Eduardo Barroca e Diego Souza, no próprio campo anexo. O treinador afirmou que sua relação com os jogadores é aberta e conversas nesse estilo são comuns com todos os outros integrantes do elenco, não só o camisa 7. De uma forma muito natural, o comandante comentou sobre o tratamento com os atletas.

– A porrada estanca todo dia. Com ele e com outros. É um cara vencedor, a carreira dele e o peso que tem… É um cara que gosta de vencer, gosta de discutir pequenos pontos. Particularmente eu adoro isso. O jogador se sente seguro de vir até mim e a gente debate. Estou sempre aberto. Se ele me convencer, eu faço. Eu também tento convencer. Isso me agrada muito como treinador. Fazemos bastante isso com todos os jogadores, até com os mais jovens. Minha relação com os atletas é sempre assim, sem barreiras. Temos o objetivo de vencer e eles que estão jogando. Por isso, minha ideia é colocar uma função que eles sempre vão acreditar. Isso aconteceu no campo, mas é algo quase diário. Mostra que o jogador está envolvido com o trabalho. Quando o jogador fala o que pensa, é um indicativo que ele está completamente envolvido. O Diego é um cara que sai p… quando perde, é a forma dele – comentou.

O Botafogo tem a chance de aparecer pela primeira vez no G6 neste Campeonato Brasileiro. Atualmente com 22 pontos conquistados, o Glorioso ultrapassa o Corinthians, com 24, em caso de um resultado positivo. Como o Timão é o sexto colocado na classificação, a equipe de Eduardo Barroca alcançaria o pelotão da Libertadores. O treinador afirmou que é possível confiar na vitória fora de casa.

– O torcedor tem que confiar pela forma que os jogadores estão se dedicando desde a minha chegada. Mesmo no momento de dificuldades se entregam em sua plenitude, o torcedor se identifica com isso. A possibilidade de três vitórias dá uma confiança muito grande. Estamos trabalhando o segundo ciclo com a posição clara de igualar a pontuação do primeiro. Ainda temos cinco jogos, a gente sabe da dificuldade de conquistar mais oito pontos, é uma meta audaciosa. Tenho conseguido manter uma base clara da nossa equipe, mas teremos ausências agora. Não sou de lamentar isso, confio em todos – afirmou.

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O Botafogo terá alguns desfalques para a partida. Alex Santana, Alan Santos e Carli, por diferentes lesões, Jean, por pertencer ao Corinthians e não poder jogar por força de contrato, e João Paulo, suspenso, não viajarão para São Paulo. Apesar disto, Barroca não lamenta os desfalques.

– Não lamento a ausência deles, eu valorizo o jogador que vai entrar em campo. Jogar contra o Corinthians é sempre difícil. Eles são fortes no seu estádio, estão há muito tempo sem perder lá. Teremos que fazer um jogo beirando a perfeição. É uma equipe organizada, tem grande treinador e bons jogadores. Mas eles também vão enfrentar um Botafogo que vive um bom momento – analisou.

CONFIRA OUTROS TRECHOS DA ENTREVISTA DE EDUARDO BARROCA:

​João Paulo
– Desde que cheguei ele só não participou de um bom jogo. É um cara que sabe aquilo que eu quero, é importante para a equipe. O jogador que substituir o João Paulo precisa manter o padrão de qualidade que ele vem tendo, ele está em evolução.

Objetivo no campeonato
– Vivo o campeonato momento a momento. Penso muito no jogo a jogo. Minha cabeça está voltada ao objetivo do segundo ciclo. Passamos por um momento que não era bom na minha chegada. Agora, a gente precisa, pelo menos, igualar a pontuação do primeiro ciclo. Aí vamos começar o terceiro ciclo com um direcionamento dos nossos objetivos no restante da competição. Todos os jogos são difíceis, acabamos de vencer um jogo de seis pontos. Vamos enfrentar uma equipe que está a nossa frente, mas, se vencermos, vamos ultrapassa-la.

Diego Souza
– Eu gostaria que ele pressionasse 90 minutos, que fizesse três gols por jogo… Queria a plenitude dele. A gente vai discutindo aquilo que ele pode fazer, os pontos. São muitas coisas que a gente conversa para chegar no melhor do Botafogo.

Melhora da bola parada
– A bola parada faz diferença no Brasileirão. O Botafogo tem bons cobradores, Marcinho, Gilson, João Paulo… A gente foi discutindo as formas, bola mais abertas, mais fechadas. O jogo é uma referência para a gente treinar. Eu, como treinador, tiro algo da partida e coloco em prática no treino. Não acredito muito em posição, propus a ele algumas situações em momentos específicos e estamos sendo bem sucedidos nos últimos jogos. A gente ainda precisa continuar se desenvolvendo para alcançar um nível de excelência.

Por que Alex Santana não cobra faltas?
– O Alex é um jogador que chuta bem de fora da área, mas não tem o hábito de treinar falta. Ele chuta algo mais direcionado ao gol, e a falta tem toda a questão da barreira. Desde que cheguei ele nunca se prontificou a isso. Um jogador para cobrar falta tem que treinar, o que ele não faz, mas chuta muito bem.

Fonte: Terra