A torcida já elegeu o vilão da crise que afeta o Botafogo: o presidente Maurício Assumpção. Nesta terça-feira, cerca de 20 pessoas invadiram a sede de General Severiano para cobrar explicações do dirigente, mas não o encontraram, o que não amenizou o clima de tensão no clube. O grupo, que chegou até o setor administrativo e falou com um funcionário, foi ao departamento de futebol gritando palavrões e palavras de ordem — alguns lançaram morteiros do lado de fora da sede. A confusão só foi contornada após a chegada da polícia, que dispersou os protestantes.

Os alvinegros, que exigem esclarecimentos do presidente sobre o bloqueio de 100% das receitas do clube, planejam fazer novo protesto hoje à tarde, a fim de fortalecer o apoio aos atletas e criticar a gestão da atual diretoria. Mesmo preservados da ira dos torcedores, os jogadores — que treinaram no Engenhão — se reuniram com o gerente Wilson Gottardo por cerca de duas horas e descartaram fazer uma greve como protesto pela falta de pagamento.

“Isso seria um tiro no próprio pé. Os jogadores têm o direito de discordar de algumas situações e de ter suas opiniões. Essa questão de greve não foi colocada. Vamos treinar e jogar”, garantiu Carlos Alberto, que na sua primeira passagem pelo clube, em 2008, foi embora justamente por conta dos salários atrasados.

“Hoje o Botafogo é um clube mais bem preparado e tem pessoas mais bem intencionadas. Essa é uma grande diferença”, comparou o meia, ciente de que a situação pode piorar em caso de derrota para o Cruzeiro, líder do Brasileirão, sábado, que deixará o Botafogo na zona de rebaixamento.

A SÚMULA ELETRÔNICA

A demora para atualização do sistema da CBF causou uma situação no mínimo curiosa antes do clássico com o Flamengo, domingo, no Maracanã. Ao tentar publicar os nomes de Sheik e Edílson na súmula eletrônica, o árbitro Wilton Pereira Sampaio verificou que os dois tinham pendências com o STJD, mas já haviam cumprido um jogo de suspensão (na vitória sobre o Coritiba). O Botafogo foi informado e o supervisor Adriano Colares assinou um termo de responsabilidade que acabou anexado à súmula. O Alvinegro lavou as mãos e o STJD prometeu apurar o ocorrido.

Fonte: O Dia Online