O pai foi quem fincou a estrela no peito de Beth Carvalho e a boa música nos seus ouvidos. Apresentou-a a um long-play de João Gilberto. E também aos dribles de Garrincha. João Francisco faleceu em 1986, mas na veia da filha corre o seu Botafogo, hereditário e eterno.

– Meu pai remava lá no clube e , claro, era botafoguense. Minha mãe era botafoguense. Minha irmã, meu cunhado, todo mundo! Criança não ia muito ao estádio, mas eu ouvia pelo rádio. Sempre gostei — diz a cantora, uma das personalidades do meio artístico mais identificadas com o Alvinegro.

Uma cirurgia no cóccix deixou sequelas que impedem Beth de ir aos estádios da vida. Já são 11 anos convivendo com a dor que vai e volta, agora não tão branda quanto a do passado, quando seu clube envergou ao longo de duas décadas de uma estiagem de títulos aparentemente sem cura.

Enfim, o Botafogo conquistou o Carioca de 89, e Beth transformou o sofrimento de 21 anos em música. Deu voz a “Esse é o Botafogo que eu gosto”, de Dom Elias. O sucesso rompeu as divisas do futebol.

– A música tinha tudo a ver. Gravei somente com músicos botafoguenses. Os jogadores participaram do coro. Até a gandula Sonja entrou na gravação! – lembra Beth.

A seca acabou, a cantora sonha com a fartura, nesta quarta-feira, diante do Grêmio, às 21h45, em Porto Alegre.

– Eu acho que o Botafogo ganha por 2 a 0, gols do Roger, ou, talvez, um do Pimpão. O treinador é maravilhoso e temos os melhores goleiros do Brasil – elogia, já na pilha do tal futebol, esse esporte que arrepia quem está na arquibancada ou, ainda, no sofá de casa.

É mais forte que a dor. O coração de Beth estará no Sul nesta quarta-feira. E o de João Francisco.

SHOW EM OUTUBRO, NETA EM FEVEREIRO

São 71 anos de Botafogo. E, embora não saiba o que é vestir outra camisa nessa vida, Beth Carvalho ganhará um presente rubro-negro em fevereiro: sua primeira neta, Mia, chegará ao mundo com DNA do Flamengo.

– Vai ser rubro-negra. Não tem jeito. Minha filha (a cantora Luana Carvalho) é Flamengo. Eu deixei (risos) – diverte-se Beth.

A dinastia alvinegra da família Carvalho foi quebrada por interferência do violonista Edmundo Souto, um dos compositores de Andança, sucesso na voz de Beth.

– Ele é um flamenguista fanático. Quando viu minha filha, a primeira coisa que fez foi dar a ela a camisa do Flamengo. Luana nasceu em 81, o Botafogo não ganhava títulos, e eu não queria esse sofrimento para ela.

Na agenda, cabem outras ansiedades, além da espera pela pequena Mia. O Botafogo, nesta quarta-feira, terá a preferência do controle remoto. E, em 21 de outubro, outras paixões estarão fundidas no Parque Madureira: o samba, os fãs, a voz firme e inconfundível.

– Não tenho feito shows, porque sinto dor se ficar muito tempo sentada. Mas dessa vez eu vou, de teimosa que sou. Amo meu trabalho – diz a guerreira.

Fonte: Blog da Marluci Martins - Extra Online