Vinte e oito minutos do segundo tempo. O Botafogo, passivo e assustado, vai tomando um vareio do Grêmio – que, apesar do time titular, joga em ritmo de treino. Só há uma sensação pior que essa: a de já saber que isso aconteceria, antes mesmo do jogo e independente da escalação escolhida pelo técnico.

 

(Pênalti para o Grêmio). A tristeza de torcer para um time ruim é massacrante e tortura durante 38 rodadas no torneio nacional. Além da incapacidade técnica, para piorar, o grupo se mostra pouquíssimo competitivo e torna-se presa fácil para as equipes minimamente organizadas. (André converteu a penalidade). Parecem até esportes diferentes praticados num mesmo campo.

 

Não há um esquema bem definido, uma proposta que anule os pontos fortes do adversário, uma jogada ensaiada que surpreenda e nos coloque em vantagem no placar fora de casa. Não há nada. Apenas um bando em campo, que, em nenhum dos noventa minutos de jogo, proporciona alguma fração de esperança de que as coisas ficarão melhores. Pois não ficarão – sabemos disso.

Essa é a rotina da torcida do Botafogo há quase 25 anos. Alguns times melhores, outros ainda piores, mas nenhum à altura do que merece o Glorioso. Apenas os loucos ainda resistem – seja ao sentar no sofá ou dirigir-se ao estádio, mesmo sabendo que nada almejamos durante a temporada a não ser sobreviver.

 

Em raros momentos, onde há alguma mínima lembrança do que já foi o Alvinegro – como na bela campanha da Libertadores no ano passado – a torcida lota sua bancada. Não por confiança, mas por expectativa. Por crer na ilusão de que o Glorioso Botafogo está voltando. No fim das contas, só mais decepção.

 

E, assim, seguimos. Movidos pelo amor incondicional e pela loucura que é acreditar numa ressurreição, continuamos alentando a nossa maior paixão. E essa é a graça do futebol: um dia ela pode acontecer, como já vimos em diversos outros clubes. E, quando rolar, os persistentes serão recompensados.

 

Nós, fanáticos, somos quem faz o Botafogo ainda ser grande. Gigante por sua história, expressivo por seu povo; assim mantém-se de pé o Alvinegro mais amado do planeta, sobrevivendo a times fracos e dirigentes medíocres.

 

Notas

 

Saulo: 3
Muito mal nas bolas aéreas, não passou segurança.

 

Marcinho: 5
Em alguns momentos, foi um bom desafogo na saída de bola. No entanto, não foi bem no último terço.

 

Joel Carli: 3
Em dia atípico, não foi bem. Cometeu dois pênaltis com a mão e falhou também no segundo gol de Jael. Tem crédito, mas precisamos dele em dias melhores.

 

Yago: 3
Não aproveitou bem a raríssima suspensão de Rabello. Errou feio ao recuar mal no lance do primeiro pênalti e esteve inseguro no restante da partida. Deu espaço demais no gol de Alisson.

 

Moisés: 4,5
Deixou muitos espaços pelo lado esquerdo e apareceu pouquíssimo para ajudar no campo de ataque.

 

Jean: 4
Tem vigor físico e bom poder de marcação, mas corre descontroladamente e prejudica demais em termos de posicionamento. Não pode abandonar seu lugar na linha de meio para perseguir a bola. Precisa pensar mais antes de tomar decisões em campo.

 

Matheus Fernandes: 5
Discreto, precisou correr por dois à frente da área. No ataque, precisa evoluir nas finalizações e no último passe.

 

Leo Valencia: 3,5
Correu muito, mas foi a mesma tragédia de sempre. Dessa vez, foi péssimo até nas bolas paradas. Sua titularidade absoluta é inexplicável e precisa ser investigada.

 

Luiz Fernando: 5
Com o domínio absoluto do Grêmio, precisou preocupar-se muito mais em recompor do que em jogar. Quando saiu ao campo de ataque, esteve muito isolado e perdeu a maioria das jogadas individuais.

 

Erik: 7
O mais lúcido em campo. Mesmo jogando praticamente sozinho no setor ofensivo, conseguiu nossos únicos lances de perigo. Tecnicamente muito acima de todo o resto do elenco.

 

Brenner: 4
Completamente isolado, recuou demais para tentar buscar a bola e, nas poucas chances ofensivas, não esteve bem posicionado para concluir a gol.

 

Marcelo: 2,5
Completamente perdido, bateu cabeça no meio-campo e perdeu todas para Luan e cia. Sua contratação é inexplicável.

 

Rodrigo Pimpão: 4
Entrou para tentar desafogar o time, mas pouco tocou na bola.

 

Rodrigo Aguirre: sem nota
Entrou com o jogo liquidado.

 

Zé Ricardo: 4
Escalou e substituiu mal demais. Deveria ter dado sequência às boas atuações de Bochecha e Aguirre. O time variou muito do 4-1-4-1 para o 4-3-3 e acabou dominado por um Grêmio muito sólido. Precisa definir um esquema e insistir nele.

Fonte: Blog do Pedro Chilingue - Preto no Branco - ESPN