No dia do aniversário do Botafogo, a torcida recebeu um presente de grego.

O técnico Ricardo Gomes recebeu proposta do São Paulo e optou por abandonar o barco alvinegro na zona de rebaixamento em troca de um time melhor e alguns (vários) mil reais a mais por mês no bolso. Ele já não comanda o Glorioso na partida de domingo, ironicamente contra o próprio tricolor paulista. Jair Ventura assume o comando interinamente – espero eu.

A saída do treinador pode ser vista sob duas óticas, dois lados de uma moeda.

A primeira, certamente, é a ingratidão. Quando estava afastado do futebol por quatro anos e ainda com algumas sequelas devido ao grave problema de saúde que teve, foi o Botafogo quem o resgatou. Contra a opinião pública, tanto da imprensa quanto da torcida, o clube bancou a desconfiança e deu ao treinador uma chance de recomeçar.

Ricardo trocou tudo isso por um aumento salarial. Na primeira oferta que recebeu – do Cruzeiro, em abril – fez o clube se virar para conseguir um aumento considerável. Sugou tudo o que podia e ainda fez questão de sair por cima, como se tivesse ficado por carinho e gratidão. “Meu 2016 será todo alvinegro”, declarou. Brincalhão. Agora, com meio campeonato disputado e o time no Z4, ele finge que não tem sua parcela de culpa e nos deixa a ver navios.

O outro lado, no entanto, é o amadorismo. Não pense que a diretoria não tem responsabilidade sobre o que está acontecendo. Isso porque, ao dar o aumento desejado por Gomes, resolveu simplesmente não assinar um novo documento. É isso mesmo, acreditem: a multa que o presidente Carlos Eduardo Pereira encheu a boca pra falar que existia nunca passou de falácia. Sem multa rescisória, sem assinatura e, agora, sem técnico. É quase inacreditável. É a coisa mais amadora que já vi na minha vida.

Outro fator apontado como uma das justificativas do agora ex-técnico foi a ausência de reforços que qualificassem o elenco. Dentre as muitas incompetências dos nossos dirigentes, a maior delas é não entender absolutamente nada de futebol. Estão perdidos, não têm a mínima noção do que é mapeamento de mercado e, realmente, o grupo é fraquíssimo desde janeiro. Trouxeram Camilo, que é ótimo jogador, e só. O trataram como o Messi de General. Não é assim que funciona a Série A.

Enfim, não há um culpado definitivo em toda essa guerra. A vítima, como sempre, é a torcida, que nem mesmo no aniversário do clube pode sorrir. Tempos difíceis para o botafoguense, que não consegue enxergar uma luz no fim do túnel – e ainda é culpado por alguns membros da diretoria por alguns de nossos fracassos recentes.

Parabéns, Botafogo, pelos seus 112 anos. Desejo que seu presente venha nas próximas eleições, com um presidente atualizado, que deseje profissionalizar o clube, e um gerente de futebol que conheça o mercado e saiba pinçar as melhores opções do mercado. Quem sabe assim o seu povo volte a acreditar em dias melhores.

Saudações Alvinegras

Fonte: Blog Preto no Branco - ESPN