O Botafogo foi melhor. Um pouquinho melhor. Num clássico de mais erros do que acertos, o time alvinegro não jogou mais do que dez centavos de futebol. Mas isso quase foi suficiente para que saísse de campo com os três pontos. Só não foi, porque os jogadores se contentaram com a vantagem, quando deveriam partir para nocautear o adversário. E é sempre muito perigoso tentar controlar um clássico com uma vantagem tão pequena. Mesmo aos trancos e barrancos e com o time todo desorganizado, o Fluminense jamais deixou de acreditar e, no último lance do jogo, conseguiu o gol de empate.

O primeiro tempo mostrou duas equipes muito cautelosas, com medo de errar e trocando passes laterais em excesso. O Botafogo teve duas jogadas perigosas: com Ribamar, aos dez minutos, e com Aírton, aos 13. Os dois erraram o alvo, mas assustaram Cavalieri. O máximo que o Fluminense conseguiu foi um chute de longe de Gustavo Scarpa, que Jefferson defendeu sem grande esforço.

O Botafogo parecia um time mais estruturado defensivamente e conseguiu a sua vantagem logo no início do segundo tempo, quando Rodrigo Lindoso avançou com a bola dominada e os zagueiros adversários foram recuando. Lindoso tinha espaço para o chute, mas preferiu o passe para Aírton, que fez o cruzamento. Wellington Silva afastou mal e Gegê emendou de primeira. A bola desviou em Ribamar no meio do caminho e entrou no canto direito de Diego Cavalieri.

O Fluminense ameaçou partir para o ataque, mas, logo em seguida Levir Culpi trocou Diego Souza por Gérson, deixando a equipe sem um jogador que incomodasse a defesa alvinegra. Scarpa, Osvaldo e Marcos Júnior estavam muito mal na partida e Gérson, sozinho, não conseguiu mudar muita coisa. Além de Diego Souza, o técnico também trocou Renato Chaves por Gum, outra mudança difícil de entender, já que os problemas defensivos da equipe continuam sendo muito mais sistêmicos do que individuais. E trocar um zagueiro por outro, àquela altura, não faria muita diferença.

Não fez. O Botafogo quase marcou o segundo aos 25 minutos, quando Marlon derrubou Ribamar na frente da área. Emerson, com uma cobrança fortíssima, acertou o travessão de Cavalieri. O próprio Ribamar teve outra oportunidade, mas acabou se atrapalhando e permitiu a recuperação dos zagueiros tricolores.

Com 1 a 0 a favor e sem ser ameaçado, o Botafogo foi se conformando com a vantagem. E este foi o grande pecado. Ao diminuir o ritmo, chamou o Fluminense que, mesmo desarrumado, teve uma chance com Cícero, em chute abafado por Jefferson, e outra com Felipe Amorim, que arriscou de longe e assustou o goleiro alvinegro.

Já nos acréscimos, Osvaldo recebeu na frente da área e arriscou o chute. A bola desviou num adversário e foi para escanteio. Gustavo Scarpa cobrou e Gum, de cabeça, tirou dois pontos do time alvinegro. Ao final da partida, com a sinceridade de sempre, o técnico Levir Culpi foi preciso: “O Botafogo tem muito mais conjunto do que nós. Nosso time corre muito e produz pouco”. Nada a acrescentar.

Fonte: Blog do Álvaro Oliveira Filho - Rádio CBN