Quatro anos. Esse é o tempo que Ricardo Gomes, vítima de um AVC em pleno Estádio Nilton Santos, está afastado dos gramados e de qualquer atividade profissional como técnico. De maneira louvável, ele venceu uma luta diária e está clinicamente recuperado. Mas será que está pronto para voltar ao estressante mundo do futebol?

Seu médico particular, Fábio Miranda, diz que sim. Não cabe a mim, leigo no assunto, discordar. Porém, enquanto blogueiro e torcedor do Botafogo, posso – e devo – questionar as consequências de sua contratação para o dia a dia do clube.

Primeiramente, o lado esportivo. Ricardo não participa de atividades futebolísticas há quatro temporadas. Devido à batalha que travou por sua recuperação, certamente não usou esse tempo para reciclar seus conhecimentos – e nem poderia, claro. No entanto, muita coisa mudou desde sua conquista na Copa do Brasil pelo Vasco da Gama.

Com a saída de René Simões, o Botafogo ganhou uma segunda chance. Já que a contratação feita em janeiro não condizia com a necessidade de renovação do clube – algo que apontei aqui no blog em dezembro de 2014 – e os resultados não foram capazes de encobrir a pobreza na filosofia de jogo, o clube esteve com a faca e o queijo na mão para corrigir seu engano, mesmo que com atraso. Mas não o fez.

Ao assinar com Ricardo Gomes, o Alvinegro assumiu um risco desnecessário. Mais uma vez, decidiu entregar o cargo de treinador a alguém que estava fora do mercado. Em época de pouquíssimos recursos, é preciso gastar os poucos cartuchos com apostas do presente, não do passado. A volta de Ricardo é louvável, mas não para o momento atual do Botafogo.

Enquanto o elenco é desmanchado e novas peças – quase todas duvidosas – chegam, era o momento de inovar e renovar. Nomes da nova safra, como o especulado Doriva ou o emergente Guto Ferreira deveriam ter sido prioridade. Não foram, e agora o Botafogo viverá dias de dúvidas e incertezas até novembro.

Posto isso, falemos da minha segunda – e não menos importante – preocupação: as sequelas. Estar liberado clinicamente não significa estar apto a treinar e conduzir uma equipe de futebol.  Ao avaliar as recentes participações de Ricardo em programas da SporTV e da FOX, notei alguma dificuldade para concatenar idéias, assim como para expressá-las através da fala. Algo bem preocupante.

Seja bem-vindo, Ricardo Gomes. Você impressionou a todos ao superar dificuldades, uma atrás da outra, durante sua recuperação de um grave problema. Espero que tenha a mesma habilidade para superar as nossas. Ser contra sua chegada não significa que não irei apoiá-lo; a partir do momento em que vestir a Estrela Solitária no peito, estaremos juntos até o final. Boa sorte.

Que Nilton Santos nos abençoe.

Saudações Alvinegras

Fonte: Blog Preto no Branco - Pedro Chilingue - ESPN FC