O rebaixamento é hipótese palpável para o Botafogo desde o início do Brasileiro por conta dos graves problemas financeiros no clube. Time sem salário é desgovernado em princípio. Mas tudo ficou bem mais complicado com as saídas de Bolívar, Edílson, Julio César e Emerson. Vagner Mancini perdeu qualidade, experiência e liderança em um elenco já enfraquecido.

Por isso fechou mais uma vez o time, desta vez no “Clássico Vovô”. Diante do Fluminense no Maracanã chuvoso, o treinador tentou compactar duas linhas de quatro. Porém com algumas adaptações: o jovem Andreazzi saída da direita e fechava por dentro para acompanhar Wagner e deixar o lateral Régis esperando Chiquinho. Do lado oposto, Murilo ficava bem aberto, duelando com Jean, novamente deslocado.

Reprodução PFC

Flagrante das duas linhas de quatro montadas por Vagner Mancini no Botafogo para travar o Fluminense
Flagrante das duas linhas de quatro montadas por Vagner Mancini no Botafogo para travar o Fluminense

As improvisações nas laterais foram um problema para Cristóvão Borges. O Flu perdeu profundidade sem o timing e a rapidez de Bruno e Carlinhos nas ultrapassagens. Até por hábito, muitas vezes Jean e Chiquinho infiltravam por dentro, afunilando ainda mais o jogo.

Com Valencia plantado e Edson atacando como o volante de saída, o time alternou o losango no meio dos últimos jogos com um 4-2-2-2 que aproximava Wagner de Conca e Rafael Sóbis de Fred. Bloqueado pelo centro, restavam as jogadas aéreas.

Ao rival, as bolas paradas e os contragolpes. Responsáveis pelas melhores chances do primeiro tempo: cabeçada de Marcelo Mattos que Cavalieri salvou e o gol perdido por Carlos Alberto, que entrou em posição duvidosa e tentou iludir o goleiro adversário com chute no “vácuo” e demorou a concluir. Definitivamente, um time de Série A depender de um ataque formado pelos inconstantes e imprevisíveis Jobson e Carlos Alberto é desanimador, para dizer o mínimo.

Olho Tático

Flu alternando losango no meio e 4-2-2-2 de acordo com a movimentação de Edson; Botafogo fechado com 2 linhas de 4, Carlos Alberto e Jobson na frente.
Flu alternando losango no meio e 4-2-2-2 de acordo com a movimentação de Edson; Botafogo fechado com 2 linhas de 4, Carlos Alberto e Jobson na frente.

No clássico de baixo nível técnico, venceu o Flu. De tanto insistir nos cruzamentos, principalmente a partir do lado esquerdo, achou o gol no centro de Wagner na cabeça de Edson. Eficiência na 36º bola levantada na área em um total de 39, quase o dobro da média de 22 no campeonato. A entrada de Walter na vaga de Sóbis não melhorou a fluência ofensiva, mesmo com 62% de posse de bola e 11 finalizações, mas só três no alvo (Footstats).

Olho Tático

Times não mudaram desenhos táticos com substituições e o Fluminense, sem profundidade, achou o gol em uma das muitas bolas levantadas na área do rival
Times não mudaram desenhos táticos com substituições e o Fluminense, sem profundidade, achou o gol em uma das muitas bolas levantadas na área do rival

Restou administrar a vitória que mantém próximo ao G-4 e pode render uma quinta vaga na Libertadores, dependendo do Atlético Mineiro se manter nas primeiras colocações ou o São Paulo vencer a Sul-Americana. É a esperança tricolor.

TruMedia

Mapa de toques do Fluminense no clássico: forte presença pela esquerda, setor de Chiquinho, Wagner e Conca, porém sem profundidade.
Mapa de toques do Fluminense no clássico: forte presença pela esquerda, setor de Chiquinho, Wagner e Conca, porém sem profundidade.

No Botafogo, Mancini tentou o que pôde. Transferir dinâmica no meio com Gegê no lugar de Jobson e avançando o cansado Carlos Alberto. Trocou Andreazzi por Bolatti depois de inverter o posicionamento com Gabriel no segundo tempo. No final, tirou o improvisado Sidney e colocou Bruno Correa.

As opções não animam: muitos jovens sem estofo e experientes que falham na hora de definir quando o time precisa. Jefferson é a única “ilha” de competência no time que luta, mas agoniza. A chance no clássico carioca era sair na frente. Carlos Alberto falhou mais uma vez. Ao Botafogo só sobrou a fé em um milagre de quatro partidas para salvar 2014, o ano perdido por uma gestão lamentável.

Fonte: Blog Olho Tático - ESPN.com.br