Blog: ‘Bota insiste em jogar bem e se recusa a entrar em crise’

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Era uma vez um time que insistia em não cair em crise. Perdeu estádio, teve problema de salário, teve conversa de vestiário criticada pela imprensa (!), jogou para públicos pequenos durante quase todo o ano e foi bombardeado pela mídia: até ex-empresário de jogador contou história triste. Era muita notícia ruim (muitas verdadeiras, outras questionáveis) para um time que ficava o ano todo no alto.

Mas o time insistia em jogar bem, em se doar em campo, e se recusava a cair em crise.

Mais um capítulo dessa história foi escrito ontem no Maracanã.

Sem Seedorf – aquele que “perdeu o prestígio”, encarando o campeão da América e começando perdendo de 1 a 0: não adianta, esse Botafogo insiste em bater e fazer as adversidades de combustível.

Tínhamos Lodeiro, para fazer outro golaço em Victor, muito semelhante ao feito no Independência.

Tínhamos Bolívar, que fez importante partida na zaga.

Tínhamos Rafael Marques, sim, que fez mais um gol de rebote, e jogou bem recuado no meio.

E tínhamos Vitinho. Poucos jogadores brasileiros fazem hoje o que esse moleque anda fazendo em campo. Vital, de novo, deu espetacular bola – de canhota – para Lodeiro no 2º gol e bateu no exato – e pequeno – lugar que poderia bater para marcar o 4º. Está evoluindo demais, talvez com a sorte de ter como companheiro e mentor Seedorf – aquele que “perdeu o prestígio”.

Temos que aumentar urgentemente a multa contratual dele – não é a grande revelação do futebol brasileiro no ano? Se der mole, tem vaga na família Scolari de 2014.

O 4 a 1 estava maravilhoso, mas… Mas estamos falando de um time que toma muito gol no final jogando contra outro que faz muito gol no final. E deu a lógica: em descuido de Lucas Zen com Ronaldinho Gaúcho, Júlio César (que tinha falhado feio no 1º gol – moles que ele não costuma dar) não estava na posição, e Gabriel tentou cobrir Guilherme, que recolocou o Galo na parada.

Rápidos pitacos de Botafogo 4 x 2 Atlético-MG:

1)      Não acredito nessa de imprensa jogar contra o Botafogo, juro, mas vejo tratamento diferente para clubes e clubes. E vejo ser falado pouco de futebol e muito de fofoca e especulação. Discordo de vários posicionamentos e enquadramentos que a mídia dá a alguns acontecimentos no nosso futebol, mas que bom que há liberdade de imprensa para falar coisas com as quais concordamos e não concordamos. Ao leitor fica sempre a possibilidade de filtrar, e saber absorver e interpretar qualquer folha escrita.

2)      Não dá para tomar um gol de contra-ataque ganhando de 4 a 1, aos 43 e meio do 2º tempo, né? Não dá. Tem que repensar a estratégia de final de jogo do Botafogo: um dos poucos defeitos desse time.

3)      É sério que vão falar que Lodeiro jogou bem apenas porque o time não jogou com Seedorf – aquele que “perdeu o prestígio”? Ok, espero uma explicação tática, porque é possível isso: Lodeiro passou a aparecer menos e combater mais com a saída de Fellype Gabriel, mas sem Seedorf, Rafael Marques ajuda no combate e na recomposição defensiva. Falar apenas em ambiente ou pressão psicológica é tão… pouco… Falta acompanhar e falar mais de futebol por aí.

4)      Vi críticas ao Alex, mas até que achei razoável a partida dele. Esperava que fosse engolido por Réver e Leonardo Silva, bem maiores, mas brigou muito pela bola e soube dar a referência no pivô. Foi fundamental no 1º gol, estava para conferir o 2º e participou do 3º. Dá para melhorar, parece estar sem ritmo ainda, mas achei uma boa participação.

5)      Alex deu lugar a Henrique (cortejado pelo Real Madrid B!), que foi importante no 4º gol, de Vitinho. Nesse momento, aliás, o Botafogo soube pressionar o Galo, que tinha apenas Pierre de volante.

6)      Fosse no Engenhão, já teria começado a reclamação do gramado. Mas como é o Maracanã, é capaz de relevarem: mas não parece meio queimada e desgastada a grama? Acho que não tem impacto negativo no jogo, no entanto.

7)      Está de parabéns a torcida que foi ontem ao Maracanã. Apoio e barulho o tempo todo: mesmo após tomar os gols. Mesmo com horário ruim (por que 22h se não era jogo de TV aberta????) e com enormes filas na retirada de ingresso do sócio-torcedor, quem foi estava de parabéns.

8)      Ainda assim, com promoção de ingresso, foi baixo o público: 20 e poucos mil presentes, quando era para colocarmos 30 mil.

9)      Está de parabéns o Botafogo: não é fácil fazer 4 depois de tomar um gol em casa, dado o regulamento da Copa do Brasil.

10)   E falando no regulamento: é injusto demais os times que passaram pelas fases anteriores não terem cartões zerados, pois os que vieram da Libertadores estão com jogadores “limpos”. Por exemplo: vamos ao Independência sem Marcelo Mattos.

11)   Precisamos entrar com força total para encarar o Atlético no jogo da volta (muito ligados nas bolas paradas deles). Apesar de estarmos liderando o Brasileiro, as quartas-de-final da Copa do Brasil são daqui a 2 meses (23 e 30 de outubro). Não sabemos como estaremos no Brasileiro daqui a tanto tempo: espero que ainda sejamos líderes, mas tudo pode acontecer no futebol. Não dá para abrir mão da Copa do Brasil: poderemos estar a 6 jogos de um baita título e de uma vaga na Libertadores em 2014. Ganhar a Copa do Brasil vale (bem) mais do que ser 2º ou 3º no Brasileiro…

12)   Sobre o próximo jogo: será que vale a pena entrar com Seedorf na Vila Capanema? Promessa de jogo duro e disputado contra o Atlético-PR, até pelas condições do tempo. Meu palpite: se o nosso camisa 10 não estiver 100%, talvez seja melhor não jogar.

Não dá para considerar morto um time que cria tanto como Galo (inclusive ontem), que inclusive se especializou em perder fora e realizar milagres em casa. Mas, numa boa? Lembrando o que disse Túlio Maravilha na saída de campo do Maracanã em uma chuvosa (e marcante) quarta-feira, dia 13 de dezembro de 1995 (“O Botafogo não é o Fluminense!”), eu preciso dizer: o Botafogo não é o Newell’s Old Boys. O Botafogo não é o Olimpia.

O Botafogo (que perdeu só 4 vezes em 2013, e nenhuma por mais de 1 gol de diferença) é bem mais time que todos esses aí.

Corpo fechado, todos fechados com esse time que insiste em ignorar as crises e brigar no alto o ano todo. O momento é de união e de abraçar esse Botafogo. Dentro e fora dos estádios.

Venceremos

OBS: Para quem tem PFC, recomendo ficar ligado no canal PFC 24h no próximo sábado, 24 de agosto, às 23h. O nosso presidente Maurício Assumpção será o entrevistado do programa Camarote PFC, e deve falar sobre os bastidores do Botafogo, além dos problemas envolvendo o clube e as penhoras.

Fonte: Blog Bate-Bola Alvinegro - Globoesporte.com

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