Blog: ‘Botafogo perdeu força ofensiva sem Vitinho. Sentiu falta’

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O Botafogo teve a iniciativa de atacar e a proposta de jogo mais ofensiva.

O São Paulo se defendeu bem e apostou nos contra-ataques.

Apesar do 0×0 e das poucas oportunidades de gol, os times disputaram um jogo interessante no neo-Maracanã.

Ficou claro que o Alvinegro sentiu a falta de Vitinho. As adaptações feitas por Osvaldo de Oliveira não impediram a queda de rendimento do sistema ofensivo.

Também foi nítida a evolução do São Paulo.

Melhorou na parte defensiva. Deu poucos espaços e ganhou a maioria das jogadas aéreas, sem dúvida um dos grandes problemas do time. Também executou melhor a saída de bola, pelo chão, da defesa ao ataque, em especial graças ao Jadson.

Gostei da arbitragem de Sandro Meira Ricci.

Não interferiu no resultado.

Esquemas táticos iguais

Osvaldo de Oliveira escalou Rafael Marques do lado direito da linha de três do 4-2-3-1.

Ele jogou na direita, aberto. Seedorf fez o mesmo na esquerda. Lodeiro, centralizado, completou o trio.

Gabriel e Marcelo Matos formaram a dupla de volantes e Elias foi o centroavante.

Paulo Autuori também posicionou o São Paulo no 4-2-3-1.

Jadson, na direita, Ganso, centralizado, e Lucas Evangelista, na esquerda, jogaram à frente dos volantes Wellington e Fabrício.

Por conta das ausências de Luis Fabiano e Aloísio, o time jogou sem atacante de área.

Osvaldo foi o atleta mais adiantado na equipe de Autuori.

Propostas de jogo diferentes

Os treinadores utilizaram esquemas táticos iguais, mas com propostas de jogo muito diferentes.

O Botafogo pressionou a saída de bola.

O São Paulo iniciou a marcação na linha que divide o gramado.

As escalações sugeriam que isso aconteceria.

A presença de Elias, jogador que prende a bola e o trabalho de pivô, o fato de atuar como mandante e de estar habituado a marcar a saída de bola, deixaram claro, antes do apito inicial, que o Botafogo teria a iniciativa de atacar e tentaria impedir o adversário de fazer a transição de bola, pelo chão, da defesa ao ataque.

No time de Autuori, a opção por Osvaldo, atleta de velocidade, acostumado a jogar pelos lados, como único atacante, deu a entender que o contragolpe seria a arma da equipe para fazer o gol.

Por isso e pelo fato de enfrentar fora de casa a agremiação em melhor fase, era previsível que o São Paulo ficaria atrás para fechar espaços, atrair o adversário para o campo de defesa e apostar nos lançamentos para Osvaldo.

O meio de campo com Jadson e Ganso tinha bastante qualidade no passe.

Andamento no primeiro tempo

O Botafogo tomou a inciativa de atacar, teve mais posse de bola ofensiva, ficou rodeando a área do rival, mas não conseguiu, no primeiro tempo, criar a chance clara de gol.

Rafael Marques não conseguiu fazer o trabalho de Vitinho, negociado semana passada com o CSKA Moscou. Ele é mais lento e inferior ao ex-jogador do Glorioso na parte técnica.

Obviamente, o Alvinegro perdeu, por isso, força ofensiva.

Outro motivo disso foi a saída do mesmo Rafael Marques do comando do ataque.Elias se movimenta menos que ele e deixa o Glorioso mais previsível.

A movimentação é um dos pontos fortes do sistema ofensivo do time de Osvaldo de Oliveira.

Lodeiro, exatamente por fazer isso bem, foi quem mais incomodou o sistema defensivo do São Paulo.

Os laterais Edilson e Julio Cesar também apoiaram bastante e cooperaram na pressão na saída de bola. Apesar da maior presença no ataque do Botafogo, a maior chance de gol antes do intervalo foi da equipe mais defensiva.

Osvaldo, que jogou bastante tempo na esquerda, apesar de não ter posição fixa no ataque, fez bonita jogada pelo lado e cruzou para o ex-botafoguense, livre, na área, furar duas vezes de maneira patética e desperdiçou a clara oportunidade de sair na frente.

Quando ficou com a redonda, o time de Autuori trocou passes no meio, usou os avanços dos laterais de maneira alternada, adiantou, de vez em quando, Lucas Evangelista como atacante, mas sentiu a falta do centroavante, ou de qualquer outro jogador, na área.

Ceni erra e salva

O Botafogo precisava de um gol para destruir a proposta de jogo do São Paulo.

Se ficasse em vantagem no placar, obrigaria o rival a atacar, sair de trás e abrir espaços no sistema defensivo.

Erros individuais muitas vezes fazer esquemas táticos bem estruturados desmoronarem.

Ceni, antes do quinto minuto, errou a reposição de bola. Deu a dita cuja ‘na fogueira’ para Fabrício, que não conseguiu dominá-la.

Seedorf ficou ela, avançou, e da entrada da área, com liberdade, chutou forte. Rogério conseguiu tocar nela e desviar a mesma que explodiu no travessão.

Em seguida, no contragolpe, Lucas Evangelista surpreendeu,  apareceu dentro da área, na direita, após receber o passe de Osvaldo, e finalizou com perigo.

Trocas

Aos 14, Osvaldo de Oliveira substituiu Marcelo Mattos pelo experiente Renato.

Trocou o volante marcador pelo que trata melhor a bola.

Aos 18, Paulo Autuori tirou Osvaldo, que havia criado as melhores oportunidades de gol do São Paulo e promoveu a estreia de Welliton. Talvez tenha tirado um dos dois melhores jogadores do time, Wellington foi o outro, porque o  recém-contratado, apesar de não o centroavante de área, tem mais facilidade para atuar centralizado.

Pelos lados

O Botafogo, na etapa complementar, insistiu bastante nas jogadas de ataque pelos lados.

Arriscou diversos cruzamentos.

Em alguns momentos conseguiu pressionar dessa forma.

O São Paulo continuou dependendo dos contragolpes.

Os goleiros trabalharam pouco.

A saída de Fabrício, aos 28, para a entrada de Paulo Miranda, obrigou mexeu na dupla de volantes e de zagueiros (Rodrigo Caio foi atuar junto de Wellington e Antonio Carlos ganhou novo parceiro, com quem não possui entrosamento algum), mas não comprometeu a qualidade do desempenho do sistema defensivo.

Aos 34, Osvaldo de Oliveira tirou Elias, que jogou mal, colocou Alex para atuar pelos lados e Rafael Marques pôde retornar ao comando do ataque.

Aos 37, Autuori mandou Jadson descansar e botou Negueba para ganhar a opção de contra-ataque pela direita, pois o ex-flamenguista é rápido. Welliton, centralizado, e Lucas Evangelista, na esquerda, tinham a mesma incumbência.

Nada disso fez os goleiros trabalharem.

Resultado justo

Sandro Meira Ricci não interferiu no placar do jogo.

Os árbitros brasileiros costumam dar falta, ou pênalti se foi dentro da área, em carrinhos como de Bolivar em Osvaldo. No futebol real, aquilo não é falta.

A outra jogada ‘duvidosa’ (eu não tive dúvida alguma, todavia discutiram o lance), foi o carrinho de Dória em Welliton, dentro da área.

Esse nem no futebol cheio de ‘não me toque’ é falta. Jogada limpa, na bola, do zagueiro.

Por isso, resultado justo.

Escalações

Ficha do jogo

Botafogo – Renan: Edilson, Bolívar, Dória e Julio Cesar; Marcelo Mattos (Renato 14) e Gabriel: Rafael Marques, Lodeiro e Seedorf; Elias (Alex)
Técnico: Oswaldo de Oliveira.

São Paulo – Rogério Ceni: Douglas, Rodrigo Caio, Antônio Carlos e Reinaldo; Wellington e Fabrício (Paulo Miranda): Jadson (Negueba), Ganso e Lucas Evangelista; Osvaldo (Welliton 18′/2ºT)
Técnico: Paulo Autuori

Sopro – Sandro Meira Ricci (FIFA-DF); Bandeirinhas – Alessandro Mattos (BA) e Luiz Silva Teixeira (BA)

Renda – R$ 1.002.085,00; Público 23.585 pagantes e total de 28.591 presentes

Cartões amarelos: Bolívar, Douglas, Jadson e Wellington



Fonte: Blog do Victor Birner - UOL
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