Blog: ‘Botafogo precisava poupar titulares, mas não em clássico. Criou pressão extra’

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Confesso que pensei em não escrever hoje alegando poupar meus dedos, meu tempo e minhas ideias para quarta-feira.

Mas, por respeito por vocês, vou falar.

O leitor atento vai lembrar que falei aqui no blog há uma semana, após o 2 a 1 sobre o Flamengo, sobre a necessidade de poupar jogadores como Júlio César e Seedorf no jogo contra o Vitória. Quem me acompanha pelo twitter (@fogao77) também me viu discutindo isso ao longo da semana: havia gente considerando o jogo em Salvador um confronto direto.

Meu pensamento era claro: o desgaste físico do Botafogo é evidente, e precisávamos poupar algumas peças para encarar o Flamengo (que poupou hoje vários titulares) na próxima quarta.

Mas não em um clássico.

O Botafogo fez diferente: jogou com todo mundo em Salvador e poupou hoje. Somou 1 ponto em 6 possíveis, e saiu do Maracanã com um gostinho de derrota.

Não sei da condição física (e fisiológica) de cada jogador, mas acho que a decisão mais prudente teria sido poupar lá em Salvador, para jogar e ganhar do Vasco. Daria moral e ritmo para encarar o Flamengo na quarta.

No mínimo, eu teria poupado metade contra o Vitória e outra metade contra o Vasco. Que me desculpem meus amigos vascaínos, mas hoje o Botafogo não precisava de um time 100% titular para bater o Vasco.

Tanto que com apenas 3 titulares (um deles no gol), quase deu.

Com 6’ de jogo já ganhávamos de 2 a 0, e, se forçássemos um pouco mais, dava para ir para o intervalo com 4 ou 5 no placar.

A questão é que o Botafogo não tem hábito de massacrar e machucar os rivais locais quando tem oportunidade, isso não é de hoje. Aliás, contra o mesmo Vasco, ganhamos esse ano por 3 a 0 em Volta Redonda, em um jogo no qual poderíamos ter feito mais 3 ou 4. Sem exagero.

Tomamos o empate em lances de bolas alçadas na área por Juninho (como esperado), e ainda assim perdemos chances no 2º tempo de fazer o 3º. Um considerável número de chances.

Graças a um dos poucos titulares, no entanto, não conseguimos a proeza de perder um jogo ganho contra o fraquíssimo time atual do Vasco: Jefferson fez um milagre no último lance do jogo.

Seria ainda mais doloroso, mas Oswaldo assumiu esse risco.

Entramos agora com uma pressão “extra” contra o Flamengo: com o time poupado, todo mundo vai querer ver correria e vitória. Natural: é o risco que assumimos ampliado pelo empate “chato” com o Vasco.

O Goiás chegou e bate na nossa porta: 4 pontos atrás faltando 8 rodadas, sendo que ainda há um Goiás x Botafogo lá no Serra Dourada. O risco de perder a vaga no G-4 existe, mas devemos lembrar também que o Atlético-PR está a apenas 1 ponto na nossa frente e o Grêmio a 3. E ainda há um Botafogo x Atlético-PR no Rio. Sem desespero, pois ainda está nas nossas mãos essa vaga.

E o Vasco… Sinceramente, antes do Vasco, há muitos outros times que eu gostaria de ver nessa situação. Se arrancar um empate desse jeito dá moral, a vitória do Coritiba torna tudo ainda pior para eles (que apesar de tudo ultrapassaram o Criciúma). Acho que o Vasco tem chance de passar pelo Goiás na Copa do Brasil, mas começa a ficar cada vez mais com cara de time que vai mesmo cair.

Diogo Silva é bem fraco e teve participação direta nos nossos 2 gols: e tentou participar de mais outros. Sorte (do Vasco: para nós foi azar) que o Botafogo resolveu poupar o Vasco.

Em um jogo no qual o Vasco entrou sem time porque não tem e o Botafogo foi sem força máxima porque não quis, deu a lógica: um empate ruim para os dois.

Pontos negativos de Botafogo 2 x 2 Vasco:

  • Octávio começou muito bem o jogo, mas foi caindo, até ter saído com uma atuação ruim. Não teve tranquilidade no 2º tempo, quando começou a ter dificuldades para passar por Nei. Aí complica.
  • Não gosto de dizer essas coisas, mas hoje Lucas Zen compromete. Cedeu um escanteio bobo que originou (outro escanteio que deu) o 1º gol do Vasco, entre outros vacilos. Foi bem no 1º tempo (quando não teve muito trabalho), mas no 2º… Fica clara a necessidade de contratar um volante bom para 2014, principalmente se jogarmos (e vamos jogar) a Libertadores. Lembro que há uma vaga de estrangeiro no elenco.
  • Lima poderia ter aproveitado melhor a chance. Subiu pouco e com pouco perigo, e ainda teve participação direta no gol de empate do Vasco: antes de Pedro Ken pegar de tornozelo na orelha da bola (que ainda bateu na trave!!), Lima foi com “pé-mole” na dividida com Juninho, que ganhou a bola e cruzou.
  • Procura-se: Hyuri.
  • Quando Hyuri apareceu, se enrolava com o domínio, não cruzava certo ou não cruzava quando tinha que cruzar (Bruno Mendes espera aquela bola até agora). Não tem jogado nada bem o garoto.
  • Sassá correu muito, se esforçou muito, mas… Fica claro que faltam opções boas e confiáveis ao Botafogo no ataque. Sassá não fez má partida, foi melhor do que eu esperava, mas não entendi o critério de Oswaldo, que poderia ter dado ritmo (e mais chances) a Henrique ou a Bruno Mendes.

(Falando em Henrique… Dankler já tem, até o momento, mais gols pelo Botafogo em 2013 do que Henrique e Alex somados. Ah: Alex e Henrique são atacantes. Ah [2]: Dankler é zagueiro.)

Pontos positivos de Botafogo 2 x 2 Vasco:

  • Dankler, aliás, jogou bem. Foi ele que deixou Jomar subir mais alto e descontar para o Vasco, mas teve boa participação durante quase todo o jogo. Preciso nos botes, parece que ganhamos um ótimo nome para o futuro e para substituir Bolívar no presente.
  • André Bahia, que fez a zaga com Dankler, também foi bem. Sério e seguro.
  • Achei que Renato entrou bem, e mostrou mais uma vez que vive boa fase.
  • Fiquei impressionado com a partida de Gegê, que jogou (e bem) como volante! Realmente ganhamos mais um bom nome da base. E também foi bem legar ver a entrada, já no final, de Daniel. Foi a primeira aparição dele nos profissionais: camisa 10, é considerado uma joia das nossas categorias de base (apesar de ter vindo do Cruzeiro). Quem já o viu jogar em torneios de base sabe que há muito futebol no garoto. Eu já vi, e concordo.
  • Quando vi Lodeiro (que vem de má fase) confirmado, já imaginava que ele jogaria bem: sem os demais titulares lá da frente, sobra espaço e responsabilidade para o uruguaio, que ganhou liberdade. A boa atuação dele confirma a minha tese de que ele passou a jogar “menos” (diria que ele passou a aparecer menos) com a saída de Fellype Gabriel: é dele o trabalho “sujo” de movimentar, cobrir marcação e iniciar o 1º combate. Quando Seedorf não joga (como hoje, como foi contra o Galo no Independência pelo Brasileiro e na Copa do Brasil no Maracanã), Lodeiro tem mais espaço: aparece e joga mais (como hoje, como foi contra o Galo no Independência pelo Brasileiro e na Copa do Brasil no Maracanã).
  • Bruno Mendes entrou com disposição, mas está claramente sem ritmo: ainda assim iniciou uma jogada que quase foi gol, mas que Hyuri não acreditou. Legal vê-lo em campo, e acho que Bruno deve ganhar mais minutos e chances. A concorrência lá na frente não anda alta.

Apesar de não ter concordado com a decisão de Oswaldo, ele tem crédito. Muito crédito, aliás: um bom trabalho.

Já estou ansioso e esperançoso para quarta. Temos mais time, somos favoritos contra o Flamengo, mas sinceramente acho que presenciaremos mais um empate.

Nos pênaltis eu ou mais Botafogo. Sou mais Jefferson, sou mais Seedorf, sou mais Lodeiro, etc, etc.

Tudo isso, no entanto, é puro “achismo”.

A única certeza que eu tenho é que estarei quarta-feira no Maracanã. Será grande, será sensacional.

Fonte: Blog Bate-Bola Alvinegro - Globoesporte.com

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