Lesão muscular.

Essas são as duas palavras que a torcida do Botafogo certamente mais ouviu em 2016. Desde janeiro, o clube vem convivendo com a perda de titulares; um número alto de desfalques que, em um elenco já deficitário tecnicamente, prejudica diretamente o desempenho na tabela de classificação.

Segundo o levantamento do repórter Ricardo Oliveira, da Rádio Manchete, dos 33 jogadores utilizados por Ricardo Gomes, 19 já foram para o Departamento Médico por algum problema muscular. Em seis meses, isso representa 57,5% do elenco. Sendo que 10 dos que não se lesionaram não entraram em campo por mais de 5 vezes.

Acima da marca de 25 jogos – ou seja, quem atua com regularidade – apenas Ribamar não teve lesões. Compõem a lista dos lesionados Bruno Silva, Neilton, Luis Ricardo, Fernandes, Diogo, Gegê, Jefferson, Renan Fonseca, Leandrinho, Luis Henrique, Emerson Santos, Gervasio Nuñes, Joel Carli, Airton, Sassá, Damian Lízio, Anderson Aquino e Dudu Cearense – sendo alguns deles por mais de uma oportunidade.

O Botafogo precisa se explicar. Mais do que isso, precisa cobrar resultados dos médicos e fisiologistas. Nosso time é jovem e, mesmo se não fosse, esses números extrapolam qualquer conta razoável. Tomando como exemplo o Vasco, que tem um time com média de idade muito superior à nossa e conta com uma boa equipe médica e tratamento de prevenção – capitaneados por Alex Evangelista, gerente científico que deixou o Botafogo em 2013.

Outro bom profissional que perdemos é Altamiro Bottino, que saiu também em 2013. Hoje seu trabalho é referência no Palmeiras, fazendo o time “voar” e, assim como Evangelista, criando um excelente trabalho de prevenção de lesões. A saída de ambos foi muito questionada à época, ainda na gestão de Assumpção, e desde então o Botafogo não conta com profissionais qualificados na área.

Um dos fatores apontados como responsável é o campo de General Severiano, onde os jogadores treinam diariamente. Por não ter a estrutura necessária, a sede acaba “minando” os jogadores e deixando-os propensos a lesões. Algo que depõe a favor dessa hipótese é o time Sub-20, que treina no CEFAT, onde a estrutura é excelente, e o número de lesões é algo bem reduzido – são 40 jogos na temporada e menos de 5 casos de lesão em todo o grupo.

Independente de qual for a causa, o Botafogo precisa se posicionar. Dar uma satisfação aos torcedores, trocar a equipe profissional ou, pelo menos, alterar o local dos treinamentos. O que não pode é ficarmos com um elenco – que já é fraco – mutilado para a disputa de um torneio tão longo e complicado.

A torcida exige e merece um posicionamento. Mudanças precisam acontecer.

Fonte: Blog Preto no Branco - Pedro Chilingue - ESPN FC