Não deu nem tempo de jogar mal.

O América Mineiro foi tão inofensivo quanto o seu mascote e facilitou demais a missão de um time inseguro e pressionado. Em uma noite fria e chuvosa em Volta Redonda, cerca de mil pessoas testemunharam o Botafogo ganhando três gols de presente e Sassá fazendo um hat trick.

Ricardo Gomes, em mais uma tentativa de encontrar o time ideal dentro de um elenco fraco, foi a campo com três novidades: Neílton, Gervasio e Sassá. Chamou atenção também a constante troca de posições entre os jogadores ofensivos, principalmente Leandrinho e Neílton.

Logo no início, Sassá foi lançado e, ao ganhar do zagueiro, foi derrubado. Pênalti que ele mesmo cobrou com consciência e guardou. Minutos depois, Neílton pressionou a saída de bola, roubou a gorduchinha e só rolou pra Sassá marcar seu segundo gol na partida. Tudo isso em apenas meia hora no relógio.

A partir daí, o Botafogo só precisou administrar um América nocauteado. Se existe um time pior que o nosso nesse campeonato, certamente é o Coelho. Tanto que, aos 38, Sassá invadiu a área com facilidade e foi derrubado pelo goleiro. Repetindo a primeira cobrança, Sassá bateu bem novamente e ganhou a chance de pedir música.

Fomos pro intervalo com um sorriso de orelha a orelha, mesmo não muito convencidos de que aquele grande resultado era fruto apenas de nossos esforços. Mas quem liga? Entregamos tantos pontos bobos em rodadas anteriores, isso era apenas a lei da reciprocidade sendo minimamente generosa conosco.

Para o segundo tempo, perdemos Airton – espero eu que tenha sido apenas para poupá-lo, e não uma nova lesão. Sem o cão-de-guarda e o natural relaxamento de um placar elástico, esquecemos de jogar e vimos o Mequinha vazar nossa meta. Aos 2′, Sávio tentou três vezes, todo mundo ficou olhando e Sidão nada pôde fazer.

Mas o time do América é tão ruim que nem sequer conseguiu sonhar com uma reação. O Botafogo até pediu pra entregar, do jeitinho que gosta de fazer, mas não foram mais que um ou dois sustos. De resto, administramos e só não goleamos por falta de pontaria; poderia ter sido uns 6 a 1, sem exageros.

A exibição não foi um primor, as mudanças não nos transformaram no Barcelona alvinegro. Mas o time jogou com vontade, um mínimo de organização tática e fez sua obrigação: venceu bem contra o time mais fraco do campeonato. Quem dera enfrentássemos mais Américas como o de hoje ao longo das próximas 30 rodadas.

Notas

Sidão: 7,5
Pouco exigido. Duas ou três boas defesas. No gol, foi bombardeado. Jéfferson teria espalmado a primeira para o lado, mas nada que possamos chamar de falha – só estamos mal acostumados, mesmo.

Luis Ricardo: 4,5
Passei o jogo todo pensando “meu deus, ele está voltando ao normal”. E o normal dele não é nada agradável. Sonolento e descompromissado, errou passes e cruzamentos fáceis.

Renan Fonseca: 6
Pouco exigido. Bem pelo alto, não comprometeu. Pra ele, isso já tem sido bastante coisa.

Emerson Silva: 5,5
Um pouco abaixo do companheiro de zaga – e da sua regularidade. Ficou só olhando o Sávio tentar três vezes até conseguir marcar.

Diogo Barbosa: 4
Voltou muito mal de lesão. Victor Luis deveria ter sido mantido no time, enquanto Diogo recupera a forma física e o ritmo de jogo.

Aírton: 8
O coração desse time. Marca demais, protege a zaga e sai bem pro jogo. Joga por ele e pelo seu companheiro. O time sentiu demais a sua saída.

Bruno Silva: 3,5
Nem sombra do jogador vibrante e voluntarioso do Campeonato Carioca. Errando passes ridículos, dormindo em campo. Meu sonho é ver aquele Bruno da Chapecoense.

Leandrinho: 7,5
Muito bem no jogo. Atento, dribles rápidos, passes eficazes. Falta bater mais no gol, mas isso vem com a confiança. Futebol ele tem.

Neílton: 7
Boa partida, muito acima da sua média. Bem nos dribles e nos passes, fora o mérito de apertar a saída de bola no segundo gol. Precisa manter uma sequência de boas atuações como a de hoje. Ainda assim, fisicamente faz lembrar aquele seu primo de 8 anos na pelada de fim de ano da família.

Gervasio Nuñez: 6
Lento e desengonçado, apesar de um mínimo de qualidade técnica em chutes e passes. Foi melhor que o Gegê, mas não me convence e não tem futebol pra ser titular.

Sassá: 8
A ausência de um centroavante de ofício durante tantos jogos fez com que ele parecesse um bom jogador. Correu certo, sofreu dois pênaltis e os converteu com qualidade. Apesar de ser ruim, é o dono da posição.

Fernandes: 7
Entrou muito bem, apesar de o time perder em marcação em relação ao Airton. Ligado, fez bons desarmes e mandou bem nos passes e lançamentos. Com uma regularidade, pode ser titular no lugar de Bruno Silva.

Ribamar: 6
Entrou com a luta de costume, mas já estou até com pena. O rapaz não consegue fazer gol de jeito nenhum. Que negação. Já passou da hora de testá-lo como extremo.

Salgueiro: sem nota
Entrou no fim e só deu tempo de nos irritar com duas coisas: nos lembrar de sua existência e isolar uma bola do estádio.

Ricardo Gomes: 7
É inegável que as alterações surtiram efeito, mas precisa agradecer bastante ao adversário de hoje. A vitória caiu no colo. A sequência que temos pela frente é perigosa e não pode deixar que os extremos marquem frouxo como hoje. Pode melhorar.

Fonte: Blog Preto no Branco - Pedro Chilingue - ESPN FC