Com maturidade, os presidentes de Flamengo e Botafogo querem dar um ponto final na crise entre os dois clubes. Nelson Mufarrej, ao contrário de seu antecessor, Carlos Eduardo Pereira, se dispôs a um diálogo mais aberto com Eduardo Bandeira de Mello. Tanto que ambos delegaram aos profissionais e demais dirigentes mais preparados a missão de negociar um acordo razoável para todos, com a utilização do Nilton Santos/Engenhão pelos flamenguistas.

Assim começaram as conversas que tiveram à frente Luis Fernando Santos, vice-presidente executivo do Botafogo, e Fred Luz, CEO do Flamengo. Os dois, entre outros profissionais dos clubes, chegaram ao acordo para a utilização do estádio pelo time rubro-negro na próxima quarta-feira, contra o Madureira, com torcida, pelo Campeonato Estadual, e no dia 28, diante do River Plate, pela Copa Libertadores da América, com portões fechados.

Levantamento do site Chute Cruzado — clique aqui e leia — mostra os absurdos prejuízos dos quatro grandes neste certame carioca. O Botafogo ficou no vermelho em todos os seis jogos que disputou, num buraco financeiro de quase R$ 810 mil. Os jogos mais deficitários foram justamente no Nilton Santos, em três partidas acumulou um negativo de R$ 603 mil, 74% do total. É evidente que o estádio precisa e mais demanda e arrecadação.

O acordo pode ser estendido a mais jogos. Momentaneamente sem a Ilha do Governador devido à queda de duas torres de iluminação na tempestade da madrugada de quinta-feira, o Flamengo espera voltar logo ao seu atual estádio. Mas precisa de uma opção para jogos da Libertadores, cujo regulamento não permite cotejos em canchas com arquibancadas provisórias; além de eventualmente precisar de maior capacidade do que os 20 mil lugares do campo da Portuguesa.

Um acordo com o Botafogo acabaria com a dependência rubro-negra em relação ao Maracanã para clássicos, partidas de maior porte e compromissos internacionais. Esse é o objetivo do Flamengo, pelo menos até que saia uma nova concessão por parte do Estado do Rio de Janeiro, algo que voltou a ser improvável no atual governo, que termina mandato apenas no final de 2018. Tendo o rival como inquilino, os alvinegros podem fechar a conta e até lucrar.

Não é preciso acabar com a rivalidade para unir forças nos interesses comuns. Mas é necessário eliminar a rivalidade burra que enterra clubes de futebol num buraco sem fim, movida por cartolas e ex-dirigentes que tentam chamar a atenção com discurso raivoso e antiquado. O presidente do Botafogo foi bem no episódio, driblando tais “xiitas”, e o do Flamengo também, ao sair de cena e deixar seu CEO fazer, bem, o próprio trabalho. Com atitudes maduras todos têm a ganhar.

Fonte: Blog do Mauro Cezar Pereira - ESPN.com.br