“O mais charmoso”. Grandes jogos. Momentos inesquecíveis. Jogadas sensacionais. Rivalidade e provocações. Quem olha o passado do Campeonato Carioca e compara com o panorama atual chega a ter certeza de que não se trata da mesma competição.

Jogos ruins, times de várzea, estádios bizarros, gramados péssimos, rivalidade morna – reflexo do tal “futebol moderno” – e arquibancadas vazias. Na base de tudo isso, uma federação que ignora o torcedor, desrespeita os clubes e lucra muito enquanto todos têm alto prejuízo financeiro.

Não é difícil apontar os motivos da falência do nosso Estadual. Simplesmente o produto não acompanhou a evolução do mundo da bola, perdeu em competitividade, não dá lucro e não tem a qualidade e o profissionalismo necessários para atrair o torcedor. Nós, de forma alguma, podemos ser responsabilizados pelos públicos esvaziados.

A Ferj não se esforça para melhorar o torneio, visto que enche o bolso às custas dos clubes, tendo sempre o maior lucro da competição. Os clubes, amadores que são, não conseguem sequer se juntar e criar uma ação para combater o problema. A parceria fake entre Fla e Flu, criticada aqui no blog, não vingou: não tiveram colhões para manter a banca que indicaram e sabotar o campeonato, inclusive poupando atletas na tal Primeira Liga.

Victor Silva/SSPress

Victor Silva/SSPress
Estádios bizarros, horários ruins, bancada vazia: retrato do Campeonato Carioca

Em 2016, o problema ficou ainda maior. Com o Niltão entregue aos Jogos Olímpicos e o Maracanã afastado do público por problemas políticos e administrativos, ficamos sem estádios decentes para jogar – principalmente os clássicos. Dessa forma, muitas partidas migraram para outros estados e tiveram públicos dignos, como mostra um levantamento feito pela ESPN.

Tirando o fator “novidade”, o que logicamente atrai um número maior de torcedores nessas eventualidades, as partidas fora do estado serviram para comprovar a tese: os torcedores não desistiram dos times cariocas, mas, sim, do campeonato da Ferj. Nós, do Rio de Janeiro, não abandonamos nossos clubes; apenas esvaziamos um torneio sem sentido, sem fórmula, sem qualidade, sem organização, sem profissionalismo e sem respeito.

Depois de arrastados três meses, finalmente chegamos à reta final. Faltam apenas 4 jogos, todos clássicos. Na semifinal, o time que fez menos pontos no total (Flu, com 27) entra com a vantagem do empate contra quem fez 9 a mais que ele próprio (Botafogo, com 36). Baita fórmula.

Para completar, a Ferj, mais uma vez, cedeu às exigências da Rede Globo e fará as duas partidas no domingo, deixando o sábado sem jogo e expremendo os horários. Botafogo x Fluminense acontecerá em Volta Redonda, às 19h. Local ruim, horário péssimo. E a culpa será do torcedor pelos 5 mil presentes nesse clássico.

Enquanto isso, quem diria, o Paulistão nos dá uma aula. Aquele campeonato que sempre foi xoxo, como é o nosso hoje, agora tem pequenos que dão trabalho, um calendário organizado, um formato mais interessante e dá aos grandes o nível de teste necessário para encarar o Brasileirão – além de opções de contratações mais baratas, oriundas dos clubes menores.

Acaba, Carioca!

Rapidinhas

– Parabéns aos garotos do time sub-20 pela merecidíssima conquista da Taça Guanabara, no último sábado, com direito a linda festa da torcida em Caio Martins. Grande trabalho. Agora é força máxima na Taça Rio!

– Mais um jogo sonolento do Botafogo. Com um futebol equivalente ao estádio de Saquarema, tivemos muita aplicação tática e…. só. Precisamos de reforços urgentes, principalmente no setor ofensivo. Não é a primeira vez que precisamos falar isso. E, provavelmente, nem a última.

– A não vinda do Alex não me preocupa. Não por “termos Leandrinho”, como disse Ricardo Gomes. Mas precisamos de contratações pontuais e o meia do Inter só se encaixaria na função da nossa única boa contratação ofensiva: Salgueiro. Não adianta ter dois bons pra uma vaga enquanto existirem lacunas em todas as outras. Meias extremos, como já mostrei aqui, são a prioridade.

Fonte: Blog Preto no Branco - Pedro Chilingue - ESPN FC