A decisão do Pleno do STJD de devolver ao Criciúma os pontos retirados em instância inferior por conta da escalação irregular do atacante Cristiano na segunda rodada do Brasileiro surpreendeu.

E se tivesse sido tomada nas últimas rodadas, o caso daria o que falar.

O jogador foi suspenso por cinco jogos em 2013, por conta de uma agressão ao adversário quando ainda atuava pelo Naviraiense, em partida da Copa do Brasil.

Cumpriu um jogo e, como seu clube foi eliminado, ficaria de fora de mais quatro em competições nacionais.

Este ano, Cristiano transferiu-se para o Londrina e, após o Estadual, para o Criciúma. Até então não havia mais participado de competições nacionais.

Mas, mesmo sem ter a confirmação da CBF de que ele estaria apto a jogar, o clube catarinense o pôs em campo na derrota de 1 a 0 para o Goiás.

Perdeu, e ainda foi punido pela Segunda Comissão Disciplinar do STJD com a subtração de três pontos, mais multa, conforme o código disciplinar.

O clube recorreu, responsabilizando a CBF, que inclusive chegou a demitir o responsável pelo setor, e o Pleno do STJD acatou por 4 a 2.

Fico com o entendimento do procurador geral do STJ, Paulo Schmitt, que acusou o Criciúma de ter sido displicente ao escalar o atleta sem ter a certeza de sua situação disciplinar _ sem falar na esperteza do próprio que sabia muito bem ter ainda quatro jogos a cumprir.

Lembro aqui, mais uma vez, da forte influência que o presidente da Federação Catarinense, Delfim Peixoto, exerce sobre o duplo comando da CBF ocupado pelo presidente José Maria Marín e seu vice (virtual sucessor) Marco Polo del Nero.

Em 2013, Delfim foi aliado político estratégico no trabalho que visou à eleição de Del Nero no pleito realizado no início deste ano _ mandato que em 2015.

E anulou a oposição do presidente da Federação do Rio de Janeiro, Rubens Lopes, “colocando” três filiados (Criciúma, Figueirense e Chapecoense) na Série A.

Com o rebaixamento do Vasco, a Federação Catarinense teve os mesmos quatro votos da Carioca na eleição da CBF.

E, como recompensa, Delfim passará a ocupar uma das vice-presidências regionais no novo organograma da entidade.

Ou seja, o entendimento do Pleno em 2014 foi absolutamente o oposto no caso do jogador da Portuguesa, em 2013 _ situações semelhantes em sua origem: a escalação de um atleta que tinha suspensão a cumprir!

Por isso, não custo a crer que a decisão de agora, devolvendo os três pontos ao Criciúma, tenha tido um dedo político _ aproveitando-se do caráter pouco decisivo que a medida provoca se tomada antes da metade da competição.

Se estivéssemos na reta final do Brasileiro, o entendimento, provavelmente, seria outro.

O que apenas reforça uma convicção: rebaixaram a Portuguesa no ano passado de forma covarde, usando o Código Disciplinar da maneira que convinha à CBF.

Pobre Lusa…

Fonte: Blog do Gilmar Ferreira - Extra Online