Em um jogo parelho, disputadíssimo e com muitos erros, o Maracanã assistiu a um raro empate sem gols entre Botafogo e Flamengo. Enquanto a mulambada teve ligeira superioridade na primeira etapa, o Glorioso chegou muito perto da vitória em chances desperdiçadas no segundo tempo.

Voltando ao esquema com 3 volantes no meio-campo, Jair Ventura optou pela cautela, dando a posse ao adversário e explorando os seus erros. Na teoria, funcionou; mesmo com o dobro de posse de bola nos primeiros 45 minutos, o Fla só criou uma chance de perigo e ambos os times finalizaram apenas 5 vezes. Na prática, faltou compactação e inspiração pra puxar os contragolpes.

Já na volta do intervalo, o Fogão esteve diferente. Embora ainda ficasse menos com a bola, tentava comandar mais as ações e encostar sua linha central no ataque. Pimpão desperdiçou duas chances claríssimas: uma em saída errada de Muralha pelo alto e outra, já no fim do jogo, cara a cara com o goleiro. O fato é que o Botafogo, no geral, foi melhor – mesmo diante de um jogo tecnicamente abaixo do esperado.

Já na arquibancada, novamente aquele clima que todo alvinegro que já foi contra o Menguinho sabe: mesmo em menor número – dessa vez, apenas 10% da carga -, nossa torcida fez muito mais barulho. Por vezes, o volume era constrangedor; parecia que nós éramos os 50 mil e eles os 6 mil espremidos na Sul. Podem ser maiores em quantidade, mas jamais terão nossa garra e nossa garganta.

Vitor Silva / SSPress

Vitor Silva / SSPress
Torcida alvinegra lotou seu espaço, deu show e cantou mais que 90% do estádio

Vale observar, também, a boa atuação do árbitro Jean Pierre Gonçalves. Exagerou nos amarelos para Victor Luís e Sassá, mas, no geral, soube conduzir a partida e foi correto nas marcações. Não aparentando estar mal intencionado, em jogos contra o time da Gávea, já é um grande avanço. Os bandeirinhas pouco trabalharam.

Fica aquela sensação de que podia ter sido melhor, principalmente pelos gols perdidos, mas o empate não é mau resultado pra nós – é o sétimo jogo sem derrota, sendo cinco vitórias e dois empates. Já eles, com quatro jogos sem ganhar, uma torcida muda e o podendo cair pra 4º lugar ainda nessa rodada, devem estar com sinusite, porque não sentem “cheirinho” de mais nada.

Para confirmar a vaga no G6, resta vencermos Chapecoense e Ponte Preta na Arena Botafogo. Não são jogos fáceis, mas temos totais condições de vencer. Estamos a dois passos do paraíso. O objetivo precisa ser alcançado para coroar uma arrancada linda, improvável e impressionante. Vamos lotar!

Notas

Sidão: 7
Uma defesa difícil em chute de Diego. No mais, quase não precisou intervir.

Alemão: 5
Deixou a desejar no ataque e na defesa. Precisa deixar pra trás a mania de perder a bola no campo ofensivo e não voltar pra marcar.

Joel Carli: 8
Um gigante. Diversos cortes por baixo e por cima, muita raça e seriedade. Honra a braçadeira e a camisa.

Emerson: 6
O script de sempre: atuação razoavelmente boa, marcada por alguma falha bizarra que quase compromete o resultado. Corrigindo essas falhas, tem tudo pra ser um zagueiro bom e regular.

Victor Luis: 6,5
Mais tímido que o habitual no ataque, fechou bem a esquerda.

Airton: 7,5
Apanhou, distribuiu caneta, foi agredido duas vezes e ainda recebeu o cartão. É uma pena que a arbitragem tenha o marcado pra sempre. Rodou o jogo como de costume e comandou o meio-campo até sair, substituído.

Rodrigo Lindoso: 6,5
Sempre presente no combate, faltou caprichar nas chegadas à frente. Cresce com a companhia de Airton.

Bruno Silva: 6,5
Esteve mais preso à defesa e não conseguiu chegar na frente como elemento surpresa. Marcando, mostrou vontade.

Camilo: 6
Não foi dessa vez que voltou às grandes atuações. Errou mais passes que o normal, apesar de sempre oferecer perigo com sua visão de jogo.

Neílton: 5,5
Apagado, não conseguiu manter a ótima sequência de atuações. Como os contragolpes não encaixaram, errou muitos dribles e passes.

Rodrigo Pimpão: 6,5
Foi a peça mais ativa do setor ofensivo, com toques inteligentes e bastante velocidade, mas não pode desperdiçar as duas grandes chances do time no jogo – principalmente a última, na cara do gol.

Sassá: 6
Tentou imprimir velocidade pelos lados, fazendo a bola chegar à área adversária. Foi punido com um cartão injusto e está suspenso para um jogo importante.

Diogo Barbosa: 6
Entrou para repetir a ótima dobradinha com Victor Luis, mas não conseguiu pela falta de ritmo e pela velocidade do jogo.

Gervasio Nuñez: sem nota
Pouquíssimo tempo em campo.

Jair Ventura: 7,5
Mandou bem ao voltar com o esquema padrão. Tentou jogar sem posse na 1ª etapa, mas o ataque não produziu. No 2º tempo, fez o time subir as linhas e pressionar. Não venceu por detalhe. No geral, sua equipe foi melhor no jogo – mesmo diante do favoritismo do rival anunciado pela imprensa.

Fonte: Blog Preto no Branco - Pedro Chilingue - ESPN FC