Partida estranha, arbitragem bizarra, expulsão precoce, adversário inspirado, lesões, pênalti, chuva, campo pesado. Tudo de ruim que os roteiros do Botafogo na Copa do Brasil costumam ter.

Só não contavam que, na noite de hoje, no Estádio Nilton Santos, o grupo do Glorioso faria historia novamente. É impressionante o que esses caras estão fazendo. Um time que parece não ter limites. Lutaram até o final, comeram grama e, mesmo com menos um, conseguiram reverter o resultado.

O Alvinegro começou o jogo com uma blitz pra cima. O Sport soube se defender e, em um contra-ataque despretensioso, abriu o placar com um golaço. O Fogão continuou em cima, mas sentiu o golpe. Com o time afobado, a bola queimava no pé ao passo que as oportunidades de gol não surgiam.

Fomos para o intervalo perdendo e sem Bruno Silva. No vestiário, Carli acusou lesão e foi substituído. Na volta para o 2º tempo, o clima sombrio da maldição da Copa do Brasil já nos abraçava de tal forma que alguns até já admitiam a eliminação. Pois bem, bem-vindos a 2017.

Nos 45 minutos finais, um novo Botafogo. Sóbrio, consciente, perigoso, letal. Nei Franco, que havia lançado um atacante no lugar de um volante, deve ter ficado com cara de bunda. Nem mesmo o pênalti que demos de presente foi capaz de frear o apetite desse time que só quer saber de vencer. Diego Souza quis aparecer, sambou na cobrança e Gatito voou pra pegar mais uma.

Com a raça de um guerreiro e a inteligência de um sábio, o Glorioso virou com dois conta-ataques e só não fez mais porque as pernas não respondiam mais. Ainda assim, lutamos de pé até o apito final. Vitória importantíssima que nos coloca em vantagem pra um dificílimo jogo de volta em Recife.

Independente de classificação, o que nos faz bater no peito com orgulho é a disposição desse elenco, que varre as adversidades como uma tsunami. E, já que o time “deu onda” e continua dando, que façamos nossa parte: a presença da torcida hoje foi boa, mas pode melhorar ainda mais. Esses caras merecem. Ou você ainda duvida de alguma coisa?

Notas

Gatito Fernandéz: 8
Absolutamente sem culpa no golaço de Samuel Xavier. No segundo tempo, foi crucial pro resultado ao defender pênalti de Diego Souza, com o jogo ainda em 1-1.

Emerson Santos: 7
Seguro na defesa, segue se arriscando no apoio como lateral. Lindo lançamento para o segundo gol.

Joel Carli: 6
Partida segura. Saiu no intervalo com mais uma lesão muscular.

Emerson Silva: 5
Não repetiu as ótimas atuações recentes. Errou passes bobos e cometeu pênalti infantil.

Victor Luis: 6,5
Muita disposição no ataque e na defesa. É um dos que mais dá o sangue.

Airton: 7,5
Mesmo visivelmente sem ritmo de jogo, jogou bem. Desarmou e deu assistência para o primeiro gol. No segundo tempo, sentiu o gramado pesado e saiu exausto.

Bruno Silva: 4,5
Fazia jogo razoável. Seu primeiro cartão amarelo foi bobo e justo, o segundo foi um absurdo – nem falta foi. De qualquer forma, precisa botar a cabeça no lugar e maneirar nesses carrinhos – algo que comentei na crônica do jogo contra o Barcelona-EQU. Poderia ter posto tudo a perder.

João Paulo: 7
Muita entrega na marcação e esforço para fazer a bola rodar. Comemorava cada bote certo. Ganhou a vaga e vai suar sangue pra continuar no time.

Camilo: 6,5
Esboçou uma leve melhora, principalmente no 1º tempo, mas ainda bem distante do que pode jogar.

Guilherme: 8,5
Incisivo e muito bem nos dribles – característica raríssima dentro do elenco – fez seu melhor jogo pelo Botafogo. Ainda erra em algumas decisões simples, mas hoje destruiu com o jogo.

Sassá: 6
Com a tão desejada titularidade, não fez um bom jogo. Muito isolado na frente, pouco participou das jogadas de ataque. Apagado.

Marcelo: 7
Entrou no intervalo, na vaga de Carli, e foi bem. Ótimo aproveitamento nos botes.

Rodrigo Pimpão: 6,5
Entrou pra dar mais velocidade e foi mais uma arma ofensiva. Ajudou nos contra-ataques.

Matheus Fernandes: 6,5
Entrou na vaga de Airton e ajudou na marcação, assim como na transição para o ataque. Ainda não mostrou a personalidade que vi na base, mas foi bem.

Jair Ventura: 8
Diante dos acontecimentos do 1º tempo, foi muito inteligente na estratégia para a 2ª etapa. Viu Ney Franco ir pra cima e deu a bola ao Sport, vencendo nos contra-ataques com um a menos desde os 40 minutos. Tem o grupo na mão e sabe conduzi-lo em todas as situações. Apenas não entendi a necessidade de escalar o Pimpão no Carioca e poupá-lo hoje – mas até nisso deu sorte, já que o substituto acabou com o jogo.

Fonte: Blog Preto no Branco - Pedro Chilingue - ESPN FC