Antes de qualquer coisa, te proponho um exercício. Volte no tempo. Dia 26 de junho, Internacional x Botafogo. Torcida desanimada, preocupada, sem muitas esperanças. Dentro da zona de rebaixamento, nosso Fogão lutava contra a crise e estreava seu novo reforço, o meia Camilo. Lembra disso?

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Pois é. Esse dia completou, nesta quarta, um turno de Brasileirão. Aquela vitória épica era o primeiro passo de uma reação completamente inacreditável de um time que, apesar de limitado, se tornou carne de pescoço. Por ironia do destino, entitulei o texto daquele triunfo como “ponto de partida“. O fato é que, sem sombra de dúvidas, eu nem imaginava onde chegaríamos.

Confesso que, lá pelos 35′ do 2º tempo, eu já pensava no texto. Apesar do empate sem gols, eu planejava elogiar a equipe. Não pelo resultado, claro, mas pelo “copo meio cheio”. O pontinho conquistado em casa manteria o sonho pela Libertadores e concretizaria de vez a nossa permanência na Série A – o que sempre foi o objetivo, por vezes distante, desse difícil ano de 2016.

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Mas o Botafogo me surpreendeu. Com a Arena cheia, passou por cima das dificuldades, superou as adversidades e lutou até a última gota de suor. O pênalti sofrido por Sassá foi o típico lance de quem não desiste nunca; o que é, de fato, o retrato deste time. Independente do que acontecer nesses últimos oito jogos, esse time me ganhou.

Me ganhou porque, através da perspicácia de Jair – alguém que, inicialmente, não me inspirava nem um pouco de confiança -, soube reconhecer suas deficiências e jogar de forma inteligente. O Fogão é, hoje, o time mais difícil de ser batido neste campeonato. E isso é mérito de todo o grupo e da comissão técnica.

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Eu, assim como enorme parte da torcida, não acreditei que esse Botafogo pudesse chegar em 5º lugar. Hoje, não sou capaz de ousar estabelecer um limite. Eles chegarão onde quiserem chegar – e, mesmo no caso de não conseguirem, eu estarei aqui pra aplaudir. É só o que sei fazer agora.

Pode falar agora, Jair!

Notas

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Sidão: 8
Sempre seguro. Fez defesa dificílima em chute de Vitinho num momento chave do jogo.

Alemão: 7
Vontade de sobra. Tentou se arriscar mais no ataque e acabou deixando espaços atrás. Precisa se resguardar quanto a isso.

Joel Carli: 8
Mais uma excelente partida. Embora tenha tido muito trabalho com Vitinho, se saiu muito bem. Cortou a maioria das bolas e deu o sangue. Sua suspensão será muito sentida contra o Galo. Que venha o Emerson Silva.

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Emerson: 7
Ótimos desarmes, auxiliando Victor Luis na marcação. Vem ganhando segurança nesse segundo turno.

Victor Luís: 7,5
Sempre que o vejo jogar, só consigo pensar “fica, por favor”. Consciente na defesa e sempre participativo no ataque.

Airton: 8
Ótima partida. Anulou Valdívia e ainda conseguiu sair pro jogo, sofrendo muitas faltas. Após mais um lindo chapéu, foi ovacionado pela galera. Merece demais.

Rodrigo Lindoso: 6
Até auxiliou na marcação, mas novamente errou mais passes do que o normal.

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Dudu Cearense: 5,5
Não encarou bem a titularidade e fez um jogo, no máximo, razoável. Sem vigor físico pra ajudar na marcação e sem dinamismo pra ajudar ofensivamente.

Camilo: 6,5
Sua presença é sempre importante pra fluidez do nosso meio-campo, mas novamente não conseguiu se destacar.

Neílton: 7,5
Fez grande jogada ao quase marcar um golaço no melhor lance do 1º tempo. No segundo, conseguiu jogar mais pro time e deu muito trabalho aberto pela direita.

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Vinicius Tanque: 5
Destoa num time que está muito encaixado. Não é difícil enxergar que só joga pela falta de opção.

Rodrigo Pimpão: 7
Entrou e mudou o panorama do jogo ao tornar o time mais ofensivo. Aberto pela esquerda, foi eficiente. Perdeu chance clara em cruzamento de Neílton.

Sassá: 7,5
Que estrela. Saiu do banco, marcou o gol da vitória e mostrou que, de fato, se transformou em um jogador muito útil. Lutou por todas as bolas e teve frieza no pênalti. Ao ganhar experiência, sabe agir em prol do time – como na deixada em corta-luz pra Pimpão.

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Gervasio Nuñez: sem nota
Entrou pra descansar Neílton. Sem tempo pra análises.

Jair Ventura: 9
Mais uma vez, seu time foi muito bem estruturado – apesar de ter tido muito mais trabalho com Vitinho e os laterais. Foi competitivo o tempo todo e soube se lançar ao ataque com cautela, mantendo a estrutura mesmo com a entrada de um atacante na vaga de um volante no intervalo. Sua organização defensiva rendeu incríveis 3 gols sofridos em 11 jogos. Com a vitória, confirmou matematicamente na Série A e já pode falar tranquilamente sobre a Libertadores.

Fonte: Blog Preto no Branco - Pedro Chilingue - ESPN FC
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