Chegamos ao Estádio Nilton Santos, mesmo debaixo de uma lua de 40 graus, animados para curtir o chamado “clássico da amizade”. Botafogo e Vasco, historicamente, sempre tiveram a rivalidade mais sadia do futebol carioca. No entanto, parece que o cruzmaltino tem feito questão de jogar isso no lixo.

Aos dois minutos de jogo, a tarde teve um ponto final para o Botafogo. Foda-se o placar final do jogo e o Campeonato Carioca. A entrada criminosa de Rildo em João Paulo, que fez a perna do nosso meia partir ao meio e virar um “L”, encerrou não só o jogo, mas também a temporada para o nosso guerreiro camisa 8.

Quem tem assistido aos jogos do Glorioso ou lido meus textos já havia percebido: João Paulo é o cérebro do time. Ilha de qualidade técnica, é ele quem faz o time rodar, conseguindo com primor a transição defesa-ataque, marcando com eficiência e saindo para armar com a bola no pé, girando o meio-campo. Não teremos mais isso em 2018.

Vitor Silva / SSPress

Vitor Silva / SSPress
Time foi guerreiro, mas falhou demais defensivamente

Com a saída de JP, o time se perdeu. Os defensores perderam a referência na saída de bola, os meias não tinham mais quem viesse de trás com a bola e, claro, todos sentiram o impacto da lesão gravíssima do companheiro – que, para o infeliz árbitro (mais um), foi lance apenas para cartão amarelo.

A temporada já seria complicadíssima, com o foco claro em evitar o rebaixamento o quanto antes no Brasileirão; agora, a missão tornou-se incalculavelmente mais complicada. Sem nosso articulador, o melhor jogador do elenco, o Botafogo de Valentim precisará, outra vez, se reinventar.

O adversário, diante do nosso time atônito, abriu 2 a 0 com facilidade. Voltando do intervalo, o grupo ainda deu uma grande demonstração de poder de reação, conseguindo igualar o placar. Mas a defesa, exposta demais, acabou não resistindo aos contra-ataques enquanto tentávamos explorar as diversas fraquezas do Vasco.

A minha expectativa é simples: que o juiz seja banido do futebol e que o marginal do Rildo fique suspenso durante o mesmo período em que João Paulo não puder exercer sua profissão. O Vasco deu diversas entradas duras durante a partida, algo incomum – principalmente em jogos sem tanto apelo como o de hoje.

Não consigo projetar o futuro. Talvez nem queira, por enquanto. Resta aguardar para ver como o grupo reagirá à perda de seu melhor jogador. O futebol é assim e não nos esperará; daqui a 3 dias, já temos uma semifinal a disputar. Não sei como o Botafogo irá se comportar. Sei, apenas, que estarei ao seu lado.

#ForçaJoãoPaulo

Notas

Gatito Fernández: 6
Nas bolas possíveis, fez suas defesas. Sem culpa nos gols.

Marcinho: 3,5
Após boa sequência, fez partida trágica. Deixou uma avenida pela direita, por onde surgiram as melhores chances do rival. Levou um baile de Paulinho, que saiu do banco de reservas para ser o melhor em campo. Precisa corrigir o posicionamento, pois isso será bastante exigido em jogos grandes. De bom, o ótimo cruzamento para o gol de Brenner.

Marcelo: 4,5
Assim como todo o sistema defensivo, esteve bem abaixo do rendimento habitual. Esteve envolvido nos três gols do Vasco, falhando direta ou indiretamente em todos.

Igor Rabello: 5
O menos pior de toda a defesa; ainda assim, não fez um bom jogo. Perdeu várias bolas no jogo aéreo, o que não costuma acontecer. Até no ataque, onde costuma aparecer bem, atrapalhou mais do que ajudou.

Moisés: 5,5
Foi a melhor opção de saída de bola após a lesão de João Paulo. Presença constante no campo de ataque. No entanto, não foi bem na recomposição, deixando espaços na lateral.

Rodrigo Lindoso: 5,5
Alternou bons e maus momentos. Erra passes simples e inventa lançamentos desnecessários. Porém, foi importante no momento de reação do Botafogo dentro do jogo. Precisará subir bastante o seu nível de atuação para assumir o protagonismo de João.

João Paulo: sem nota
Infelizmente, hoje não tive tempo para avaliar o nosso melhor jogador. Uma entrada criminosa logo aos 2 minutos o tirou não só do jogo, mas de toda a temporada. Estaremos aqui aguardando pela sua volta, Capitão. Você é guerreiro demais e vai superar mais esse obstáculo. Volta logo!

Leo Valencia: 5,5
Reprovada a possibilidade de jogar aberto. Até teve participações interessantes, como cortes para dentro e finalizações ou cruzamentos na diagonal. No entanto, é nula a sua percepção tática, sobrecarregando todo o lado esquerdo por não conseguir recompor. Se jogar, tem que ser centralizado.

Marcos Vinicius: 4,5
Foram poucas as vezes em que lembrei que estava em campo. Muito discreto, pouco participou do jogo. Não tem condição física para 90 minutos. É apenas uma boa opção para o segundo tempo.

Ezequiel: 4
O ótimo futebol mostrado no segundo tempo contra o Cruzeiro, na última partida de 2017, ainda não apareceu nessa temporada. Potencial ele tem, isso é inegável, mas talvez seja cedo para ser titular absoluto.

Brenner: 6
Já estávamos acostumados com a boa movimentação de Kieza. Brenner é mais “paradão”, centroavante das antigas, sem muita mobilidade. Assim, participa pouco do jogo. Quando a bola chega, costuma guardar – como fez no bom cruzamento de Marcinho. No entanto, em um jogo pegado e corrido como o de hoje, acaba aparecendo menos que os outros.

Marcelo: 4
Não gosto de julgar jogadores em seus primeiros minutos com nosso manto, mas foi bem difícil encontrar algo positivo na atuação do novo volante. Até por ser combativo, deixou muito a desejar na troca de passes e irritou a torcida. Deixou vários espaços. Sua participação foi bastante desanimadora.

Luiz Fernando: 8
Enfim, desencantou. Entrou muito bem, chamou a responsabilidade, fez linda jogada no lance do primeiro gol e participou intensamente com tabelas e enfiadas de bola. Deu o gol de empate para Pimpão, que perdeu sozinho. É essa personalidade que queremos ver.

Rodrigo Pimpão: 5
Deu alguma movimentação pelo lado esquerdo e dialogou bem com Moisés, ajudando na fluidez das jogadas. No entanto, voltou a voltar sua falta de faro de gol ao perder chance sozinho debaixo das traves. Infelizmente, diante da carência total do elenco, ainda acho que não pode ser reserva. Fecha bem os espaços pela esquerda, apesar de todos os defeitos.

Alberto Valentim: 6,5
Não tinha muitas alternativas para preencher a lacuna deixada por João Paulo. A tentativa com Valencia aberto é válida, pois o Carioca é o espaço para testes. Parece ter recuperado o grupo no intervalo e soube motivar e gerar poder de reação. Com a ausência de João por um bom tempo, precisa dar espaço a jogadores que ainda não utilizou, como Wenderson e Bochecha.

Fonte: Blog Preto no Branco - Pedro Chilingue - ESPN FC