Em junho deste ano o Palmeiras negociou o jovem atacante Fernando, de 19 anos, para o Shakthar Donetsk, da Ucrânia, por 5,5 milhões de euros, após o menino ter feito apenas dois jogos nos profissionais.

Agora em dezembro, o clube paulista adquiriu 75% dos direitos econômicos (100% dos federativos) do volante Matheus Fernandes, de 20, pagando ao Botafogo, em duas parcelas, o equivalente a 3,5 milhões de euros.

Detalhe: o jogador alvinegro, nove meses mais velho, tinha no currículo 85 jogos nos profissionais – 55 deles no Brasileiro, sete na Libertadores, cinco na Sul-Americana e cinco na Copa do Brasil.

Matheus Fernandes, volante de estilo elegante, eficiente no desarme e com histórico na seleção brasileira das categorias de base, é tido como um dos mais promissores da posição.

Mas nem por isso o Botafogo conseguiu fazer dele um destes meninos vendidos a peso de ouro para o exterior.

Com exceção de Vitinho, atacante à época com 20 anos negociado ao CSKA da Rússia em 2013 por dez milhões de euros, com 43 jogos nos profissionais (o clube tinha 60% dos direitos), não lembro de outra boa negociação envolvendo transferência de um ativo da base alvinegra.

É preciso, então, profunda reflexão sobre o tema.

Desde então, talvez os cinco milhões de euros que o Olympique de Marselha pagou pelos direitos do zagueiro Dória, de 20 anos em 2014, tenha sido a melhor negociação – valor oficial, registre-se, publicado pelo site Transfermarkt.

Em 2016, o Botafogo vendeu o atacante Ribamar, de 19 anos, ao TSV Munique 1860, da Segunda Divisão da Alemanha, por 2,5 milhões de euros em 2016, e talvez fizesse algum dinheiro se o hoje cruzeirense Sassá justificasse a expectativa que se tinha por ele.

De qualquer forma, foi mais uma da base alvinegra que deixou o clube sem dar, sequer, um retorno técnico.

Ninguém vai me convencer de que a forma como o Botafogo se desfaz dos jogadores que produz é a mais correta.

Num levantamento básico, listo aqui jovens do sub 20 que se destacaram entre 2015 e 2018, mas que não estão em General Severiano.

Uns negociados, outros emprestados.

Casos do goleiro Saulo, do zagueiro Emerson Santos, dos laterais Victor Lindenberg, Caetano e Yuri (que na base era atacante), dos meias Dierson, Fernandes, Leandrinho, Jean, e Caio Alexandre, e dos atacantes Lucas Campos, Ribamar, Vinícius Tanque, Renan Gorne, Pachu, Ezequiel, e Jordan.

Será que os jovens que estão chegando são melhores do que aqueles que o clube por anos alimentou?

Fonte: Blog do Gilmar Ferreira - Extra Online