Lédio Carmona é um dos comentaristas de que mais gosto e respeito, razão pela qual ele entenderá perfeitamente o que vem a seguir e, espero, você também.

Flamengo e Botafogo jogavam havia 10 minutos no Maracanã e ele comentou, no Sportv, repleto de razão, como fotografia do que acontecia, que o jogo estava longe de ser um primor técnico, que eram inúmeros os erros de passes, “mas” que o clássico, e é contra este “mas” que me insurgirei, estava impressionantemente intenso, com os dois times se doando, marcando implacavelmente.

E por que me insurjo contra o “mas”?

Porque já cansei de fazer o mesmo.

E cansei de fazê-lo.

Porque parece uma compensação para tornar jogos ruins em jogos aceitáveis.

O mesmo poderia ter sido dito dos primeiros 40 minutos do dérbi paulistano, que terminara minutos antes.

Verdade que, ao menos, no clássico carioca, com 26 minutos de jogo, o Botafogo já havia criado duas chances de gol, coisa que, no paulistano, só aconteceu depois do 41.o minuto e que, aos 33, Alecsandro abriu o placar para o Mengo.

Só que o resultado desses nossos “mas” é a complacência que redunda em…7 a 1.

Por mais chatos que sejamos ou pareçamos ser, basta de passar a mão na cabeça de cabeças de bagres, estejam em campo ou estejam no banco.

Temos o direito de ver jogos com a qualidade que vimos na Copa do Mundo, sem contemplação.

Doação em campo é obrigação, dar bons espetáculos é para quem pode e se quem estiver em campo não puder dá-los, que fique fora de campo.

Quando o primeiro tempo terminou, com o Flamengo na frente, a sensação era a de que tinha acabado de ver uma renhida pelada, dessas que vemos na praia ou na várzea.

Claro, como a torcida do Corinthians, a do Flamengo cantava feliz da vida, mas nenhum dos times mostra futebol à altura dos estádios em que ambos jogam.

Quantos torcedores voltarão depois do que viram?

15 mil?

É a média do Brasileirão e é ridícula.

O segundo tempo não foi diferente, num desfile de ruindade em que poucos se salvaram.

Quando se olha para o Botafogo e lá está, de novo, Carlos Alberto, fica claro como existem adeptos do me engana que eu gosto.

Quando se vê um grupo, que ouviu seu presidente dizer que pensa em tirar o time de campo, entrar no Maracanã protestando contra salários atrasados, por mais que tenha se esforçado, e esforço não faltou, só pode dar no que deu: na segunda vitória rubro-negra em seu 12º jogo, o que ainda lhe garante a fuga da lanterna.

E olhe que aos 45, o zagueiro Marcelo entregou o ouro, mas a incompetência de Zeballos não aproveitou, num verdadeiro show de horrores.

No estádio corintiano, ao menos, teve mais um gol.

Fonte: Blog do Juca Kfouri - UOL