O Botafogo finalmente deu as caras em 2016. Superando suas limitações e jogando com muita garra, o Glorioso manteve os 100% de aproveitamento contra os times pequenos no Campeonato Carioca. No entanto, contra o Fluminense, a nossa equipe finalmente apresentou um futebol aceitável, principalmente na primeira etapa, quando liquidou a fatura ao abrir 2 a 0 em 23 minutos.

Ricardo Gomes esteve inspirado. Barrou os gringos peladeiros no meio-campo, deu vez aos garotos e substituiu bem no decorrer da partida. A tática vai ganhando forma e o futebol, naturalmente, começou a aparecer. Nada que seja capaz de empolgar, mas a evolução foi nítida. O objetivo agora é manter a crescente no desempenho e buscar reforços específicos – falarei sobre isso na próxima postagem.

Os destaques da partida foram Aírton, a quem defendo aqui desde 2014, e Ribamar, o nosso mais novo garoto de ouro. O importante é que seguimos batendo o time das três cores onde quer que seja; Recife, Brasília, Rio de Janeiro, Espírito Santo… qualquer lugar é lugar pra despachar os almofadinhas das Laranjeiras.

Com o bom futebol demonstrado hoje, já estamos minimamente preparados pra enfrentar o primeiro clássico do ano, domingo, contra o Vasco. Os dois invictos do Carioquinha se enfrentam em São Januário com a promessa de ótima partida. O Cruzmaltino está em bom momento e reformula sua equipe, assim como o Glorioso.

A partir de hoje, em jogos importantes, farei uma pequena avaliação individual da nossa equipe. A ideia é manter algo parecido em todas as 38 rodadas do Campeonato Brasileiro.

Jéfferson: 10
Apesar de pouquíssimo exigido na noite de hoje, esteve muito bem como de costume. A nota é dez sempre, sim.

Luis Ricardo: 6
Em sua melhor atuação pelo Botafogo, não comprometeu na defesa e não me fez xingá-lo mais de 5 vezes. Pra quem é, tá bom. Mas gostaria de ver o Diego e o Marcinho com mais chances, principalmente no Estadual.

Joel Carli: 7
Nosso Jim Carrey argentino foi seguro e mostrou muita seriedade – e algumas botinadas, como um bom zagueiro-zagueiro portenho. Irritou o Fred e isso é bom demais. Muito bem no jogo aéreo.

Emerson: 7
Adquirindo confiança aos poucos, nosso garoto não comprometeu. Ainda tem muito mais pra mostrar se quiser repetir o bom desempenho das categorias de base. Precisa, também, parar de tentar lançamentos – ou, então, treiná-los.

Diogo Barbosa: 8
De longe, sua melhor atuação. Seguro na defesa, mesmo sem cobertura – alô, Gegê e Neílton, que tal recompor sem a bola? – e incisivo no ataque. Excelente cruzamento pro gol de Gegê. Mostrou fôlego ao subir e voltar até o final.

Aírton: 9
O dono do time. Com a cabeça no lugar, é excelente jogador. Marca firme, desarma bem e tem qualidade na saída de bola. Suas boas atuações dão moral com a torcida e apagam seu passado no Lado do Mal, o que é ótimo. Espero que mantenha o foco.

Bruno Silva: 6,5
Alternou ótimos momentos com lances bisonhos. No novo esquema, pareceu ainda um pouco perdido. Foi uma boa contratação pelo que jogou na Chapecoense em 2015, eu mesmo o pedi aqui, então é hora de se firmar. Capacidade ele tem.

Rodrigo Lindoso: 7
Manteve a média do time, com bons desarmes e acelerando a saída pro jogo. Jogando com outros dois volantes, tem mais liberdade pra chegar à frente. Precisa caprichar mais no passe final, justificando o seu passado de meia. Ainda pode evoluir.

Gegê: 7
Poderia ser nota 9, mas irrita com seus duzentos passes errados e jogadas atrasadas. Tem feito gols e isso é importante pra dar confiança, sempre se apresenta bastante pro jogo, mas precisa acertar mais. Como único meia de ofício, não pode ter aproveitamento baixo nos passes. No esquema atual, também precisa ser mais eficiente na recomposição; Diogo precisa de sua dobradinha na marcação.

Ribamar: 10
Mereceu a nota máxima pelo contexto. O gol, arrisco dizer, foi o de menos. Excelente movimentação, bons dribles, ótimo posicionamento, passes certos e arrancadas com e sem a bola. Seu futuro me parece promissor. Ao bancar o Gervasio, deu dinâmica e profundidade ao time. Cai bem pelo centro e pelas pontas. Grande noite.

Luis Henrique: 5
Destoou do resto do time. Pareceu perdido com o novo esquema e muitas vezes trombou com o Ribamar. Precisa ser menos individualista e se ligar mais durante os 90 minutos. Tem muito potencial e precisa mostrar isso em campo. A diretoria precisa contratar um 9 titular, antes que consiga queimar nossa maior jóia.

Neílton e Salgueiro: Sem nota
Entraram e não participaram muito. Neílton poderia ter feito mais, tanto no ataque quanto na recomposição. Segurar a bola na frente e voltar para ajudar na marcação, com certeza, foram os objetivos de Ricardo Gomes ao colocá-lo. Já Salgueiro mostrou ser esperto, como já sabemos, mas está totalmente sem ritmo de jogo. Sua escalação me pareceu precipitada.

Ricardo Gomes: 8,5
Surpreendente. Escalou bem, substituiu bem – pelo menos na teoria – e tem inovado nas táticas, algo que eu não esperava. Variando entre três esquemas – 4-1-4-1, 4-4-1-1 e 4-3-2-1, mostrou ter estudado nas férias. Precisa de material humano mais qualificado. Minha única crítica é a falta de chances ao Fernandes, algo que vem desde a pré-temporada. Ele pode ser bastante útil, principalmente nas novas táticas.

Observações:

– Assim como as más atuações não eram o fim do mundo, a boa partida de hoje não pode empolgar ninguém. É preciso elogiar, sim, mas sem exageros. O time é limitado e exige que joguemos sempre no limite, como foi hoje.

– Seguimos esperando os reforços prometidos pela diretoria. Principalmente um atacante que seja referência para os garotos e meias com poder de criação, criatividade e, de preferência, que saibam jogar nos extremos. E, por favor, sem novos Yacas e Lizios…

Fonte: Blog Preto no Branco - Pedro Chilingue - ESPN FC