Há muitas formas de se analisar a opção da diretoria do Botafogo, ao escolher Eduardo Hungaro como treinador da equipe no ano do retorno à Libertadores. O primeiro delas é a recusa em pagar os valores exorbitantes que a grande maioria dos profissionais exige. A medida é louvável, e talvez (ou tomara?) seja a realidade dos grandes clubes daqui a poucos anos. Contudo, duas perguntam devem ser respondidas. A primeira e mais importante delas: a economia que será feita no treinador será revertida para o fortalecimento do elenco? E depois: após dezessete anos sem disputar a Libertadores, era o momento ideal para tomar uma atitude tão arriscada?

Hungaro, de 50 anos, jamais dirigiu um grande clube na carreira. Mesmo assim, o profissional é visto com bons olhos dentro no Glorioso. Todos em General Severiano têm certeza de que ele é completamente capaz de dar continuidade ao bom trabalho de Oswaldo. O problema é que não basta que quem pilote o avião esteja tranquilo de que a aeronave não cairá. A tripulação (leia-se elenco e torcida) precisa confiar. É besteira achar que tais fatores não interferem na viagem.

O risco de pôr alguém sem experiência no cargo é ainda maior em razão do calendário alvinegro. Uma atuação ruim em Quito, no primeiro jogo da Libertadores, poderá comprometer todo o trabalho.

Qualquer decisão que saia do lugar-comum no viciado meio do futebol merece ser enaltecida. E nisso a diretoria do Botafogo está de parabéns. Agora, a solução para aumentar a probabilidade de se ter sucesso é dar bons jogadores para Hungaro trabalhar. Hoje, nem Tite, Cuca ou outro medalhão faria um grande trabalho com o elenco que o Glorioso possui.

Fonte: Blog Ninguém Cala - Lancenet!