Arruda vazio. Santa Cruz jogando suas últimas fichas na permanência na Série A. Nas costas, o peso de três meses de salários atrasados para os jogadores e cinco para funcionários. Ao som do Orquestrão Tricolor, mais parecia uma marcha fúnebre rumo ao rebaixamento.

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Do outro lado, o Botafogo. Vindo de uma maratona de vitórias, encarava um adversário bem mais complicado: o cansaço. Com o time desfalcado e visivelmente esgotado fisicamente, Jair enfrentava as adversidades com a naturalidade de quem transformou uma campanha de rebaixado em uma equipe quase impossível de ser vencida.

Diante de todos esses fatores, não dava pra esperar um jogo de qualidade técnica muito elevada. As divididas foram constantes, os chutões também. Mas, dos dois lados, diferentes formas de mostrar o último gás. O desespero do virtual rebaixado contra o escasso fôlego de uma das equipes mais batalhadores que já vi.

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No entanto, esse Botafogo sabe o que quer. Não é mais aquele amontoado do 1º turno, que rezava pra estar em um dia inspirado. Dentro da sua proposta, o Alvinegro procurou explorar as deficiências e o desequilíbrio de um adversário limitadíssimo. As chances, embora não muitas, eram lá e cá. Jogo corrido e disputado até a última gota de suor.

Criamos boas chances. Em uma delas, Bruno Silva foi derrubado em pênalti claríssimo ignorado pelo árbitro. Em outra, Emerson escorou um cruzamento e tirou tinta da trave. O Botafogo, ao passo que lutava para não ficar sem ar, buscava o contra-ataque letal para matar o jogo.

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O apito final se aproximava e o fim das nossas energias também. Os jogadores, embora exaustos, não desistiam. É a marca desse grupo, aliás. Mas será que era possível marcar no apagar das luzes novamente? Vínhamos de três vitórias consecutivas com gols depois dos 40′ do 2º tempo.

Sim, era possível. Lembrem-se do que falei nos últimos textos: não me dou mais o direito de duvidar desse time. Não há impossível para eles. Coloquem um terceiro turno e seremos campeões dessa bagaça. Ou você duvida? Olha lá, hein!

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Aos 43 minutos, Alemão cruzou de canhota e a bola cruzou toda a extensão da área até encontrar a cabeça de Rodrigo Pimpão, que só escorou e saiu para o abraço. Dessa vez, junto com a explosão de alegria de sempre, veio a incontrolável risada enquanto pensava “puta que pariu, de novo!” e segurava o choro ao mesmo tempo.

Quem imaginava, há seis meses, que estaríamos passando por isso? Tem que ser muito cara de pau para dizer que já sabia. Jair herdou um elenco remendado – obrigado, São Paulo – e usou nossas deficiências para montar um plano de jogo. Todos os méritos a ele e a esses caras que deram a volta por cima e passaram a jogar um futebol de primeira. Superação é o sobrenome de quem luta.

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Que venham os merecidos 10 dias de descanso a esse grupo. Que tragam o repouso merecido e o tempo necessário para ajustarmos o que há de errado para encararmos a reta final do campeonato. A Libertadores é logo ali.

Notas

Sidão: 8
Muito bem nas intervenções necessárias, tanto em defesas quanto em saídas em bolas cruzadas na área. Como todo bom goleiro, também contou com a sorte na falta de João Paulo – que explodiu na trave.

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Alemão: 7,5
Incansável no apoio, foi mais efetivo com Sassá de referência. Cruzou a bola de pé trocado e deu a segunda assistência para Pimpão em dois jogos.

Joel Carli: 8,5
Mais uma partidaça. É visível a diferença de postura da defesa com ele em campo. Além de cortar todas por baixo e por cima, anulou Keno e ainda se arriscou no ataque.

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Emerson: 7
Apesar de se atrapalhar em alguns momentos, foi bem na maioria dos lances.

Victor Luis: 7,5
Foi opção constante pela esquerda, mesmo visivelmente esgotado fisicamente. Como eu queria que ele ficasse pra 2017…

Rodrigo Lindoso: 5,5
Sem Aírton, é o principal homem da saída de bola. No entanto, não conseguiu fazer o jogo fluir e voltou a errar muitos passes.

Dudu Cearense: 6
Bem em algumas antecipações, mas peca demais ao não conseguir acelerar o jogo. Quando precisa pensar rápido, erra muitos passes.

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Bruno Silva: 6,5
O melhor dos volantes. Participativo na defesa e no ataque, desarmou algumas jogadas e ainda sofreu um pênalti claríssimo não marcado.

Camilo: 6
Muito importante nas bolas paradas. Já com a bola rolando, não tem conseguido dialogar bem com volantes e atacantes e nem criar muito na armação. Com o período de 10 dias sem jogos, é provável que recupere o bom futebol.

Neílton: 7
Embora não muito intenso como nas últimas partidas, foi boa válvula de escape pelos lados. Outro que vem sentindo demais a sequência de jogos.

Rodrigo Pimpão: 7,5
Tem se destacado até mais pela inteligência do que pela parte técnica. Foi esperto no posicionamento e fez gol de centroavante oportunista. Cresceu demais nessa reta final depois de algumas partidas deploráveis.

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Sassá: 7
Dá outra cara ao setor ofensivo. Como referência, evoluiu muito seu posicionamento e sua movimentação sem a bola.

Gervasio Nuñez: 6
Entrou para quebrar galho fora de posição devido ao cansaço de Victor Luis e foi correto.

Leandrinho: 6
Praticamente não encostou na bola, mas sua entrada serviu para tornar o time mais incisivo e ofensivo nos últimos minutos.

Jair Ventura: 9
Sua estrela é impressionante. Foi a quarta vitória com gol depois dos 40 do segundo tempo. Conseguiu superar o desgaste físico do elenco e montar uma estratégia eficiente mais uma vez.

Fonte: Blog Preto no Branco - Pedro Chilingue - ESPN FC
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