O Botafogo é surreal. Tolos aqueles que tentam o entender. É pura perda de tempo tentar decifrar seus caminhos e compreender os acontecimentos que o norteiam. O Glorioso não se explica; resta – e basta – senti-lo.

O Alvinegro não é para aquela pessoa que diz torcer mas pouco acompanha. Não existe a frase “sou Botafogo, mas não gosto muito de futebol” como tanto vemos com aquele clube da beira da lagoa. Ele é intenso, inacreditável, apaixonante e surreal.

Só ele é capaz de nos levar do ódio intenso ao êxtase de felicidade. Só ele é capaz de nos emocionar, com a mesma intensidade, numa final de campeonato ou na terceira rodada do Brasileirão. Só ele é capaz de transformar uma partida comum em um filme.

Nas últimas cinco partidas, assumimos uma nova faceta. Acostumados a sofrer gols no fim das partidas, estamos presenciando um milagre: nas últimas cinco partidas, marcamos nos acréscimos em quatro; na quinta, contra o Palmeiras, um gol aos 36′ do 2º tempo – o que pra nós, ultimamente, tem sido até cedo.

Ainda assim, mesmo sendo o quinto jogo seguido, comemoramos como se fosse a primeira. Ver a torcida do Botafogo explodir de alegria é uma das melhores sensações que a vida de arquibancada me proporciona. Imagina se tivéssemos um time que correspondesse em campo com títulos a tamanha dedicação, entrega, paixão e loucura.

Vitor Silva / SSPress / Botafogo

Vitor Silva / SSPress / Botafogo
Gilson foi o herói improvável da noite

Em campo, contra os bons reservas do Grêmio, não fizemos um bom jogo. Após um primeiro tempo razoável e equilibrado, vimos o Grêmio dominar a posse de bola e tomar conta do meio-campo. Em nenhum momento estivemos organizados e sabendo o que fazer com a bola para criar novas chances.

A saída de bola, desde a perda de João Paulo por lesão, está bem prejudicada. Os zagueiros precisam avançar com a bola e lançar para os laterais; quando finalmente algum dos volantes se apresenta, falta qualidade e visão para distribuir a posse para o campo de ataque de maneira eficiente.

Apesar disso, o time nunca deixa de lutar. Entre uma rara chance de gol e um cruzamento nas mãos do goleiro, já lamentávamos o terceiro empate em três jogos. Não seria possível achar um gol nos acréscimos novamente… Tolos, nós. Era possível, sim. Para o Botafogo, tudo é possível.

Para ficar ainda mais improvável, o tiro de misericórdia saiu dos pés de Gilson, o lateral-esquerdo reserva e bastante contestado por boa parte da torcida. A entidade que invade o Botafogo nos minutos finais caprichou. A torcida vibrou, cantou e foi para casa sorrindo.

Ao olhar para a tabela, vejo o Botafogo em 2º lugar. O realismo óbvio me faz pensar que é apenas a terceira rodada e temos um jogo a mais. Mas qual seria a graça do futebol sem os sonhos? Os paulistas que abram o olho. Ou você vai duvidar do Botafogo?

Notas

Jéfferson: 6
Pouco exigido e sem culpa no gol. Ajudou na saída de bola e até drible deu.

Marcinho: 6,5
No geral, fez um bom jogo. Mandou bem nas jogadas individuais e se apresentou bastante. No entanto, pecou nos cruzamentos – logo o seu melhor fundamento.

Joel Carli: 6
O capitão teve um pouco de dificuldade com a velocidade dos gremistas, mas soube cercar bem, fazer alguns desarmes e até cometer a falta quando necessário. Falhou, assim como todo o sistema defensivo, no lance do gol.

Igor Rabello: 5,5
No geral, manteve o mesmo nível do seu companheiro de zaga. No entanto, subiu junto com Michel e não evitou o gol – inclusive ajudando a cabecear para dentro.

Gilson: 8
Deixou alguns espaços em descidas do Grêmio pelo seu lado. Fora isso, foi opção constante pela esquerda, fez bons cruzamentos e deu a vitória ao Fogão em lindo chute de fora. Nem parecia ele.

Rodrigo Lindoso: 5
Sonolento, deixou espaços em frente à área e não ajudou na saída de bola. Passeou em campo, errando passes e sendo desarmado com muita facilidade.

Matheus Fernandes: 5,5
Quase fez um bonito gol de canhota no início do jogo. E só. Deixou espaços na marcação e errou muitos passes e chutes. Vinha em uma boa sequência, mas hoje deixou a desejar.

Leo Valencia: 4,5
Fica até repetitivo: apagado, pouco produziu. Poderia deixar a nota e os comentários dele fixos para todos os textos. São raras as boas aparições do chileno, que já deveria ter perdido a titularidade há algum tempo.

Renatinho: 5
Fez o seu primeiro mau jogo pelo Botafogo. Muita movimentação, mas parecia nervoso ao errar passes, domínios e arrancadas. Deixou a bola sair pela linha de fundo duas vezes sem necessidade. Piorou ao ser deslocado para a função de Valencia pela esquerda. Voltando de lesão, precisa de sequência.

Rodrigo Pimpão: 5
Participou pouco do jogo até sair lesionado. Parece sentir muito a desconfiança da torcida, principalmente nos jogos em casa.

Brenner: 7
Fez um belo gol e participou bem com pivôs e tabelas. Poderia ter tido um aproveitamento melhor nos passes, o que ajudaria no último terço.

Marcos Vinicius: 3,5
Entrou mal demais e errou tudo, desde passes de 2 metros a chutes de fora da área. Bisonho.

Ezequiel: 4,5
Deu mais velocidade ao time, mas perdeu um gol feito. Faltou personalidade – o que ele sempre teve de sobra – para tentar partir para cima em jogadas individuais.

Kieza: sem nota
Jogou cerca de 10 minutos e pouco participou.

Alberto Valentim: 6
Seu time começou pareando com um Grêmio muito bem treinado. No entanto, deixou espaços na intermediária e permitiu que entrassem em nossa área trocando passes com extrema facilidade. Novamente sofremos um gol de bola aérea. A escolha por Marcos Vinicius não foi boa, embora tenha acertado ao tirar Valencia. Precisa treinar mais a saída de bola, ainda debilitada sem João Paulo.

Fonte: Blog do Pedro Chilingue - Preto no Branco - ESPN