Rio de Janeiro, domingo, verão, praia, cerveja, futebol e clássico. Tem como estragar?

Infelizmente, sim.

O que se viu hoje nos entornos do Estádio Nilton Santos foi mais que o suficiente pra estragar o clima de rivalidade do atual maior clássico do estado. Marginais – me recuso a chamar de torcedores – brigavam entre si e também com a polícia. Bombas, tiros, sangue e muito medo.

No entanto, para a FERJ e para o presidente rubro-negro, “tudo estava tranquilo” e o jogo “poderia acontecer normalmente”. A reação de conformismo diante de uma barbárie é o reflexo de quem se acostumou a ignorar a violência. Os interesses políticos acima do bem-estar coletivo batem na nossa cara e mostra que nem mesmo a tragédia da Chapecoense serviu para colocarmos a cabeça no lugar e as coisas nos trilhos da paz.

Armando Paiva/ Agif/Gazeta Press

Armando Paiva/ Agif/Gazeta Press
Correria, desespero e pânico: cena comum neste domingo no Estádio Nilton Santos

O clássico acabou antes mesmo de começar. O pânico vivido pelos torcedores e as fotos de crianças chorando assustadas foram o ponto final deste domingo. Ainda assim, a federação de futebol do Rio de Janeiro, que só serve pra sugar dinheiro dos clubes e maltratar os verdadeiros apaixonados por futebol, prosseguiu com o que chama de “espetáculo”. Está tudo errado.

É óbvio que existem marginais dos dois lados, mas as ações praticadas por bandidos disfarçados de flamenguistas foram assustadoras. Destruíram bares, impediram botafoguenses de sair dos trens rumo ao estádio e até tentaram invadir o setor Oeste, onde não havia torcidas organizadas do Botafogo – seus prováveis alvos. Se estivéssemos em um país sério, punições severas deveriam rolar – independente do time.

Com a bola rolando, o Flamengo, com força máxima, suou sangue para conseguir vencer o Botafogo reserva e às vésperas de seu jogo mais importante do ano até aqui. O resultado mais justo seria o empate, principalmente depois das duas bolas de Leandrinho na trave. Com o resultado, o Alvinegro está eliminado da Taça Guanabara – mas, sinceramente, quem se importa com isso?

Agora é momento de juntar energias, superar o trauma sofrido pela guerra de hoje e voltar ao Niltão, dessa vez em clima de paz, e fazer mais uma linda festa. Lugar de torcedor de verdade é na arquibancada e sua arma é a garganta. Esqueçamos os péssimos exemplos de hoje e nos encontremos em nossa casa pra empurrar o Glorioso rumo à fase de grupos.

Notas

Hélton Leite: 4,5
Muito inseguro, até pela falta de ritmo. Precisa aprender quando deve sair debaixo das traves, como no 1º gol do Flamengo – ali, a bola era dele.

Marcinho: 6
Sobrecarregado na marcação, não conseguiu ser a boa opção ofensiva nem repetir o bom desempenho das últimas partidas.

Renan Fonseca: 6
Pouco foi notado em campo, o que já faz dessa uma de suas melhores atuações desde janeiro do ano passado.

Igor Rabello: 5
Vinha bem nas rebatidas e nos avanços à área adversária, mas falhou no gol de Guerrero.

Gilson: 4
Sua falta de qualidade irritaria um monge. Marcou mal, falhou na cobertura de Rabello no 1º gol do Fla e foi péssimo em todas as subidas ao ataque, terminando o jogo sem acertar um cruzamento. Yuri ou Victor Lindenberg deveriam ser testados por ali.

Dudu Cearense: 7
O mais lúcido do meio-campo, tentava organizar a equipe a partir de nossa intermediária e iniciou o lance do gol. Não sei se havia algum planejamento em prol do jogo de quarta, mas não entendi sua substituição no intervalo.

Rodrigo Lindoso: 4,5
Mais uma partida ruim. Deixou a desejar tanto na compactação defensiva quanto na chegada ao ataque.

Matheus Fernandes: 6
Ainda em momento de transição, foi mediano. Foi se soltando conforme o tempo passava e conseguiu ajudar no dinamismo do meio de campo

João Paulo: 5,5
Começou muito mal e não conseguia se encontrar em campo. Na segunda metade do segundo tempo, melhorou um pouco – mas ainda está devendo.

Guilherme: 6,5
É visivelmente fraco na parte técnica, joga de cabeça baixa e, na maioria das vezes, não pensa antes de realizar as jogadas. Ainda assim, foi quem mais incomodou a defesa adversária, caindo pelos lados. Boa assistência no gol de Roger.

Roger: 7
Pediu para jogar o clássico, vestiu camisa em homenagem ao eterno Heleno e fez seu primeiro gol pelo Botafogo. Mostrou vontade, inclusive recuando para buscar jogo. Ganhando ritmo, vem sendo bem mais útil.

Bruno Silva: 6
Entrou no intervalo, lutou, mas não conseguiu levar o Alvinegro à frente.

Leandrinho: 6,5
No lugar de Lindoso, melhorou o time e ajudou nas jogadas de ataque. Com muita luta e movimentação, acertou duas bolas na trave. Lembrou um pouco o bom jogador que foi na base.

Vinicius Tanque: 6
Uma boa jogada pela direita, onde deu boa assistência para Leandrinho, mas foi só. Não teve chances de finalizar.

Jair Ventura: 6
Acertou ao poupar os titulares. Seu time reserva mostrou organização e muita vontade, mas faltou qualidade no último terço do campo. Seu único erro – que, repito, não sei se foi alguma estratégia prévia – foi substituir Dudu Cearense ao invés de Lindoso no intervalo. Agora é preparar os titulares pra decisão de quarta-feira.

Fonte: Blog Preto no Branco - Pedro Chilingue - ESPN FC