Enquanto enxugo as lágrimas e olho pro céu como quem espera uma justificativa, faço um exercício mental: primeiro, olho para trás e vejo todo o caminho que percorremos desde o ano passado; depois, olho para frente e vejo o quão pouco faltava para alcançarmos a glória em nosso continente.

É inegável que a eliminação na Libertadores dói demais. Não só por ser nas quartas de final e contra outro brasileiro, mas principalmente porque é o ponto final em uma linda história que começou no Z4 em 2016. Saber que acordaremos amanhã e não teremos a Copa para sonhar chega a machucar o coração.

Mas, ainda assim, me recuso a dizer que “o sonho acabou”. Não, nada disso. O sonho continua. Em 2017, plantamos uma sementinha. Mostramos que há, sim, muita margem entre a nossa grave crise financeira e a possibilidade de voltarmos a conquistar um título de expressão. Com muito trabalho e uma camisa pesada que fala por si, não houve quem não respeitasse o Botafogo.

Não temos o bolso cheio pela absurda cota de TV que ameaça cada dia mais a nossa competitividade, mas fomos muito mais longe do que todos apostavam. Do que nós mesmos apostávamos. E do que qualquer um poderia imaginar. Engolimos o rótulo de patinho feio e derrubamos campeão atrás de campeão. Enquanto uns diziam “revolucionar” o futebol nacional em uma liga falsificada que já nasceu morta, começávamos uma longa trajetória na pré-Libertadores.

ROBERTO VINICIUS/Gazeta Press

ROBERTO VINICIUS/Gazeta Press
Clima entre time e torcida tem ajudado muito na atual temporada

O Botafogo, hoje, me orgulha. E isso é representado pelos incríveis guerreiros alvinegros que estiveram em Porto Alegre e aplaudiram o time diante do apito final; a relação que estreitamos durante essa temporada e o show que demos nas arquibancadas continuarão a nos empurrar. O tempo não para e, no domingo, já temos uma nova batalha visando voltar a essa competição maravilhosa.

E esse deve ser o objetivo daqui em diante. Pensar grande, frequentar a Libertadores todo ano e chegar sempre como um time competitivo, independente do valor financeiro. Vejam aí, Flamengo e Corinthians, os queridinhos endinheirados da mídia, há quanto tempo já foram eliminados da Copa? Para vencer é preciso ter culhão, não notas de cem.

Chorem hoje. Lamentem hoje. Fiquem triste hoje. A partir de amanhã, acordem com uma única missão na cabeça: terminar o Brasileirão no G4, confirmando nossa volta à Copa. Esse ano não terá uma próxima festa em nossa casa; por isso, lutemos para estar lá em 2018.

Além do time, a torcida, essa que tem sofrido tanto nas últimas décadas, merece todo o reconhecimento. Demos show, lotamos estádios e nos destacamos pela América. Mostramos, acima de tudo, que basta merecer que comparecemos. Não somos uma torcida pequena, somos uma torcida cansada de apanhar. Mas os jogos no Niltão, assim como em Uruguai, Paraguai, Equador, Argentina e Porto Alegre, mostram que basta uma fagulha para reacender essa paixão louca e ensurdecedora. Não se compara.

Até logo, Libertadores. Nos vemos em breve.

Notas

Gatito Fernández: 7,5
Sem culpa no gol e grandes defesas durante o jogo.

Arnaldo: 6,5
Fez boa partida, sobretudo no primeiro tempo. Fechou seu lado como pôde e tentou sair na boa.

Joel Carli: 6,5
Segurou bem o ataque do Grêmio e no final do jogo atacou de centro-avante.

Igor Rabello: 6,5
Um pouco atabalhoado em alguns lances, mas foi bem no geral. Ajudou na saída de bola.

Victor Luis: 7
Lutou muito, fechou bem seu lado e tentou ajudar no ataque na hora do desespero. Quase fez um belo gol de falta.

Rodrigo Lindoso: 6
Deixou alguns buracos entre as linhas e não foi tão eficiente na saída de bola, mas fez alguns desarmes importantes.

João Paulo: 5,5
Apagado, não repetiu as boas atuações. Faltou encostar mais no ataque para concluir as jogadas.

Matheus Fernandes: 5
Foi mal. Falhou no lance do gol, errou muitos passes e deixou espaços.

Bruno Silva: 6,5
Correu demais, mas não foi eficiente. Poderia caprichar mais no ataque.

Rodrigo Pimpão: 5
Importante na transição, mas não esteve inspirado. Errou muitos passes e pecou sempre no último toque. Foi fominha em alguns momentos.

Roger: 6,5
Lutou contra os zagueiros, fez alguns pivôs e deu passes inteligentes, mas sua falta de velocidade e intimidade com a bola atrasou alguns ataques.

Guilherme: 5
Entrou para aumentar o poder ofensivo mas não conseguiu criar um lance sequer. Nos fez perder minutos preciosos no fim.

Leo Valencia: 5
Outro que entrou para jogar o time para cima e pouco encostou na bola.

Brenner: sem nota
Entrou para fazer número na área e nem participou do jogo.

Jair Ventura: 7
Acertou na estratégia e o time foi muito superior no primeiro tempo. No segundo, o Grêmio se ajeitou e nós sentimos muito o gol sofrido. As substituições não surtiram efeito, mas não tinha nada de diferente para tentar.

Fonte: Blog do Pedro Chilingue - ESPN FC