Não há muito mais a dizer a este senhor Clarence Seedorf. “OBRIGADO”. Creio que o agradecimento em letras garrafais diz tudo.

Mas a coisa não acaba por aqui. O Brasil deve dizer um enorme obrigado a Seedorf. Mas deve, também, absorver o que ele deixou por aqui.

Seedorf não precisava, mas apoiou e participou do Bom Senso F.C., a melhor coisa que surgiu no futebol brasileiro na última década, pelo menos. Gastou seu tempo para ajudar os jogadores a melhorarem o nosso produto.

Seedorf não precisava, mas polemizou ao dar pitos e conclamar a torcida botafoguense a ir ao estádio. Sair de casa. Apoiar o time de verdade. No campo. Recado que serve para todos.

Seedorf não precisava, mas foi sempre o primeiro a chegar e o último a sair dos treinos. Deu exemplo. Mostrou a jovens, com muito ou nenhum futuro, que ser um profissional de futebol é outra coisa. Que profissionalismo nesta profissão é muito mais do que cumprir horários e jogar bola. Foi um espelho.

seedorf-adeus-brasilSeedorf deixa um legado. Muito mais, logicamente, dentro do Botafogo. Mas precisamos extrapolar para todo o país. Precisamos ter a humildade de pegar tudo o que ele falou, especialmente nas várias entrevistas de final de ano, com calma e tranquilidade, e pensar. E aplicar. Pensar, assimilar, aplicar.

Nosso futebol será melhor, nossa sociedade será melhor, conforme tenhamos mais Seedorfs. Profissionalismo, trabalho, dedicação, seriedade, honestidade. Como eu amo o intercâmbio.

Tenho certeza que Seedorf veio ao Brasil, também, para aprender. Não para ganhar dinheiro e tomar caipirinhas. Mas para assimilar coisas diferentes, já pensando em sua carreira como técnico de futebol. Assim como Guardiola, em fim de carreira, passou pelo pequeno Brescia, pelo Oriente Médio, foi buscar conhecimento no México e na Argentina. Seedorf escolheu outro país, mas com um plano parecido.

“Vim com a intenção de ver. Mas também não aceitar tudo. Tentar mudar algumas coisas. Aprendi”. Palavras de Seedorf em sua coletiva de despedida.

Seedorf acrescenteu a seu portfolio futebolístico muito do que viu aqui no Brasil. Em campo e fora dele. Começa um desafio e tanto, em um gigante adormecido e empobrecido, que é o Milan. Em que há muito o que fazer.

Poucos homens do mundo saberiam o que fazer no comando técnico deste Milan atual. Seedorf, tenho certeza, é um deles.

Boa sorte, Clarence. E obrigado por tudo.

Fonte: Blog do Julio Gomes - UOL