Sou Botafogo desde os 4 anos de idade. Aos 5, com a Túliomania, vivi, sem entender muito bem, o nosso segundo título brasileiro. Aos 12, comecei minha assiduidade em estádios – e, com ela, meu primeiro rebaixamento. Hoje, aos 25, no entanto, posso afirmar que vivo o pior momento ao lado da Estrela Solitária.

Não é culpa de A ou B, mas sim um acúmulo de más gestões que culminou num abismo sem fim. O Botafogo vive um caos em todas as vertentes de General Severiano e o buraco é cada vez maior. Diante do dia a dia desgastante, a torcida acaba se afastando – sem ter a menor culpa por isso, diga-se – e o drama aumenta ainda mais.

No futebol, que é e sempre será o carro-chefe, vamos de mal a pior. A falta de dinheiro é apenas uma muleta para justificar anos e anos de incompetência e falta de profissionalismo; a mostra disso é o bom trabalho que outros clubes fazem com até menos dinheiro. Nosso elenco atual é, provavelmente, o pior da Série A. O técnico é fraco e acaba sendo blindado por conta dos graves problemas físicos que enfrentou – e ainda enfrenta. Nosso gerente é obsoleto, ultrapassado e não faz ideia do que está fazendo. O futebol mudou, o mercado evoluiu e Antônio Lopes, claramente, não acompanhou o processo.

No jurídico, não é de hoje que passamos vergonha. Sai diretoria, entra diretoria e continuamos a perder todos os casos possíveis e imagináveis. Depois de Andrey, Gabriel, Daniel, Lucas e vários outros, entramos em 2016 perdendo Willian Arão e Henrique. Enquanto isso, Domingos Fleury segue sempre afirmando que “está tudo bem, não tem como o Botafogo perder essa causa”.

No marketing, uma confusão sem tamanho. Quase um ano e meio sem um patrocínio máster, muitas críticas com a “prostituição” de nosso uniforme com os anúncios pontuais – que eram promessas de parcerias duradouras no futuro. Aliás, promessa não cumprida é o forte dessa diretoria. Enquanto isso, o vice-presidente do departamento, Marcio Padilha, acha positivo discutir e soltar desaforos nas redes sociais, bloqueando e afastando todos que discordam. Chegou a classificar os perfis alternativos, que promovem o clube diariamente nas redes sociais, como “desnecessários e sem propósito” e que “não pagavam royalties” (!!!) pelo uso da imagem do clube. O anti-marketing em pessoa. Vale lembrar que parte disso também é responsabilidade de Clay Salgado, do comercial.

Sem falar também no sócio-torcedor, no qual eles despejam toda a responsabilidade por novas rendas, que ficou dois meses fora do ar em plena transição de temporadas. A torcida pedia contratações, eles pediam sócios e o sistema estava off. Para completar, nos novos planos finalmente lançados não consta o ingresso liberado – algo até compreensível pela ausência do Niltão nesta temporada – e, principalmente, o direito a voto, uma promessa de campanha.

Na tarde desta sexta-feira, dia 29/01, surgiu mais uma bomba: a possibilidade de o Botafogo não disputar o Campeonato Carioca pela falta de Certidão Negativa de Débitos. É claro que isso não acontecerá, mas só a notícia já basta para uma baita propaganda negativa. Qual empresa vai querer patrocinar um clube com esse tipo de problema? A diretoria atual, apesar de parecer honesta, não tem a mínima capacidade de exercer o trabalho que precisamos no atual momento de nossa história. E isso vai nos atrapalhar demais no caminho de volta às glórias.

Não estou aqui para bancar o cavaleiro do apocalipse e dizer que o clube vai acabar – como fez o economista Bernardo Santoro, que, ironicamente, veio a se tornar o vice-presidente de finanças. Somos grandes e isso não muda de uma hora pra outra; não existe esse “processo de americanização”, por um simples motivo: o América nunca foi um Botafogo.

Apenas me sinto no dever de alertar que é chegado o momento de a torcida tomar o clube para si. Se continuarmos nessa sucessão de diretorias incapacitadas, caminharemos cada vez mais para o buraco. Precisamos de profissionais que saibam fazer o que precisa ser feito. Amadorismo não cabe mais, apenas amor à camisa não resolve problema.

Só uma mudança radical do panorama atual, que é desesperador, evitará que deixemos de ser relevantes e competitivos no cenário nacional – algo que, em 2016, já não seremos. O tempo está passando e o futebol brasileiro não esperará por nós.

Saudações Alvinegras

Fonte: Blog Preto no Branco - Pedro Chilingue - ESPN FC