Existem duas maneiras de analisarmos o desempenho do Botafogo em 2015. A primeira é através do resultado puro e simples: ótimo trabalho, finalista no Carioca e líder na Série B. Na segunda, a incapacidade de demonstrar um futebol bom e convincente ao longo de sete meses completos. Nenhuma das duas estaria completamente errada, mas o alerta precisa estar sempre ligado.

O comentarista de resultado não se preocupa em analisar fatores: se as vitórias aparecem e os pontos são conquistados, ignoram tudo o que estiver errado. Mesmo se o time possuir fragilidades completamente expostas e erros graves cometidos, criticar é impossível, mesmo com uma argumentação sólida.

Assim se comporta o Botafogo, parte da mídia e uma boa parcela da torcida. A liderança é real e existe desde o início da competição, mas o time sempre mostrou problemas nítidos que foram encobertos até a eliminação na Copa do Brasil, que gerou um prejuízo de 700 mil reais e causou a demissão de René Simões.

O fato é que a gordura acumulada na fase inicial da competição – quando o elenco era outro, antes do desmanche – já foi queimada e a distância para o sexto colocado é de apenas 3 pontos. A ameaça é grande, e o Glorioso pode entrar em campo, no próximo sábado, já na quarta colocação, caso Paysandu, Bahia e América-MG vençam seus compromissos.

A liderança foi conquistada dentro de campo, sim. Mas só pôde ser mantida devido a diversos tropeços alheios e muita incompetência por parte dos nossos concorrentes. Cumprindo nosso dever apenas dentro de casa nas últimas duas partidas, estaríamos com seis pontos a mais que o segundo colocado. Isso pode fazer muita falta ali na frente.

Ao passo que desmontou seu elenco – já fraco – e trouxe reposições de qualidade duvidosa, o Alvinegro marcou apenas 2 gols nos últimos 7 jogos. A má fase combinou também com as más decisões de Jair Ventura, que demonstrou não estar pronto para a profissão. Além de escalar errado, conseguia demorar demais para mexer e ainda piorar o desempenho do time.

Ricardo Gomes ainda não teve tempo hábil para instaurar sua filosofia de trabalho, portanto seria bastante injusto culpá-lo pelo resultado frente ao Luverdense. Apenas noto uma insegurança ou até certa cerimônia ao dizer que “não pretende fazer mudanças drásticas”. Acredito que ele já identificou as falhas, mas tem medo de fazer alterações significativas e simultâneas.

No entanto, não temos tempo para isso. É necessário modificar totalmente o time que vem entrando em campo – tanto na escalação quanto na postura de jogo. Apostar na base é necessário filosofica e financeiramente, mas jogar seis, sete garotos em formação é irresponsável. Sem falar na aparente falta de potencial de nomes como Dierson, Gegê, Sassá, Octávio e Fernandes. Outros, como Sidney, Emerson e Dedé, tiveram pouca ou até mesmo nenhuma chance.

Ricardo precisa ser cirúrgico. A torcida alvinegra não merece ver, por mais um minuto sequer, a apatia demonstrada frente a Criciúma e Luverdense. Em vez de mascarar os problemas e fingir que tudo está bem usando a muleta da liderança, é hora de corrigi-los com atitudes enérgias e mudanças significativas. A Série B não vai nos esperar e a concorrência não vai vacilar para sempre.

Pra cima deles!

Fonte: Blog Preto no Branco - Pedro Chilingue - ESPN FC