O Botafogo voltou a marcar um gol aos 50 minutos do 2º tempo. No entanto, ao contrário do confronto com a Chape há 2 rodadas, dessa vez não houve euforia. Pelo contrário: permaneceu o ar de preocupação que nos rondou desde o primeiro tempo – e que já nos acompanha já algumas partidas.

Isso porque o panorama do Alvinegro mudou demais. Desde a eliminação nos torneios de mata-mata, o objetivo passou a ser reconquistar a vaga para a Libertadores – dessa vez, dentro do G4 para evitar o sacrifício que é a pré-continental. Caímos de pé e, entre os 7 primeiros, mirávamos o topo da tabela.

Eduardo Valente/FramePhoto/Gazeta Press

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O time caiu de rendimento e ninguém parece saber o que fazer

No entanto, nesse meio tempo, o futebol desapareceu; a química acabou, o time parou de funcionar e, principalmente neste jogo contra o Avaí, a equipe pareceu entregue – não só nos 90 minutos, mas também no campeonato e na temporada. Sem conseguir fazer o jogo fluir, os jogadores assistiam com passividade a construção de mais um resultado ruim.

A perspectiva, então, mudou. Ao invés de olharmos para os adversários da frente, começamos a nos preocupar com quem vem de trás. Se antes o G4 parecia bem possível, hoje tememos ficar sem o lugar no G7 – e aceitamos a trágica possibilidade de sequer sentirmos o cheiro da Libertadores em 2018.

O futebol desapareceu e aqueles 200% de entrega já não são mais vistos. Alguns acusam o cansaço; outros, o baque pelas seguidas eliminações em momentos-chave. Eu, sinceramente, não sei o motivo dessa queda brusca de rendimento – apenas quero que o grupo ressurja e prove, mais uma vez, que todos estavam errados.

O fato é que, sem se doar o máximo em cada bola, em cada dividida, em cada jogo, esse time é apenas comum. A superação era regra para não escancararmos nossas fraquezas e nossos pontos fracos. Ainda assim, mesmo que por enquanto, só dependemos de nós para definir nosso destino. Que assim seja.

Notas

Gatito Fernández: 9
Fez uma sequência de milagres na Ressacada. Se não saímos goleados hoje, é o único responsável.

Arnaldo: 4,5
Partida bem abaixo do que vinha fazendo. Errou passes fáceis e não deu sequência a nenhuma jogada.

Marcelo: 6
Partida razoável, sem comprometer. Usou bem a velocidade para bloquear ataques adversários.

Igor Rabello: 4
Muito abaixo do que estamos acostumados. Várias faltas desnecessárias e perigosas, erros individuais, passes mal feitos e espaços deixados lá atrás.

Victor Luis: 5,5
Participativo, mas pouco produtivo. Precisa repetir aquela ultrapassagem na linha de fundo mais vezes.

Matheus Fernandes: 5
Parecendo travado, não fez bem a transição do meio para o ataque. Sua saída melhorou o time.

Rodrigo Lindoso: 6
Cresceu com a saída de Matheus Fernandes. Em boa jogada individual, quase marcou belo gol. Rodou o jogo na medida do possível.

João Paulo: 5,5
Apagado, pouco contribuiu para a fase ofensiva – embora tenha brigado como sempre.

Bruno Silva: 6,5
Alternou lampejos da boa fase com jogadas burocráticas. Ainda assim, foi o mais lúcido na linha.

Rodrigo Pimpão: 4
Depois de ser o ponto forte do time no 1º semestre e decisivo na Libertadores, tornou-se um jogador inconclusivo. Embora ainda recomponha – e é isso que o segura no time titular – suas jogadas de ataque raramente dão em algo. No fim, ainda cometeu um pênalti bizarro.

Brenner: 5
Não consegue executar o mesmo papel de Roger, segurando a bola e fazendo o pivô. Sem a bola chegar, tenta voltar para buscar jogo e acaba se atrapalhando. Ainda não se integrou ao estilo de jogo do time.

Marcos Vinícius: 5,5
Entrou para dar mais ofensividade, mas pouco fez. No fim, foi premiado com o gol de empate em uma bola rebatida na área no último suspiro.

Guilherme: 7
Embora também tenha errado muito, é inegável que mudou o panorama do jogo colocando o time para cima. Participou do gol de empate ao bater o escanteio. Mesmo sem conseguir fechar a linha de 4 no meio, pode buscar essa vaga de titular.

Vinicius Tanque: sem nota
Entrou no fim e não teve chance de fazer muita coisa.

Emilio Faro/Jair Ventura: 5
O trabalho segue sendo deficitário no pós-Libertadores. O time não tem uma jogada sequer no campo de ataque e fica rondando a área até desistir de articular e partir para cruzamentos sem objetivo. Isso precisa mudar antes que a temporada vá para o lixo.

Fonte: Blog Preto no Branco - Pedro Chilingue - ESPN FC