O planejamento do Botafogo para 2014 conduziu à seguinte situação: estamos no meio de abril e, até agora, o alvinegro venceu seis dos 23 jogos oficiais que disputou no ano.

A estatística fria já é terrível. Quem se ocupar de procurar, daqui a alguns anos, os registros da participação do clube no Estadual e na Libertadores de 2014, estará diante destes números desalentadores. Mas o pior mesmo é a forma como o Botafogo se permitiu exibir: fragilizado, pouco à vontade num torneio internacional.

Quando a torcida encheu o Maracanã na fase preliminar, ficava claro: o clube tinha o dever de compreender que chegara o momento de acertar contas com a história, reencontrar seu verdadeiro tamanho. Mas o Botafogo ofereceu à torcida um time modesto, uma comissão técnica modesta. E não se trata de ser modesto apenas no valor de mercado. É ser modesto na ambição, na ousadia, na aptidão para jogar uma competição de porte.

Quando a disputa apertou, quando se mostrou mais desafiadora, o Botafogo se sentiu deslocado na festa. Podem argumentar que a realidade do clube é difícil. Pois fica aqui a proposta: que se compare o nível de investimento do Botafogo com o Independiente del Valle, que ficou à frente do alvinegro no grupo. O orçamento do Botafogo é 15 vezes maior. A crise de um clube de ponta no Brasil é luxo perto da realidade ordinária de um time equatoriano.

No Maracanã, no jogo verdadeiramente fatal contra o Unión Española, o Botafogo foi prejudicado, sim. Só que jamais foi dono da partida. Não foi decidido, não foi decisivo. Mais do que qualidade, faltou atitude. É óbvio que um time que aposta no quarteto Jorge Wagner, Lodeiro, Wallyson e Ferreyra não desponta como candidato a bicho papão da América. Mas diante de um modesto rival chileno e de um ainda mais modesto equatoriano, a obrigação é ser competitivo.

E na frieza dos números, mesmo que não tivesse o pênalti mal marcado contra si no Maracanã, o alvinegro hoje estaria eliminado da mesma forma.

E nesta quarta, em Buenos Aires, os minutos finais do jogo com o San Lorenzo foram um retrato do papel que o Botafogo assumiu. Os argentinos no Nuevo Gasómetro e os equatorianos do Independiente em Santiago brigavam para ver quem fazia mais gols e conquistava a vaga. E o Botafogo? Era mero sparring do San Lorenzo. Jamais contra-atacou, parecia se aceitar um time inferior. Levou um gol após outro e viu a Libertadores se despedir sem esboçar reação.

O Botafogo tem uma dívida a pagar com seu torcedor.

Fonte: Blog do Mansur - O Globo Online