Usamos cookies para anúncios e para melhorar sua experiência. Ao continuar no site você concorda com a Política de Privacidade.

Jogos

Taça Rio

16/05/21 às 11:05 - Nilton Santos

Escudo Botafogo
BOT

X

Escudo Vasco
VAS

Taça Rio

09/05/21 às 18:00 - Nilton Santos

Escudo Nova Iguaçu
NOV

0

X

1

Escudo Botafogo
BOT

Carioca

02/05/21 às 18:00 - Nilton Santos

Escudo Botafogo
BOT

0

X

0

Escudo Nova Iguaçu
NOV

Blog: ‘Uma nova forma de torcer toma conta do Rio de Janeiro. E faz a diferença’

0 comentários

Por FogãoNET

Compartilhe

Não sou contra as torcidas organizadas. Neste blog já escrevi sobre a necessidade de serem, digamos, “salvas” — clique aqui para ler o texto de 2013 e aqui para acessar o post de 2014. Elas precisam recuperar o perfil original, mais distante da violência e calçado no apoio ao time. Gritar o nome do clube, não da organizada, e ter orgulho da agremiação, não da facção a qual aquelas pessoas pertencem, algo muito comum nos jogos de futebol pelo país.

As principais torcidas do Vasco e do Fluminense foram banidas dos estádios por um ano devido a brigas e confusões. Força Jovem e Young Flu estão proibidas de frequentar as arquibancadas do Brasil desde março e só reaparecerão em 2016. A TJF, Torcida Jovem do Flamengo, recebeu castigo no mesmo mês e por período idêntico. Não retornará antes do ano que vem, portanto. O veto a elas inclui marcas dos grupos, logotipos, camisas e instrumentos musicais. Banimento.

O afastamento forçado de Força e Young proporcionou o crescimento de movimentos com outro espírito e que já estavam presentes nos jogos de Vasco e Fluminense. Torcidas inspiradas nos hinchas portenhos, como as que há cerca de uma década dominam as arquibancadas gaúchas. Elas cantam e apoiam o time o tempo todo. Torcedores despreocupados com brigas, tampouco interessados em gritar os nomes dos grupos aos quais pertencem. E sem as maiores organizada por perto, essas turmas engrossaram, ficaram mais numerosas e com vozes mais ativas.

Estourou pra valer em 2009 o movimento Legião Tricolor, sufocado com o fechamento do Maracanã no ano seguinte e combatido por algumas organizadas. Aquele pessoal mudou a forma de torcer pelo time, com novas músicas, grande empolgação e assim atraiu de volta ao estádio muitos torcedores que haviam se afastado — o blog publicou post sobre a Legião em 2010, clique aqui e leia. A herança da Legião ficou com a Bravo 52, hoje a voz mais forte que se ouve nos jogos do Fluminense.

No Vasco da Gama o grupo que aos poucos conquistou espaço com o banimento temporário da Força Jovem foi a Guerreiros do Almirante. “GDA”, como é conhecida, tem sido, não é de hoje, aquela que puxa o grito pelo clube em tempos de segunda divisão e ameaça de rebaixamento. Mesmo em minoria em alguns clássicos, tem sido comuns momentos em que tricolores ou vascaínos cantam mais e mais alto. É uma questão de filosofia, uma forma diferente de torcer. No domingo, quando o Vasco venceu por 2 a 1, ficou bem claro, embora muitos se recusem a aceitar.

O Botafogo, na segunda divisão e jogando prioritariamente no Engenhão, também viu crescer o seu movimento estilo argentino/uruguaio quando da punição à maior organizada alvinegra, a Fúria Jovem. Assim, não é de hoje que a Loucos pelo Botafogo vêm ditando o ritmo nas arquibancadas quando o time está em campo. Independentemente de má fase e rebaixamento. A “LPB” utiliza o 22 no slogan, pois o número é associado a quem é maluco, louco, como eles garantem ser.

No setor norte do Maracanã, mesmo sem a presença da Torcida Jovem, a divisão é evidente. Raça Rubro-Negra, Urubuzada, Flamanguaça e outras menores cantam músicas diferentes inúmeras vezes. É assim há décadas, o que já resultou até em brigas entre facções do mesmo time. Em alguns momentos a Raça, ainda a mais numerosa, canta músicas que terminam com o próprio nome gritado, como se ela fosse mais importante do que o Flamengo. Nem todas acompanham, claro, inclusive quem não é de torcida alguma e quer gritar apenas pelo clube, não de uma organizada.

Os flamenguistas também têm sua “barra”, como são chamadas as torcidas de viés portenho. É a Nação 12, que segue princípios parecidos com as de GDA, Bravo e LPB. Contudo, pelo poderio das organizadas, ela não se desenvolve tanto, não cresce na mesma proporção. Seus cânticos, embora alguns tenham se espalhado pela arquibancada, ficam na maioria das vezes restritos ao canto onde se instala, na fronteira com as cadeiras do setor oeste da “arena New Maracanan”. Pode parecer tolice para quem não conhece a cultura das arquibancadas, mas está fazendo diferença.

As organizadas já não têm a mesma capacidade de atração dessas novas “barras”. O perfil voltado à violência inibe quam deseja apenas torcer. Todas as facções banidas no Rio de Janeiro foram afastadas por conta de confusões por elas protagonizadas. E a Raça, que já esteve fora em 2015, voltando aos estádios durante o atual campeonato brasileiro, corre risco de novo afastamento. O jornal Extra publicou matéria e vídeo sobre a confusão do lado de fora do Maracanã antes de Flamengo 1 x 2 Vasco. E segundo a polícia, ela e a Torcida Jovem estariam envolvidas.

Caso Raça e TJF  fiquem novamente fora da arquibancada ao mesmo tempo, resta saber o que acontecerá na galera do Flamengo. Se as demais facções não sufocarem o movimento cujo espírito conquista as torcidas rivais, fenômeno semelhante poderá se repetir. E com as organizadas desperdiçando chances e mais chances de mudar, isso pode ser bom para o futebol carioca, que preserva suas tradições com duas torcidas nos clássicos e tenta reviver a mística dos tempos do Maracanã, o verdadeiro.

Fluminense, Vasco e Botafogo naturalmente têm ampliado os adeptos dessa nova forma de torcer. Cantar pelo clube, exaltar a camisa, declarar amor às suas cores. Cânticos assim tomam o espaço há tempos ocupado pela ode à batalha e ao confronto com o “inimigo”. No caso do Flamengo, já houve momentos nos quais as organizadas se uniram, mas no geral não é assim. E por isso cada vez faz mais sentido a pergunta: que torcida é essa?

Notícias relacionadas
Comentários