Durou pouco a esperança que brotou após a boa atuação diante do Cruzeiro. Laterais expostas, meio-campo arreganhado, ataque ineficiente e uma preguiça de dar raiva: esse foi o Botafogo que entrou em campo neste domingo, no Maracanã, diante de um dos piores times do Fluminense que já vi.

Logo no início, uma falha bastante coletiva: escanteio cobrado no meio da pequena área – Saulo não saiu para cortar, ninguém subiu para cabecear, o adversário teve tempo de virar uma bicicleta de volta para a confusão e, sozinho, Digão (!) escorou para a rede. E foi isso, pois o jogo acabou ali.

Durante os outros 80 minutos, assistimos ao Botafogo tentar criar ataques – e não conseguir em praticamente nenhuma das subidas. O Fluminense, por sua vez, era fraco demais para explorar os diversos espaços deixados pelo Alvinegro; ora pelas laterais, ora pela entrada da área. Nunca foi tão fácil.

Nas poucas vezes em que chegamos, esbarramos em nossa própria ruindade: chutes errados, cabeçadas em cima do goleiro e até pênalti desperdiçado. Neste momento, confesso que passou pela minha cabeça aquela fatídica cobrança do Jóbson em 2014. Espero que seja apenas uma má lembrança.

O padrão tático, que tanto elogiamos após o tropeço contra o Cruzeiro, hoje inexistiu. Zé Ricardo erra mais do que acerta e precisa engrenar antes que seja tarde. Estamos a apenas 2 pontos do Z4 – que pode se aproximar ainda mais caso o Vasco vença o jogo que tem a menos. O momento é assustador.

O confronto diante do América-MG, no próximo domingo, às 11h da manhã, tornou-se uma final de Copa do Mundo. Precisamos vencer seis das últimas quatorze partidas do Brasileirão para permanecermos na Série A. Um novo rebaixamento seria trágico – e isso precisa ser encarado abertamente desde agora.

Notas

Saulo: 5
Seguro nas poucas vezes em que foi exigido em finalizações, mas poderia ter saído na bola para cortar o escanteio no lance do gol.

Marcinho: 2,5
Talvez seu pior jogo desde que subiu da base. Exposto, perdeu todas no mano a mano contra o bom Ayrton Lucas – ajudado de perto por Everaldo. Na frente, mandou mal nas faltas e nos cruzamentos.

Marcelo: 4,5
Um pouco apavorado, deu botes desnecessários. O tempo sem jogar pode ter pesado pela falta de ritmo. Correu bastante para tentar cobrir Marcinho.

Igor Rabello: 5,5
Se virou bem – mesmo precisando cobrir os buracos deixados por Moisés e também os espaços deixados pelo Marcelo – que saía para cobrir o Marcinho. Na frente, deu belo passe por cima no lance do pênalti.

Moisés: 3
Atuação péssima. Andando em campo, foi displicente em quase todos os passes e ficava no ataque ao perder a bola. Seu lado foi uma avenida.

Rodrigo Lindoso: 4,5
É um dos jogadores que mais irrita pela passividade e pela burocracia. No entanto, precisamos ser justos: foi efetivo ao dar nosso melhor chute a gol e também ao deixar Kieza na cara em cruzamento pela esquerda. Prejudicou demais ao perder o pênalti.

Matheus Fernandes: 3,5
Perdido na maioria do tempo, não conseguiu fazer seu jogo fluir e, consequentemente, travou o nosso meio-campo. Não ocupou bem os espaços defensivos e também perdeu uma boa chance na frente.

Gustavo Bochecha: 3
Atuação bem parecida com a de Matheus, com o agravante de ter falhado diretamente no gol ao virar as costas para a bicicleta. Por não ter características de volante marcador, acabou ainda mais exposto.

Erik: 6,5
Mesmo em uma tarde pouco inspirada nas finalizações, foi o melhor do time novamente. Um bom jogador que, no meio de um elenco medíocre, se torna um astro. Muito bem nas jogadas individuais, mas perdeu gol feito no rebote do pênalti. No entanto, joga na posição errada – como sempre disse por aqui, ele não pode ser extremo. Funcionou contra o Cruzeiro, contra o fraco Marcelo Hermes; hoje, contra o Ayrton Lucas, a melhor peça do Flu, sobrecarregou Marcinho e sofremos muito por ali. Precisa jogar à frente de duas linhas de 4.

Luiz Fernando: 5,5
Atuação mediana, porém um dos melhores do time neste domingo. Bons passes para infiltrações e algumas jogadas individuais. Apesar de ter mantido a regularidade, também deixou espaços na recomposição – o que vinha consertando.

Kieza: 2
A bola simplesmente parecia um elemento estranho para ele. Tropeçava nela, passava dela, maltratava ela. Teve a chance mais clara do jogo – até mais do que o pênalti – e cabeceou em cima do goleiro. Uma lástima.

Rodrigo Pimpão: 4
Entrou com o time precisando produzir mais; ou seja, não conseguiu ajudar de maneira nenhuma. Sua presença só seria útil para fechar o lado esquerdo e tentar puxar alguns contra-ataques. Ainda tentou na base da correria, mas não é o seu forte.

Luis Ricardo: sem nota
Sem futebol, sem decência, sem vergonha na cara. Vou começar a leiloar esse espaço aqui – vocês poderão escrever o que quiserem.

Brenner: 3,5
Tecnicamente, acrescentou muito pouco – foi mais um a brigar com a bola hoje. Sua presença teria sido mais útil caso tivesse cobrado o pênalti, já que nunca perdeu em jogos oficiais, mas Zé optou por Lindoso.

Zé Ricardo: 3
Oscilação muito preocupante. Time não mostrou nenhum padrão de jogo, as linhas estavam irreconhecíveis e o time parecia não saber o que fazer com a bola. O fraquíssimo time do Flu conseguiu explorar nossas fragilidades com uma facilidade absurda, principalmente pelas laterais. Não pode insistir com Érik de extremo e precisa rever o meio-campo; um time com três volantes não é, necessariamente, um time mais protegido. Compactar as linhas e dar liberdade para o Erik seria bem mais importante.

Fonte: Blog Preto no Branco - Pedro Chilingue - ESPN FC