Fui bastante a favor da chegada de Zé Ricardo no Botafogo – mesmo antes da contratação inexplicável e surreal de Marcos Paquetá. Jogamos fora um mês de trabalho durante a Copa do Mundo por conta de uma aposta pessoal de Anderson Barros em um treinador que não trabalhava no Brasil desde 2004.

O time mostrou uma boa evolução tática desde então. Ainda assim, é possível afirmar que Zé está tendo muitas dificuldades para assimilar o panorama que encontrou no Alvinegro; falando em ter posse de bola e partindo para a trocação franca dentro de campo, vem sendo muito pouco competitivo e apanhando feio das principais equipes do país.

É nítido que o material humano é bem pobre e a qualidade é bastante escassa. No entanto, é possível ter um jogo bem mais eficiente adaptando o estilo de jogo às nossas características e necessidades. Para isso, a primeira coisa a se fazer é, como dizemos no mundo da bola, “fechar a casinha”.

Adotar o princípio de jogo reativo emplacado por Jair Ventura na campanha que nos levou do Z4 às quartas de final da Libertadores parece ser a melhor saída. Porém, com uma diferença significativa: ser defensivo sem abdicar do ataque. Esse era o maior defeito daquele time – e hoje, em comparação àquele grupo, temos mais quantidade e qualidade ao olhar para as peças ofensivas.

Futebol está longe de ser uma ciência exata – apesar de ser um esporte bem mais estudado hoje do que há algumas décadas. A tática e as instruções aplicadas pelos treinadores têm cada vez mais influência nos resultados; os técnicos boleiros vêm sendo, temporada após temporada, superados pelos estudiosos. Até mesmo Renato Gaúcho, conhecido pela sua personalidade forte e seu estilo “motivador”, precisou se aprimorar e hoje colhe os frutos.

Dessa forma, por ser um mero estudante e admirador do mundo das táticas, quebrei a cabeça até encontrar uma estrutura na qual o time possa corrigir o principal problema, que é o sistema defensivo, sem deixar de ser perigoso lá na frente. Claro, trata-se de apenas um esboço; o trabalho de Zé Ricardo no dia a dia é que iria projetar a nossa reação.

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O meu esquema ideal para o Botafogo: 4-4-2 compacto com movimentação na frente

A ideia é de simples entendimento: duas linhas bastante compactas, como em 2016, o mais próximo possível de nossa retaguarda. Isso porque, como nossa zaga é pesada, não temos condições de jogar em linha alta – e isso vem gerando dezenas de contra-ataques para os adversários, mesmo atuando fora de casa. O jogo contra o Grêmio deixou isso ainda mais em evidência.

Partindo deste princípio, precisaríamos de dois extremos que soubessem recompor e ajudar os laterais – ao mesmo tempo que tenham velocidade para ajudar nos contragolpes. Faz-se necessária, então, a entrada do contestado e limitado Pimpão. Não é o cenário ideal, mas não há outra hipótese no grupo.

Por dentro da linha central, a maior mudança seria a entrada de Gustavo Bochecha, sacando Valencia do time. Com Matheus Fernandes mais preso à marcação, ele teria a função de organizar a saída de bola a partir de nossa intermediária – o que fez com muita qualidade em todas as oportunidades que recebeu. Leandrinho, caso recuperado, seria outra boa opção para a função.

À frente das duas linhas, a maior mudança em relação ao time de Jair Ventura: à época, jogávamos num 4-4-1-1, com um meia de armação jogando atrás do atacante. Dessa vez, teríamos duas pelas ofensivas num 4-4-2, substituindo um jogador de organização por um segundo atacante. É aí que entra o Érik.

O atacante, emprestado pelo Palmeiras até o final do ano, terá papel fundamental e jogará na faixa de campo em que mais se destacou. Sem necessidade de recompor pelos lados do campo, terá mais liberdade para flutuar no setor ofensivo – utilizando sua velocidade e sua boa chegada à área.

Para dar mais fluidez e movimentação, Rodrigo Aguirre ficaria com a 9. Como tem mais explosão, seria mais útil no campo ofensivo – até porque, em relação ao esquema atual, estaria um pouco mais distante da área. Ele é quem mais preenche os atributos necessários para atuar no último terço com qualidade.

Vale lembrar que não sou dono da verdade. Sou apenas um torcedor com alguma voz iniciando um debate necessário. Não há, aqui, nenhuma fórmula mágica – apenas a constatação de que uma mudança no panorama atual é urgente. Tomara que Zé Ricardo já tenha percebido.

E vocês, o que acham?

Fonte: Blog do Pedro Chilingue - Preto no Branco - ESPN