Boa parte da torcida alvinegra ainda não decifrou o nosso esquema tático. Diante da derrota em casa para o Barcelona, muitos torcedores pediram a volta do “esquema com três volantes”. Apesar de termos 3 volantes em campo com o Bruno Silva, nunca foi tão simples assim. E é isso que vamos dissecar aqui.

A presença de Bruno Silva é importante pelo equilíbrio que dá ao meio-campo junto com Airton e João Paulo. Não é que formem uma trinca; na atual temporada, o Glorioso sempre atuou com uma linha de quatro jogadores – completa por Pimpão, que se adaptou à função de extremo. Assim, chegamos ao tema central do texto.

O extremo é uma expressão ainda pouquíssimo utilizada no Brasil. Acostumados ao tradicional esquema da década de 90, quando a maioria dos times utilizava o 4-2-2-2 – com dois volantes e dois meias –, muitos torcedores ainda não notaram as drásticas mudanças táticas adotadas nos últimos anos. Hoje, quem não povoa seu meio-campo com qualidade e inteligência está fadado ao fracasso.

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As opções de extremo que tem o elenco do Botafogo

Daí a importância do extremo. O jogador que precisa ter qualidade pra atacar e consciência pra recompor no momento necessário, fazendo uma dobradinha com o lateral. Como podemos ver, posição é diferente de função; sendo assim, não há exigência de nomenclatura para ser um extremo. Vamos aos exemplos dentro do próprio Botafogo.

Rodrigo Pimpão, acostumado a ser um segundo atacante durante toda a carreira, se adaptou muito bem às necessidades e vem se destacando como extremo. O mesmo aplica-se ao volante Bruno Silva, que conhece todos os atalhos do terço central do campo e alia muito bem marcação e ofensividade. Em 2016, outro que se saiu bem por ali foi o lateral Diogo Barbosa, numa excelente parceria com Victor Luis.

Percebem? Não é a posição que define o sucesso, mas sim as características de cada jogador. Isso explica como Guilherme e Camilo, por exemplo, não devem jogar abertos na linha de meio-campo: apesar de terem boas características ofensivas, não têm fôlego e/ou noção tática para recompor com eficiência e, logo, sobrecarregam volantes e laterais – resultando em jogos como a última derrota no Estádio Nilton Santos.

Essa é a parte boa de não haver posição específica para um extremo. A parte ruim, no entanto, é a dificuldade de procurar essa peça no mercado da bola. Como há pouquíssimos atuando nessa função, não há garantia ou certeza de que um jogador irá render por ali antes de testá-lo. Na Europa, com o jogo tático bem mais evoluído que no Brasil, a gama de possibilidades é bem maior – assim como a possibilidade de adaptação de jogadores para serem extremos.

Essa é, disparado, a maior carência do elenco do Botafogo. Com as voltas de Jéfferson e Luis Ricardo, estaremos bem servidos em todos os setores – podendo buscar, dependendo das oportunidades do mercado, reforços pontuais que possam agregar. No entanto, é urgente a contratação de dois extremos; um para revezar com Pimpão pela esquerda e outro para alternar com Bruno Silva pela direita.

Os únicos nomes que têm as características ideias para desempenhar tal função, além de Pimpão e Bruno, são Yuri e Fernandes, ambos oriundos das nossas categorias de base. O primeiro, mesmo se destacando no time campeão sub-20 em 2016, parece não ter prestígio com o técnico e praticamente não entrou em campo ainda. O segundo, nas vezes em que foi utilizado, atuou mais centralizado e oscilou entre bons e maus jogos.

É complicado esperar tamanha atualização de alguém como o ultrapassado Antônio Lopes. É torcer para que Jair tenha influência e voz no processo de montagem do elenco – algo que não teve ao solicitar a contratação de Maicon, sob a alegação de que ele “não tem o perfil procurado”. Se um cara multicampeão, experiente e bom de bola não tem, será que o Arnaldo vai ter? É esperar pra ver.

Indiquem nos comentários quem vocês acham que poderia ser um bom extremo!

Fonte: Blog Preto no Branco - Pedro Chilingue - ESPN FC