Bota confia em manter elenco. Só que a principal aposta não é pagar salário

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Os três meses de salários atrasados na carteira de trabalho dos jogadores do Botafogo geram apreensão e dúvidas. Com tamanho atraso, os atletas têm direito de pedir a rescisão contratual. Internamente, a diretoria briga para encontrar uma solução e diminuir a dívida. Apesar da pressa, os cartolas mostram calma com a crise financeira e negam temer uma saída em massa de peças importantes da equipe comandada por Vagner Mancini.

A confiança em manter o elenco não está em um acerto salarial breve. Com 100% das receitas bloqueadas e de mãos atadas neste momento, a diretoria alvinegra aposta em outros fatores capazes de frear uma possível debandada – com maior risco para o zagueiro Dória e para o volante Gabriel. Um detalhe decisivo está no trabalho do diretor técnico Wilson Gottardo, muito próximo dos atletas e firme nas conversas para acalmá-los.

Existe outro ponto a dar força aos dirigentes no discurso de que não há motivo de preocupação para saída de atletas: a maioria dos titulares já completou sete jogos no Campeonato Brasileiro. Com isso, uma transferência para outro clube da elite nacional se torna infrutífera, já que ele não teria condições de jogar na competição.

Do time principal do Botafogo, apenas Carlos Alberto – com quatro partidas – ainda não chegou a tal marca. O discurso dos jogadores é ficar e ajudar o Botafogo enquanto a crise financeira não é solucionada.

Gottardo vê o bom ambiente entre os jogadores como fundamental para a união neste momento de tensão e incertezas. Apesar de acreditar no “fico” dos jogadores, o diretor ressalta que eles podem tomar um caminho próprio.

“Os atletas têm livre arbítrio. Têm decisões a tomar. Falo para que não desistam. Eles são os únicos que podem ajudar o clube neste momento, independentemente da situação financeira”, afirmou o ex-zagueiro. Outros dirigentes do clube – os que ainda têm bom trânsito no vestiário – conversam com o elenco com regularidade para passar apoio.

Ainda que não haja temor pela saída de jogadores para o futebol brasileiro, o aquecido mercado europeu gera preocupação na diretoria. O zagueiro Dória é observado por clubes estrangeiros e pode ver o assédio aumentar ainda mais por causa do terceiro mês de atraso salarial. Outro jovem com potencial é Gabriel. O volante, que tem cidadania italiana, é alvo de especulações, mas descarta pedir uma rescisão para mudar de clube.

“Essa atitude não seria a mais correta nesse momento. Temos que jogar pela torcida, pela nossa família e pelo Botafogo, que merece o respeito de todos os jogadores. A gente sabe que a diretoria está fazendo o possível. É uma situação difícil, mas a gente tem total confiança que isso um dia, mais cedo ou mais tarde, vai ser pago”, declarou o volante à rádio Brasil.

Além dos três meses de salários atrasados em carteira, os jogadores alvinegros sofrem sem receber direitos de imagem há seis meses, além de o clube não recolher FGTS. Dentro de campo, o Botafogo se prepara para enfrentar o Atlético-PR às 16h deste domingo, fora de casa. O time está na 16ª colocação do Campeonato Brasileiro, com 13 pontos, a beira da zona de rebaixamento.

Fonte: UOL

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