Botafogo admite: Recife foi ‘Plano B’ de Brasília, não o ideal

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Na tabela financeira do Campeonato Brasileiro, o Flamengo inverte a lógica do campo, deixa a zona de rebaixamento e, apoiado por sua torcida, conquista a capital do Brasil. Ao desbravar o Distrito Federal pós-Copa das Confederações, o rubro-negro, na 18ª posição na competição, deixou um caminho que poderá ser seguido pelo líder Botafogo e pelo Fluminense, quarto colocado. Enquanto o Flamengo faturou mais de R$ 1 milhão na última rodada em Brasília, os rivais tiveram prejuízo de R$ 40 mil em Recife e a certeza de que a escolha da praça é a única garantia para atração de público e renda fora de casa.

Sem estádios para jogar no Rio, por causa da interdição do Engenhão para reforma da cobertura e pela demora da concretização do contrato de uso do Maracanã, os clubes negociam da melhor maneira possível para tentar obter algum lucro com os jogos nos quais são mandantes. Para que isso aconteça, o público é fundamental para gerar receita e ajudar a driblar as altas taxas cobradas pelo aluguel dos campos e até pela Federação de Futebol do Rio, que fica com 10% da renda até quando o jogo é em outra cidade. Mesmo tendo de desembolsar uma cota de 13% da renda para o pagamento do aluguel do Estádio Mané Garrincha, o Flamengo encontrou o equilíbrio entre receita e despesas. Em Recife, onde Botafogo e Fluminense jogaram o clássico, domingo passado, o aluguel da Arena Pernambuco foi fixo: R$ 270 mil.

— Usamos como base a experiência do jogo contra o Santos (na estreia do campeonato). O Flamengo vai a Brasília e vê a mobilização de sua torcida. Olhamos os números de sócios-torcedores e vários outros indicadores, que nos levaram a negociar para jogar lá. Não foi uma negociação vinculada ao Maracanã. Começou quase ao mesmo tempo, mas conseguimos mais rápido — disse Rodrigo Tostes, vice-presidente de finanças do Flamengo.

Mandante do jogo contra o Fluminense, o Botafogo também correu, mas encontrou obstáculos para fechar com o Mané Garrincha. Sem tempo para definir outro local para a partida, o clube enfrentou a viagem até o Nordeste e a resistência da torcida local.

— Brasília não tem times com torcidas locais tão grandes como há em Recife, onde houve uma campanha para que o estádio não enchesse, como se dissessem que não precisam dos times cariocas. O Botafogo tem torcida no Distrito Federal e queria jogar lá com o Fluminense um dia depois de Flamengo e Coritiba. Mas os administradores se opuseram a realizar dois jogos seguidos. Então, tivemos dois dias para negociar com Recife. Não foi o ideal, mas o que restou — declarou Sérgio Landau, diretor-executivo do Botafogo.

A recusa em ceder o Mané Garrincha para o clássico carioca foi pautada pelo estado do gramado, já castigado, apesar de novo. No domingo, em Brasília, Flamengo e Vasco vão fazer o segundo clássico carioca seguido fora do Rio.

Enquanto o Maracanã é uma incógnita, Brasília é a certeza. Tanto que o Flamengo fechou um pacote ontem com o governo do Distrito Federal para jogar mais seis partidas no Estádio Mané Garrincha, incluindo a com o Vasco. O clube informou que também estão confirmados o jogo contra o Botafogo, no dia 28 de julho, quando o Maracanã já estará disponível, e o segundo turno contra o Vasco, em outubro. Outros três jogos, provavelmente contra Atlético-MG, Grêmio e São Paulo, fecharão o pacote, que proporcionou redução de custos ao Flamengo. Há a possibilidade de outras duas partidas adicionais. Nos dois jogos entre Flamengo e Vasco, a renda será dividida.

— Se o público for pequeno, teremos prejuízo. Mas fizemos um estudo e calculamos que valia a pena correr esse risco. Na verdade, o Flamengo deseja o Maracanã. Estamos investindo muito tempo nessa negociação — explicou Tostes.

Negociação em andamento

A negociação do Botafogo com o Maracanã também está em andamento. Apesar de os valores não serem revelados, o preço do aluguel será inferior ao cobrado nas novas arenas.

— Faremos mais jogos em Brasília, mas nossa prioridade é o Maracanã, onde jogaremos a maioria das vezes. Ainda não temos datas definidas, e o consórcio definirá o preço do aluguel. Mas será menor que o das outras praças. Na verdade, o maior problema é que não temos estádio — disse Landau.

Até fechar o contrato definitivo de uso do Maracanã, o Fluminense vai negociar com o consórcio a cada jogo, como fez para poder jogar contra o Vasco, dia 21. Neste panorama, Brasília é opção.

— Brasília é um destino interessante, onde temos torcida. Já conversamos, mas não jogamos lá devido ao prazo. Tudo que precisamos é jogar sem ter altos custos com o campo e o governo do Distrito Federal é bom de negociação — disse Jackson Vasconcelos, superintendente-executivo do Fluminense.

Fonte: O Globo Online

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