Ainda que, sob o aspecto esportivo, avançar na Taça Rio não seja fundamental para os objetivos a curtíssimo prazo de Vasco e Botafogo — já que ambos estão garantidos nas semifinais gerais do Carioca —, chegar o mais longe possível é, sim, estratégico sob o ponto de vista financeiro. Como o dinheiro anda curto em ambos os lados, ganhar o clássico de hoje, às 21h45m, pelas semifinais do segundo turno, é um bom negócio, tendo como meta embolsar a premiação.

Mesmo que o dinheiro do Estadual não seja a solução final dos problemas — afinal, os compromissos vão além dos R$ 150 mil recebidos pela participação na semifinal e dos R$ 850 mil prometidos a quem for campeão da Taça Rio —, colocar qualquer valor nos cofres já ajuda.

Embolsar a premiação também é uma forma de amenizar os prejuízos seguidos que os clubes têm registrado nos borderôs das partidas do Carioca. Na Taça Rio, sem contar as cotas de TV, o saldo negativo do Vasco é de R$ 131,9 mil. No caso do Botafogo, mais dinheiro foi perdido: R$ 664 mil.

Carregando consigo a vantagem do empate no clássico de hoje (classificou-se em primeiro no Grupo B), o Vasco, que tomou um calote de R$ 10 milhões do patrocinador master anunciado na reta final da gestão Eurico Miranda, deve três meses de salários a jogadores e funcionários. O presidente Alexandre Campello precisa quitar dívidas de várias naturezas, já que o clube também deve, por exemplo, parcelas do Profut e deu calote no Maracanã e em fornecedores pela utilização do estádio em duas partidas do Brasileiro-2017. Conseguir a Certidão Negativa de Débito (CND) para obter patrocínios estatais virou objetivo distante.

Para compensar o vexame da Copa do Brasil

Se passar pelo rival e for campeão da Taça Rio, o milhão que o Botafogo ganharia serviria, por exemplo, para quitar o empréstimo do atacante Rodrigo Aguirre. O uruguaio recém-chegado custou US$ 250 mil (cerca de R$ 800 mil), valor que o clube pagou mediante ajuda de investidores.

Se for ainda mais longe, a premiação pode significar um alento ao prejuízo gerado pela queda na primeira fase da Copa do Brasil. O vexame rendeu apenas R$ 1 milhão de premiação ao clube. Se for campeão estadual tendo vencido também a Taça Rio, o Botafogo embolsará, ao todo, R$ 4,5 milhões. Isso equivale ao que a CBF paga aos clubes sobreviventes até a quarta fase da Copa do Brasil (R$ 4,4 milhões). Ainda assim, haveria um déficit, levando-se em conta a previsão orçamentária anual, já que a diretoria do Botafogo tinha estipulado como meta estar nas oitavas de final e faturar mais R$ 2,4 milhões de premiação (sem contar a bilheteria).

O desafio para o Botafogo vai além, já que o alvinegro não venceu nenhum dos quatro clássicos disputados em 2018.

— Joguei dois aqui e fui prejudicado pela arbitragem duas vezes. Tanto contra o Flamengo quanto diante do Vasco. Quero que minha equipe melhore, sou o que mais cobro. Mas também vamos ver a arbitragem. Foram erros pesados, ambos no início dos jogos — ponderou o técnico botafoguense Alberto Valentim.

Por outro lado, o treinador vascaíno, Zé Ricardo, não sabe o que é perder clássicos desde que chegou ao clube. Em cinco jogos, foram duas vitórias e três empates.

— Essas estatísticas fazem parte do futebol. Isso acontece. Entramos sempre para vencer, e, com isso, os resultados tendem a aparecer — disse Zé.

Fonte: Extra Online