É mais fácil bordar a primeira estrela de campeão na Libertadores do que na Liga dos Campeões da Europa. Nas últimas 10 edições do principal torneio do continente, houve quatro campeões inéditos. Na Champions League, só o Chelsea conseguiu a proeza. Vendedora de sonhos, a competição sul-americana abre as quartas de final com quatro clubes obcecados pelo troféu: Botafogo, Lanús (Argentina), Barcelona (Equador) e Jorge Wilstermann (Bolívia) jamais deram a volta olímpica e precisam desbancar camisas pesadas para evitar frustrações. Dos quatro, apenas o Barcelona tem ao menos uma final no currículo — foi vice do Olimpia em 1990 e do Vasco em 1996.

Único clube brasileiro candidato ao título inédito, o Botafogo não teme campeões. Nesta Libertadores, desbancou Colo-Colo, Olimpia, Estudiantes, Atlético Nacional e Nacional. A próxima vítima pode ser o Grêmio, vencedor do torneio em 1983 e em 1995. O jogo de ida é nesta quarta-feira (13/9), às 21h45, no Estádio Nilton Santos, no Rio, com sabor de revanche. Em 1996, o tricolor gaúcho eliminou o alvinegro nas oitavas de final.

O mata-mata brasileiro das quartas de final pode ter sotaque castelhano no duelo entre dois companheiros de seleção. Titular do Paraguai, o goleiro Gatito Fernández tem a missão de fechar o gol para Lucas Barrios. O centroavante do Grêmio comanda o melhor ataque da Libertadores com 18 gols. O dono das traves do Glorioso lidera a defesa menos vazada da competição, com cinco sofridos.

Responsável direto pela manutenção do sonho do título do Botafogo, Gatito Fernández só tem menos defesas na Libertadores do que o goleiro do Barcelona, Máximo Banguera. O goleiro paraguaio é importante com as mãos e com os pés. Gatito ocupa o terceiro lugar em número de lançamentos nesta Libertadores, atrás apenas de Raúl Olivares, do Jorge Wilsteman, e de Esteban Andrada, do Lanús, goleiros que também fazem o time jogar.

Aposta do Grêmio para marcar no mínimo um gol no Rio, Lucas Barrios é o quarto jogador que mais finaliza nesta Libertadores. Perde para os eliminado Guerrero (Flamengo), Juan Quintero (Independiente Medellín) e Emanuel Herrera (Melgar). Na partida desta quarta, Barrios não contará com dois parceiros importantes na campanha pelo tri. Pedro Rocha trocou o Grêmio pelo Spartak Moscou e Luan está vetado pelo departamento médico. Outra dúvida na escalação é o zagueiro Pedro Geromel.

O técnico Renato Gaúcho faz mistério sobre os nomes dos substitutos. “Às vezes, o jogador não treina com bola e faz outro tipo de trabalho”, ponderou o treinador, desconversando sobre as possíveis ausências de Luan e Pedro Geromel. “Dependendo do jogador vale a pena esperar até o último minuto se vai jogar ou não”, comentou.

Mais suspense

No Botafogo, as principais dúvidas são o zagueiro argentino Joel Carli, o volante Rodrigo Lindoso, o meia João Paulo e o atacante Marcos Vinícius, todos recuperados de problemas musculares. A única certeza é de que Gilson será o substituto do suspenso Victor Luis na lateral esquerda. “Essa pausa foi benéfica por conta da situação dos lesionados. Seria melhor ter contato com todos nesse período, mas os quatro estão relacionados para o jogo. Quem inicia ou não eu vou fazer uma surpresa. Só dessa vez”, brincou o técnico Jair Ventura.

O Botafogo tenta retornar às semifinais depois de 43 anos. A última vez foi em 1973. O triangular semifinal contra Cerro Porteño e Colo-Colo levou o time chileno a decisão. Jair Ventura aponta o caminho para a equipe carioca despachar o Grêmio e repetir os feitos de 1963 e de 1973. “A palavra é equilíbrio. O grupo é maravilhoso. Sempre tem um ou outro que sofre mais, mas na maioria somos equilibrados”, avaliou Jair Ventura, minimizando o entusiasmo após a vitória sobre o Flamengo no último domingo, pelo Campeonato Brasileiro. “A cabeça está boa. Somos sempre os mesmos, independentemente do resultado”.

Fonte: Superesportes